A confusão na cracolândia de São Paulo, depois  da ação do Denarc é reflexo da complexidade do tema dependência química, que condena qualquer ação unidimensional ao fracasso .

A questão das cracolândias conjuga figuras distintas: o usuário eventual, o dependente químico, o morador de rua e o traficante. Distintos porque  o usuário recreativo tem o hábito de usar drogas mas não perdeu o controle. Este vai à cracolândia, mas não mora lá. Já o dependente é incapaz de não usar a droga, e quando perde tudo se torna um habitante da região. Há ainda as pessoas que vão morar na rua iniciando ali o consumo de drogas, que têm um problema social anterior à dependência. E finalmente o traficante, que apenas aproveita a demanda.

Fica claro que  uma ação social, mesmo que tenha a saúde como seu principal pilar, como afirmou o prefeito sobre a Operação Braços Abertos, é insuficiente, pois não lida com o fornecimento das drogas. Por outro lado, é óbvio que só a ação policial não resolve. Tirar alguns traficantes é inútil enquanto houver tanta .

Ou se faz um programa de longo prazo, abordando todos os elementos do problema com real integração entre as políticas necessárias para tanto, ou estamos jogando tempo e dinheiro fora.