Muitas coisas me intrigam na vida. O ilógico da existência, as guerras, a falta de justiça. Mas tem uma em especial que me pega mais: o cara que usa camisa polo USPA.

Explico: a polo USPA original não é a polo que qualquer um ostenta pela aí. É uma camisa de time, geralmente de coloração forte, um grande número na manga e detalhe importante: um jogador de polo em cima de um cavalo, os dois bordados, em tamanho desproporcional em relação aos outros componentes da referida peça.

Abre parênteses informativo: a U.S. Polo Assn é a marca oficial da Associação de Polo dos Estados Unidos (USPA). É o órgão regulador do esporte por lá. Ela fornece aos consumidores da marca vestuário, acessórios, malas, relógios, sapatos, pequenos artigos em couro, óculos e decoração doméstica.

Fecha parênteses informativo.

Antes que me corrijam, sim, estamos em estado democrático de direito e cada um usa os panos que melhor lhe aprouverem. Com ou sem cavalos bordados.

Sim, tenho ciência desse fato. Mas o estado democrático de direito também me faculta indagar a razão pela qual um cidadão brasileiro nato – como um que vi agora a pouco numa calçada – tem as manhas de envergar um costume desses tão longe dos domínios obamistas ou de uma possessão britânica.

Esse rapaz que bati os olhos, com certeza, não tinha nem mesmo um green-card. E aquele ventre cultivado no suco de cevada não parecia com o de um praticante recorrente de polo. Tinha até um forte sotaque paulistano – só faltou o “orra, meu”. Também não vi nenhum cavalo ou égua estacionada nas cercanias. Portanto, para mim, continua sendo algo insólito.

Acreditem, meu estranhamento me levou até a pesquisar sobre o tema polo.

Em São Paulo, capital, só existe um campo: o da Sociedade Hípica Paulista. Devem haver muitos outros em outras propriedades particulares, mas estou me referindo a clubes, não a especificidades de bilionários.

No resto do estado paulista, contamos com mais seis. Ora, com apenas sete campos de polo como podem haver tantos entes circulando por aí com esse enorme cavalo costurado sob o peito? De repente passamos a ser uma potência mundial nesse desporto equestre e não fiquei sabendo?

Falando da camisa polo USPA, agora me lembrei de outro fenômeno recente. O da etiqueta Abercrombie & Fitch. As pessoas não eram totalmente felizes se não estampassem aqueles dois nomes por sobre seus corpos. Eu imaginava à época diálogos assim:

– E aí, saiu com aquele cara?

– Ih, nem me fala…

– O que houve?

– Ele mentiu pra mim.

– Cruzes? Falou o quê?

– Disse que usava Abercrombie e, na hora do vamos ver, era de xing ling.

– Canalha!

– Podre!

Agora é a vez das polos USPA. Inclusive, acabando de escrever aqui, vou comprar a minha. Sou uma pessoa observadora e crítica, não nego. Mas, independente dessa crônica, como todo mundo, preciso ser aceito.

Alguém me envia no e-mail, por gentileza, onde compro uma original USPA em São Paulo?