Você, político, precisa parar de se culpar pelas mazelas do Brasil.

(Foto: Pawel Janiak – Unsplash)

 

Você, político, precisa parar de se culpar pelas mazelas do Brasil. Existe uma enorme corrente na sociedade, em especial nas redes sociais, querendo jogar todo o peso do mundo sobre suas costas, mas não é por isso que deve-se aceitar o fato como consumado. É preciso reagir ao sentimento de manada e ver que nem tudo é causado por desvios do Executivo ou do Legislativo.

Existem os vulcões, os tsunamis, o deslocamento dos icebergs, os animais selvagens que picam, mordem ou devoram pessoas inocentes em ambientes hostis. Por acaso eles pertencem a algum partido político como você? Diga a verdade: você já viu algum crocodilo do Nilo filiado ao PT, ao PSDB, PMDB?

Se você, homem público, fizer uma reflexão notará que o que pode ter eventualmente feito às pessoas foi o equivalente a roubar o remédio de pressão de uma vovozinha. O que é isto perto de uma dengue, de um tifo, uma tuberculose coletiva? Ou pior: da colisão de um meteoro na Amazônia, por exemplo?
Não há razão para Vossa Excelência aceitar ser o ralo do país, receber no lombo toda a ira de um povo só porque locupletou-se financeiramente em determinado momento da trajetória profissional. E, ponto muitíssimo importante: sem provas materiais. Pois é, na maioria das vezes o condenam sem nada de concreto nas mãos.

Quando um urso engole um turista numa região montanhosa asiática, a prova material está em suas entranhas. Basta dissecá-lo, retirar o almoço do bucho, e condená-lo. Mas onde está a maioria das evidências contra o senhor? Em lugar nenhum. Tudo bem, todos sabemos que os seus milhões de dólares, na verdade, estão numa cofre em Zurique. No entanto, até que o dinheiro apareça na Globonews, em horário nobre, com Vossa Excelência algemado à maleta, ele existe para valer?

Então por que essa culpa, parlamentar? Para que tomar Rivotril se se pode botar a culpa na Justiça, na PF, no baixo salário pelo tamanho da responsabilidade, na indiferença dos juízes aos habeas- corpus?

Deve-se culpabilizar o eleitor. Ele, sim, é o maior responsável por estarem responsabilizando você pelos reveses nacionais. Ele é que é o grande vilão da história. Não Vossa Excelência, não seus assessores arrastando mochilas com maços de cédulas em restaurantes, muito menos a sua esposa – que acabou virando um sucedâneo da Mulher-Melancia: a Mulher-Laranja.

Pense nisso. Menos culpa, mais Caixa 2.

NOTA: o texto cima é uma sugestão de terapia de apoio psicológico ao homem público condenado por corrupção passiva. Ele deve tomar contato com ele, enquanto toma banho de sol, no presídio ao qual foi encaminhado. O exercício diário de leitura, em voz alta, colabora com a diminuição do estresse, das neuroses e do choro convulsivo diante de magistrados linha dura.

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