Quando sentei-me num banco de madeira veio uma coordenadora com aquele jeito politicamente correto que só os waldorfianos têm.

(Foto: Sabine Van Straaten / Unsplash)

Professor é sagrado, linhas educativas não. Que me perdoe o método waldorfiano, mas, pra mim, não deu nada certo a experiência. Durante um tempo tentamos o sistema com um dos filhos. Eu particularmente topei porque, apesar do altíssimo preço da mensalidade, havia a promessa de que, a médio prazo, o garoto se satisfaria em brincar até com um pedaço de clipe amassado. Com os preços da Ri Happy e da PB Kids a vantagem, a longo prazo, poderia compensar.

Foi quando aconteceu uma festa junina na escola. O horário e o cardápio foram bem estranhos: seis da manhã e cará grelhado com quentão de chá verde.

Quando sentei-me num banco de madeira – de floresta cultivada – veio uma coordenadora com aquele jeito politicamente correto que só os waldorfianos têm.  Deu bom dia e me entregou uma pá. Achei que fosse engano, ela teria me confundido com o jardineiro? Só que não. Foi logo dizendo:

– O senhor foi sorteado para a Seção de Fundação e Aterramento do arraial.

Como fiquei sem entender, ela explicou com um pouco mais de didatismo:

– Aqui os pais também fazem a sua parte na festa. É exemplo pras nossas crianças.

Eu e mais quatro senhores, cavamos das seis e quinze da manhã até às duas da tarde. A seção de Construção colocou as estruturas de madeira – de floresta cultivada – do arraiá em seguida. E nós aterramos tudo o mais.

A garotada dançou quadrilha e todos se sentiram partícipes. Menos eu. Acertei  a pá no dedão do pé e tive que ficar em observação na Enfermaria.

Nem pude ver o filho, vestido de caipira, debaixo do teto que eu mesmo ergui.

QUASE DIÁLOGO

– Bom dia, tudo bem, filho?
– S
– Tô te escrevendo no Messenger pra saber se você conseguiu passar no otorrino.
– S
– Ele te falou se tinha alguma problema com a sua garganta irritada?
– N
– Estava tudo bem com ela?
– S
– E o nariz entupido, era sinusite?
– N
– Você não gosta de falar comigo e por isso fica respondendo tudo com letras?
– N
– Acha legal conversar com o seu pai desse jeito?
– N
– Então por que faz isso? Não te parece desrespeitoso?
– S
– Sim? E continua escrevendo S, N?
– S
– Por que? Responde direito.
– SOS
– O quê, filho?
– SOS
– Socorro? Renê, está acontecendo alguma coisa?
– S
– Estão te assaltando na rua?
– S
– Filho, você está bem?
– N
– Fala alguma coisa, Renê, pelo amor de Deus!
– VSF