Você, que fica adiando o começo da academia, saiba que é um profeta muito míope.

Essa é a conclusão de um estudo sobre a prática de atividade física realizada na University of British Columbia, no Canadá: as pessoas sempre acham que vão gostar menos de fazer exercícios do que acabam gostando no fim das contas. Isso parece acontecer porque nós ficamos pensando no esforço para quebrar a inércia, e – de modo míope – achamos que a atividade inteira será ruim. Essa baixa expectativa de prazer, dizem os cientistas, faz com que muita gente nem sequer comece a se mexer.

Para confirmar isso os pesquisadores pediram a dezenas de pessoas que já treinavam alguma coisa para atribuir uma nota de 0 a 10 para o quanto iriam gostar do treino. No final repetiram a pergunta, e demonstraram que os voluntários gostavam mais do que haviam previsto. Bolaram então um treinamento padronizado, com uma fase de aquecimento, uma fase intensa, e depois um fase de desaceleração. Quando questionadas sobre as expectativas para cada uma das fases, o aquecimento recebia as piores notas, mesmo sendo idêntico à fase final. E, novamente, após o treino todas as fases mostravam-se mais prazerosas do que o estimado.

A boa notícia é que quando pensavam nas fases separadamente, primeiro dando notas para cada um dos momentos e depois para o treino todo, esse acabava tendo uma avaliação mais positiva (e mais próxima do real), contrabalançando a miopia preditiva. E quanto melhor a expectativa de prazer, maiores as chances de a pessoa voltar a se engajar em exercícios.

Portanto, ânimo! Livre-se da visão de curto prazo e comece logo a se mexer. Acredite: você gostará mais do que consegue imaginar.

ResearchBlogging.org Ruby, M., Dunn, E., Perrino, A., Gillis, R., & Viel, S. (2011). The invisible benefits of exercise. Health Psychology, 30 (1), 67-74 DOI: 10.1037/a0021859