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Fazer sexo de fato abaixa a pressão? Em campanha contra a hipertensão arterial o ministro da saúde, José Gomes Temporão, recomendou às pessoas adotar um estilo de vida saudável, enfatizando o papel da dieta e do exercício físico, dizendo ainda que além de comer cinco porções diárias de frutas e hortaliças, as pessoas deveriam fazer sexo cinco vezes por dia ou por semana.

No fundo, pode ter algum sentido.

Como são conhecidos casos morte súbita durante o ato sexual, pesquisadores chineses fizeram uma revisão da literatura científica sobre o tema, publicada no final de 2009. De fato, todos os estudos comprovam um aumento da pressão arterial no início da fase de excitação, mas que se normaliza em poucos minutos, não sendo diferente (ou mais arriscado) do que o aumento de pressão ocorrido em atividades cotidianas. Na verdade, comparando os grupos com maior e menor frequência semanal de orgasmos, eles encontraram um risco 0,5% menor de morte por derrame no grupo mais ativo (I).

Aqui vai uma hipótese. As informações sensoriais corpóreas são levadas ao cérebro por meio de nervos que entram na medula espinhal, dentro da coluna vertebral, e sobem ao cérebro, informando-o do que está acontecendo. Contudo, cientistas estudaram mulheres com lesões totais de coluna que relatavam obter orgasmo com o que eles chamaram de “autoestimulação mecânica vaginal” (nome chique para masturbação) (II). Isso não era esperado, já que a comunicação do corpo com o cérebro está interrompida. Pedindo a voluntárias que se masturbassem num aparelho de Ressonância Nuclear Magnética, os pesquisadores identificaram que o orgasmo ativava o bulbo cerebral na entrada do nervo vago antes de ativar áreas superiores, relacionadas ao prazer. O bulbo é uma parte da medula já bem próxima ao cérebro, e o nervo vago chega diretamente a ele, sem passar pela coluna vertebral, que leva informações somáticas – aquelas relacionadas às vísceras, principalmente – e não sensações conscientes. Apesar disso ficou comprovado que a tal autoestimulação mecânica fazia um atalho por esse nervo, permitindo que as mulheres chegassem ao orgasmo. Como a ativação do nervo vago também reduz a pressão arterial, aí está uma possibilidade de regulação bastante sofisticada: o início do ato sexual aumenta a pressão, mas o orgasmo, ativando o nervo vago, ajuda a levá-la novamente aos níveis normais. Com mais orgasmos, haveria mais estimulação vagal e, portanto, menor pressão.

Não acho que o ministro pensou em tudo isso, até porque essa hipótese é meio heterodoxa, ainda sem qualquer comprovação. Mas não resisti a juntar os temas para fazer um post que, assim como a Sabrina Sato faz no senado, unisse sexualidade e política.

ResearchBlogging.org (I) Chen X, Zhang Q, & Tan X (2009). Cardiovascular effects of sexual activity. The Indian journal of medical research, 130 (6), 681-8 PMID: 20090128 (II) Komisaruk BR, & Whipple B (2005). Functional MRI of the brain during orgasm in women. Annual review of sex research, 16, 62-86 PMID: 16913288