“Foi por medo de avião
Que eu segurei
Pela primeira vez
A tua mão”.

Já dizia o reaparecido Belchior na música “Medo de avião“. Podem me chamar de brega, mas eu gosto da música dele – a voz rouca, as letras interessantes que muitas vezes dão o que pensar. Nessa, por exemplo, ele tinha boa dose de razão.

Descobri esses dias um estudo antigo, da década de 70, que mostra o papel do medo na atração entre os sexos. Oitenta e cinco rapazes bem intencionados foram divididos em dois grupos, um deles foi colocado numa daquelas pontes suspensas que dá muito medo atravessar, outro numa ponte que não dava medo. No meio da ponte eles encontravam uma entrevistadora bonita, que apresentava a figura de uma mulher com o rosto coberto e pedia que eles inventassem uma história para ela (era uma das imagens do famoso teste de apercepção temática – TAT). Ela descaradamente dava o telefone para os sujeitos, dizendo que estaria disponível para discutir a pesquisa mais tarde, naquela noite.

Nada menos que metade dos homens entrevistados na situação de medo ligaram para a bonitona. Isso é muito ou pouco? Não sei, mas sei que só 12,5% dos outros, que foram abordados na ponte “segura”, deu o telefonema. Quatro vezes menos. Além disso, a historinha que os estes voluntários contavam tinha muito menos conotação sexual do que dos outros.

Enfim, parece que fortes emoções facilitam mesmo a atração sexual. Deve ser porque o famoso frio na barriga que a gente sente no avião é praticamente o mesmo que acontece quando pegamos “naquela” mão.

Sábio Belchior.

ResearchBlogging.org Dutton, D., & Aron, A. (1974). Some evidence for heightened sexual attraction under conditions of high anxiety. Journal of Personality and Social Psychology, 30 (4), 510-517 DOI: 10.1037/h0037031