De uns tempos pra cá venho notando que minhas crônicas não são muito amadas.

No começo achei que poderia ser uma ou outra opinião mais provocadora ou polêmica de minha parte, mas agora estou certo: sou odiado.

Quando um de meus textos vai para o Facebook do jornal, então a coisa pega fogo. O último que postaram lá teve mais de seis mil curtir, mas os cerca de 800 comentários não eram propriamente a minha consagração como autor.

Todo mundo quer ser amado e influenciar. Eu influencio, contudo, estou longe de ser minimamente querido.

Diante dessa inexorável constatação resolvi facilitar a vida dos que não me suportam: preparei um gabarito para que possam me menosprezar, xingar e vaiar mais eficientemente.

É simples: não requer prática, nem tampouco habilidade. Basta dar um  copy-paste num dos modelos abaixo e lançar no campo comentários de qualquer texto de minha lavra.

MODO INDIGNADO

“Que texto mais fraco. É uma coisa surreal um jornal com décadas de tradição manter um colunista tão idiota assim. Vocês já tiveram o Euclides da Cunha fazendo matérias especiais, como se explica um asno escrevendo tantos absurdos? Esse senhor saiu de onde, de uma escolinha de alfabetização para redigir aí? Vou cancelar a assinatura do jornal, mesmo não assinando ainda!”

MODO DE BOA

“Gente, como essa pessoinha má me machucou com seu texto! Eu comecei a ler, super na boa, mas quando fui entendendo o que estava nas entrelinhas, gente – chorei. Começou a cair uma lágrima, depois outra, outra. Quando vi tinha molhado toda a CPU e deu pau na minha máquina. É muita baixeza num ser humano só. Sabe, um cara mal amado, que vive dando as costas para a vida? É ele. Deve ser um doente de alma. Sou uma pessoa espiritualizada e não desejo mal a ninguém. Só queria que caísse um paralelepípedo na cabeça desse cronista. Um beijo no coração.”

MODO POLITIZADO I

“Seu coxinha! Pensa que engana quem? Você está sendo pago pelas forças reacionárias do país pra desestabilizar os que lutaram pelo fim da censura e pelo retorno das plenas liberdades democráticas! Vergonhoso o seu texto sobre o papagaio que ficava repetindo “ Reagan, Reagan” no poleiro. É a velha técnica do Goebbels de repetir uma mentira até que ela vire verdade. Cuspi na tela do computador quando li. Não passarão! Vai pra Miami,  filhote de Mussolini!”

MODO POLITIZADO II

“Seu petralha! Pensa que engana quem? Você está sendo pago para colocar na internet as ideias totalitárias de uma camarilha que aparelhou o Estado para se locupletar! Blogueiro pelego! Vergonhoso o seu texto sobre o cachorro que admirava o Hugo Chávez. Criou uma fábula ridícula e inverossímel para justificar o injustificável. Vai pra Cuba, paga pau de Fidel Castro!”

SEM MODOS

“Olha aqui, seu (coloque aqui seu palavrão favorito). O que você pensa que é pra dizer tanta (coloque aqui seu palavrão favorito)? Você não passa de um (coloque aqui seu palavrão favorito), que pensa que é um (coloque aqui seu palavrão favorito) de um cronista. Você não é nada! Vai se (coloque aqui seu palavrão favorito), seu (coloque aqui seu palavrão favorito).  E vai com a (coloque aqui seu palavrão favorito) da tua mãe!”