Deu na mídia do mundo inteiro: a rainha Elizabeth II está procurando motorista particular.

O salário do chofer real, segundo o Palácio de Buckingham, é de 24 mil libras, algo como 100 mil reais por ano. E o cidadão precisa, além de ser habilitado para dirigir no Reino Unido, ter muita atenção aos detalhes, calma em situações de pressão e obviamente grande experiência ao volante.

O motorista de Elizabeth vai ter que dirigir para ela, familiares  e eventualmente para hóspedes e amigos da família . Também terá de cuidar da conservação dos veículos da casa: dois Bentley, duas Land Rover e uma Range Rover.

Buckingham refere-se no classificado de emprego a um benefício a mais: moradia deduzida do salário e 33 dias de férias a cada 12 meses.

Depois de ler o anúncio tomei uma decisão: vou providenciar minha carta de motorista internacional, fazer um curso de direção na mão inglesa e me candidatar ao cargo.

Meu inglês está longe de ser shakespeariano, mas de direção e trato com pessoas eu entendo. Na minha opinião é o que basta para se formar um vínculo. De mais a mais, somos sabedores que os poderosos do mundo curtem serviçais que não sejam tão serviçais assim. Basta ver que em 99% dos escândalos com celebridades há um mordomo envolvido. Nos outros 1% há um mordomo recém-demitido metido na história. Ou seja, uma boa dose de independência pode baixar a bola e a fleuma deles.

Já imaginei, inclusive, algumas situações para botar a minha estratégia em prática. Tipo Sua Majestade entrando no Bentley e, com aquela cara de poucos amigos, mandando tocar para o castelo de Windsor. E rápido!

Seria logo cortada com a devida autoridade de quem está a conduzir.

– Calma, Beth, eu vou! Mas e as palavrinhas mágicas?

Com certeza, ela iria me olhar nesse instante bastante desconcertada. E, logo na sequência, viria o momento ideal de pegar o pau e sentar na cabeça da sucuri.

– Uma educação de primeiríssima, convivendo com nobres, embaixadores, celebridades, papas e, porra, Elizabeth – não sabe pronunciar duas palavras importantíssimas: POR FAVOR!!!! Você é de onde, Marte, Júpiter?!

Imagino-a baixando a cabeça coroada e timidamente falando num fio de voz:

– Não, sou de Londres…

Mais uma oportunidade para demonstrar quem manda no Bentley.

– Então abra a boca pra falar, é o que se espera de uma monarca. Ou você puxou pra aquele seu parente gago? Você é de onde Elizabeth? DE ONDE?

– PERDÃO, DE LONDRES, EU SOU DE LONDRES, SIR!

– Melhorou, mas não precisa me cuspir, faça-me essa gentileza. Tudo bem que é saliva real, mas não quero gosma no meu uniforme, ok?

Uma vez estabelecido o limite entre a toda poderosa e o chofer, a coisa poderia se difundir até mais facilmente pelos outros membros do Reino.

– Ô William, quer ir jogar golfe no chiquê de Hampstead, mas dinheiro pra gasolina do carro cadê? Na bundinha nada, milorde?

Ou com Charles:

– Charlão, antes de cochilar bota o cinto, please. Se eu bater o carro você não acaba como a Lady Di. Hahahahaha! It’s just a joke, just a joke!