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Já ouvi alguma vezes que a existência do Dia Internacional da Mulher é bobagem, que as mulheres já conseguiram seu lugar e que isso seria um reforço ao preconceito. Discordo.

As mulheres ainda podem ser consideradas minorias. São minoria não por estar em menor número, mas porque têm menos acesso a direitos e garantias, sofrem discriminação. No mercado de trabalho, por exemplo, elas já estão em maior número, mas ganham em média menos do que os homens, mesmo exercendo as mesmas funções. Uma data dedicada a elas, portanto, é bem vinda por nos lembrar do preconceito que ainda viceja nas relações de gênero.

É necessário, contudo, fugir do radicalismo que propõe a plena igualdade entre homens e mulheres. Um exemplo interessante das diferenças homem x mulher diz respeito às reações diante das ameaças. Durante muitas décadas acreditou-se que a única resposta ao estresse era a de fuga-ou-luta, até que uma pesquisadora questionou tal modelo. Os estudos eram quase todos realizados com machos e quase nunca com fêmeas; mas se o papel deles era lutar com o inimigo ou fugir, talvez a evolução inclinasse as fêmeas não para fugir nem para combater, mas para cuidar de sua prole. No início da década Shelley Taylor publicou um artigo que modificou o paradigma no estudo do estresse (1), mostrando que em fêmeas a adrenalina não agia sozinha na hora do perigo, mas era contrabalançada pela occitocina, neuropeptídeo sabidamente envolvido no comportamento afetivo e na maternagem, e diversas pesquisas vêm comprovando esse modelo desde então.

Preconceitos e determinantes culturais à parte, essas pesquisas mostram que o instinto feminino é diferente do masculino, o que é, no fim das contas, algo que sempre imaginamos: os homens estão mais prontos para briga, as mulheres, mais preocupadas com os filhos. Se é na diversidade que está a riqueza é bom que homens e mulheres sejam diferentes. O ruim é fazer dessas diferenças motivo de discriminação e preconceito.

Feliz Dia Internacional da Mulher para todas e todos.

Research Blogging Awards 2010 Finalist(1)Taylor, S., Klein, L., Lewis, B., Gruenewald, T., Gurung, R., & Updegraff, J. (2000). Biobehavioral responses to stress in females: Tend-and-befriend, not fight-or-flight. Psychological Review, 107 (3), 411-429 DOI: 10.1037//0033-295X.107.3.411