Muito provavelmente você nunca ouvir falar nisso, mas dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Se não sabia não se preocupe, não é você que está por fora: o tema é um tabu tão grande que praticamente não se fala sobre ele. A mídia evita o tema porque a cobertura feita de modo irresponsável pode ser prejudicial para a população, mas principalmente porque afasta a audiência. Ninguém quer falar e ninguém quer ouvir. Mas fingir que o problema não existe infelizmente não faz com ele desapareça. E os suicídios continuam acontecendo.

Daí a importância de uma abordagem franca, séria e não sensacionalista sobre o tema. E também de campanhas como esse dia, no qual em dezenas de países ao redor do mundo instituições promovem debates, palestras, conscientização e combate ao preconceito que cerca o suicídio. Em 2015 o tema é justamente “Prevenindo suicídio: alcançando e salvando vidas”. Quando as pessoas em risco são alcançadas, vidas são salvas.

Um dos maiores erros que cometemos ao pensar numa atitude tão extrema como essa é achar que ela teve uma determinada causa. Fulano se matou porque a esposa o traiu. Beltrano se matou porque estava deprimido. Obviamente não é assim: nem todo depressivo, e muito menos todo traído, se mata. Aliás, a minoria das pessoas o faz. O suicídio é o ponto final em que chegam pessoas submetidas não a um, mas a vários fatores ao mesmo tempo: é alguém que tem um transtorno mental e está passando um problema grave e tem pouco suporte social e se sente desesperançado e, e, e… as variáveis são muitas e se agrupam de uma forma única para cada pessoa que pensa em acabar com tudo. Ainda assim, alguns fatores estão quase sempre presentes: algum transtorno mental, a sensação de desesperança e o uso de álcool ou outras drogas. Por isso o suicídio pode ser em grande parte prevenido.

Imagine alguém que está considerando seriamente que deveria dar cabo da vida. Ao descobrir que pode estar doente, com depressão, por exemplo, existe uma chance que procure ajuda antes de optar pela saída trágica. Outra doença muito associada a ao suicídio são as dependências químicas; mas se transmitirmos aos dependentes que existem tratamentos para eles podemos também mudar seu destino. Além disso, aqueles que pensam em morrer porque não vêem saída para seus problemas podem ser ajudados por uma simples palavra de esperança – ter alguém de fora que demonstre interesse sincero pelo problema, eventualmente oferecendo uma perspectiva alternativa da questão, é o que basta para demover o suicida de sua convicção, mesmo que temporariamente, dando-lhe tempo para conseguir ajuda especializada. Se identificarmos melhor as pessoas com diagnósticos psiquiátricos e as encaminharmos para tratamento adequado, e se estendermos a mão para quem está em desespero, quantas mortes serão prevenidas.

Não é preciso ter medo de perguntar se alguém está pensando em acabar com tudo – não existe risco de que isso seja interpretado como uma sugestão e aumente o risco da pessoa se matar. Ao contrário, pode ser exatamente a pergunta que ela precisa para se sentir compreendida. Se tem notado em alguém próximo mudanças de comportamento, aumento do uso de álcool ou drogas, pessimismo muito intenso ou desesperança nas conversas, fale abertamente com ela. Demonstre interesse, ofereça ajuda para conseguir uma consulta, acione familiares se for o caso. E se você tem se sentido assim, serviços como o CVV atendem 24 horas na internet ou pelo telefone 141. Quase todas as pessoas que são demovidas da ideia de se matar percebem que essa não era a melhor saída, e conseguem de alguma forma encontrar uma forma de seguir em frente.

Algumas pessoas, em alguns momentos, recebem do destino uma pena tão grande que parece não valer a vida. Mas nós podemos nos unir e colaborar para inverter a equação, fazendo a vida valer a pena.