Praticamente todos os meses do ano já estão tomados por uma cor e uma campanha, às vezes com mais de um tema por mês. Vão dos famosos outubro rosa e novembro azul até os incipientes junho vermelho e setembro verde (que estimulam a doação de sangue e órgãos, respectivamente). Como o calendário do primeiro semestre é tranquilo e janeiro parece que ainda está livre, aproveito para lançar uma campanha.

Nessa época de Natal e Réveillon, em que quase todo mundo resolve fazer um balanço do ano, muitas vezes aproveitamos para pensar na vida como um todo. É o momento das famosas resoluções de ano novo. Janeiro carrega mesmo uma sensação de frescor e promessa de novidade que nos estimula a rever algumas coisas. Seu nome vem, não por acaso, do deus Janus, da mitologia romana – guardião das portas, pontes e passagens, ele tinha duas faces, uma olhando para trás e outra para frente. Afinal, para saber aonde queremos ir precisamos muitas vezes lembrar de onde estamos vindo.

O problema é que, segundo pesquisas, perto de 80% dessas decisões não se mantêm ao longo do tempo. Antes de chegarmos o março roxo (conscientização sobre epilepsia) já abandonamos a dieta, voltamos a fumar, desistimos da academia etc. Mas vem aí a campanha que pretende pôr fim às resoluções malogradas.

O principal motivo pelo qual não mantemos determinado comportamento é falta de motivação. É muito difícil mudar algo porque outros querem, porque somos obrigados, sem termos convicção da importância. As verdadeiras transformações ocorrem quando tomamos decisões não apenas convencidos de que aquilo é importante, mas intimamente convictos de que os seus resultados são o que de melhor podemos esperar. É quando você, que já sabia que parar de fumar diminui o risco de ter um infarto, subitamente percebe que tem mais chance de ver seu neto crescer se deixar o cigarro. Ou quando, mesmo sabendo que vinha bebendo bastante, o sujeito acaba por envolver sua família num acidente, dando ao problema uma dimensão verdadeiramente pessoal.

Proponho então o Janeiro Prateado. Uma campanha que também estimula o autoexame. Mas da consciência. Prata é a cor do espelho, traz a ideia de reflexão. Então vamos refletir antes de fazer uma resolução, antes de decidir mudar algo para 2016. Pense bem: o que realmente está ruim? O que está prejudicando sua qualidade de vida, sua alegria, energia? Esses prejuízos são importantes? Abandonar algum comportamento contribuirá para mais satisfação com a vida, com a família, mais felicidade, saúde? E esse ganho vale o esforço que será necessário para mudar?

Com esse exercício de autoexame da consciência podemos encontrar motivações mais verdadeiras e profundas, que ajudarão a manter nossa resolução de ano novo (dica – faça poucas, uma ou duas já são difíceis o bastante) e contribuir para um feliz 2016. E 17, 18, 19…

Dica extra: um dos segredos das resoluções bem sucedidas é serem públicas. Quem divide com os outros suas decisões tem mais chance de sucesso tanto pelas cobranças como pelo apoio. Então, conte para nós: qual sua decisão para 2016?