Não sei se já contei essa história por aqui, mas o jeito que eu decidi entrar no Twitter é um “case” tão clássico da luta envelhecimento x tecnologia que vale a pena conhecer.

Estava eu perto de um colega da velha que guarda que preparava uma aula no computador. Tudo bem que para ele já era uma vitória conseguir usar o powerpoint, mas lá pelas tantas ele se levantou e disse que precisava ir até a biblioteca, arranjar a foto de um neurônio. Demorei alguns segundos para compreender que, embora estivesse trabalhando num computador ligado à internet, ele queria um livro para encontrar uma figura. Expliquei-lhe as virtudes da rede e decidi imediatamente entrar no twitter. Pensei: “Hoje eu não entro aqui, amanhã não acompanho a próxima novidade e quando menos esperar estarei ultrapassado”.

E eis que me surpreendi com a famosa rede social. Alguém já disse que enquanto o facebook se tornou uma rede de relacionamentos, o twitter se estabeleceu como uma rede de informações. De fato. Eu mesmo encontrei algumas referências bibliográficas para minha tese de doutorado no bico do passarinho azul. E para confirmar tudo isso, encontrei na mesma rede de microblog um trabalho que comprovou sua utilidade, junto com uma plataforma de blogs científicos, na divulgação de informação de qualidade.

A pesquisa, de Sibele Fausto, Atila Iamarino, Luiz Bento e Tatiana Nahas, foi apresentada na décima terceira conferência da Sociedade Internacional para Cientometria e Infometria (ISSI, na sigla em inglês), e utilizou o twitter como fonte de dados. Eles investigaram a plataforma Researchblogging, que agrega blogs que postam artigos citando pesquisas científicas avalizadas (e da qual tenho privilégio de fazer parte), em sua versão na língua portuguesa, mostrando que num período de 20 meses, 571 textos dessa rede de blogs foram divulgados por meio do perfil @ResearchBlogsPT, citando 919 trabalhos de 404 revistas científicas. O Psiquiatria e Sociedade esteve num honroso segundo lugar em número de textos (acho que contou a nosso favor a regularidade de um texto por semana, mais do que qualquer outra coisa).

Os autores concluem que a plataforma de blogs científicos é um meio interessante de filtrar o conteúdo gigantesco da internet, ajudando a diferenciar ciência de bobagens, sendo o twitter um canal eficiente de divulgação.

Confirmou, para mim, que valeu a pena entrar no twitter. Além de me manter atualizado tecnologicamente, também me atualizo cientificamente, com o bônus de contribuir para a atualização de outras pessoas. Que venha a próxima novidade.