Dia desses dias levei umas das maiores fechadas no trânsito da minha vida. 
Quase me estropiei todo.

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(Pixabay)

Dia desses dias levei umas das maiores fechadas no trânsito da minha vida.
Quase me estropiei todo. O fato ocorreu mesmo tendo eu tomado todas as precauções possíveis no que dizia respeito à minha porção motorista. Em tempo: não faz muito tempo fui atropelado no quinto subsolo de um estacionamento. Ou seja, sou mais do que gato escaldado. 
A fechada foi de um caminhão. Mais especificamente de um gigantesco daqueles de alta tonelagem da Eusmar Mudanças.

Eu já tinha visto muito absurdo na vida e no caótico tráfego paulistano, mas o que esse motorista promoveu foi, de fato, inimaginável. O meu carro estava na pista da direita da Marginal e o caminhão de mudanças na da esquerda. De repente, ele virou do nada e veio se encaminhando para o meu lado. Até agora não entendi como, com aquela antieuclidiana manobra, o bólido não atingiu os automóveis que trafegavam nas pistas do meio. A cena mais parecia uma daquelas perseguições de carros do filme “Identidade Bourne”, em que veículos de todos os tipos e marcas voam, se despedaçam, carretas capotam dentro de rios etc. Ainda bem que não aconteceu a parte das hecatombes na ocasião, mas foi por muito pouco.

Quando percebi a gigantesca massa metálica vindo para cima de mim tive a sorte de – em vez de acelerar – não fazer nada. Acho que, pelo susto em si, entrei numa espécie de inércia. Foi o que salvou a lavoura. Se tivesse ido bruscamente para frente teria abalroado um food truck e aí ia sobrar mais kebab na Marginal do que em festa de beduíno no deserto do Saara. Se resolvesse, de repente, frear, teríamos uns sete motoboys a menos fazendo entregas na capital paulistana.

Tentei emparelhar com o cara para xingar – admito: sou sangue quente no trânsito, não tem jeito. Mas o motorista acelerou e, para não bater nos outros, me aquietei na minha faixa. Só que fotografei o número do telefone que estava na carroceria. O smartphone tem essa vantagem, é preciso concordar. Ato contínuo parei no acostamento e liguei para a firma. Deu-se o seguinte diálogo telefônico:

– Eusmar Mudanças, pois não?

– Eu queria reclamar de um dos caminhões da sua empresa. Ele quase provocou um grave acidente aqui na Marginal Pinheiros agora.

– Mas nós só temos um caminhão.

– Só um?

– Isso. E estou dirigindo ele agora, inclusive

-Ah, é?

– É…

– Você está na Marginal?

– Estou. No celular.

– Então vai à m…, Eusmar!