Nasceu mais uma chaga urbana em São Paulo. E, pelo jeito, vai ser difícil combatê-la.

 

 

Photo by Tom Sodoge on Unsplash

Pode ter sido a obsessão das pessoas pelas redes sociais. Ou o hábito de quererem saber tudo da vida alheia através de fotografias. O fato é que uma legião de viciados em Instagram – os instagreiros – passou a ocupar praças no centro da cidade e, por causa disso, nasceu mais uma chaga urbana em São Paulo: a Instalândia.

A Instalândia teve início recentemente, no bairro da Santa Ifigênia. É a região das avenidas Duque de Caxias, Ipiranga, Rio Branco, Cásper Líbero, Rua Mauá, Estação Júlio Prestes e da Praça Princesa Isabel. Em toda a área se desenvolveu, ao longo do tempo, intenso tráfico de celulares e também zonas de selfie.

O poder público interviu no local, alegando renovação do bairro. A decisão implicou na desapropriação de centenas de imóveis e o fechamento de lojas e tabuleiros ligados ao tráfico de smartphones e à prática abusiva de selfie. O bairro desfigurou-se. E, quem passa por ali, e nos outros 27 distritos onde espalhou-se a Instalândia, presencia cenas que beiram a bizarria.

A princípio, usar o Instagram tem um efeito euforizante, traz uma sensação de bem estar e autoconfiança. E, em alguns casos, melhora a libido – se o usuário segue o perfil do X-Video. Num segundo momento, o indivíduo experimenta irritabilidade, tristeza e fadiga. Pode-se dizer que essa fase posterior é o início da síndrome de abstinência. É aí que o adicto em Instagram passa a persistir no uso do microblog, abrindo múltiplos perfis. É uma forma de evitar a abstinência, mas é também onde se dá o processo da compulsão fotográfica.

L.C., 23 anos, fala de sua relação nefasta com o aplicativo:

“Eu tinha 14 anos e comecei a me relacionar com pessoas mais velhas, nessa época eu queria ser “conectado”. Até então o que eu sabia sobre Instagram era bem pouco. Mas não demorou para conhecer alguns brothers que já postavam fotos. Então, por curiosidade, tive a minha primeira experiência com a rede social numa balada. Logo tive a curiosidade de experimentar algo mais forte. Foi aí que eu fiz uso do “mesclado”: Instagram misturado com Facebook. Eu jogava uma foto no Insta e compartilhava, na hora, no Face. Batia forte. A sensação de saber se a galera ia curtir ou não a bagaça dava um frio na espinha. Era preciso repetir aquilo muitas vezes, ficava madrugadas inteiras postando, postando. Acabei virando um usuário ativo, era Instagram todos os dias. Facebook e Snapshot todos os finais de semana e, eventualmente, outras redes. Parecia um zumbi com um celular na cara”

Mas haveria uma saída para os instagreiros? H.M., 21 anos, conta como voltou a ficar de cara limpa:

“Meu pai me levou para morar com ele. Nesse tempo, já tendo fechado todas minhas contas em redes sociais, comecei a participar das reuniões dos Instagramers Anônimos. Não demorou e passei a ir às missas dominicais. Também fui convidado a fazer o retiro para jovens. Nesse local tive a graça do meu primeiro encontro pessoal com Deus. Houve uma recaída na hora, fiz uma selfie com Ele e postei no perfil da minha namorada. Mas agora estou 100% limpo.”