Já é tempo de alguém abrir o bico e dizer em alto e bom som:  “eu como carne vermelha, sim, e daí?”.

Antes de mais nada, como pontifica o cardápio do secular “Brasserie Lipp”, “salada não é refeição”.

Além do mais, quer saber? A vida é curta demais pra se comer nabos com shoyu.

O que há, em verdade, é um lobby dos ruminantes para que menos pessoas tenham acesso ao maná dos céus que é a picanha nossa de cada dia. Assim fica mais filé mignon, e menos carne de pato gripado, pra eles num futuro não muito distante de pandemia.

Alguns vegetarianos costumam ser mais ortodoxos que lata de Leite Moça. Esses costumam encher o peito e sair dando argumentos em prol de sua causa.  Juram de pés juntos, por exemplo, que são mais educados e sensíveis ao meio-ambiente que os picanhófilos.

Primeiramente, não há sensibilidade alguma em puxar uma catalônia do solo, ainda consciente, pulsante, e mastigá-la. Os animais ao menos podem fugir de seus caçadores.

Em segundo lugar, uma dieta vegetal feita comme-il-faut produz duas vezes mais gases carbônicos do que a de um comedor contumaz de fraldinha. Isto quer dizer que o vegetariano colabora indiretamente mais do que o carnívoro para o aumento do efeito-estufa, descongelamento dos pólos e o consequente crescimento do nível do mar – leia-se enchentes, tornados, ciclones.

Os argumentos desfavoráveis a se adotar o padrão “sou rúcula e não abro” não param aí. O suor e o hálito de uma pessoa que tem o alho como base de sua dieta podem ir além de ferir suscetibilidades. Podem machucar os septos nasais. O que há de educado e sensível nisso?

Recentes pesquisas mostram ainda um outro lado dos verdes. Certos tipos de feijão contém cianogênio. A mesma substância injetada na veia de condenados à morte nos Estados Unidos. E, devido à presença de um componente orgânico chamado “psolarens’, alguns legumes têm provocado dermatite em empregados de supermercados nos países europeus.

Alguém aí já ficou doente passando a mão na cabeça de um bezerro?

Comamos à grande então cupim, coxão duro, músculo, ponta-de-agulha, bife ancho, lagarto.

O único mal nisso é ter um vegetariano de plantão buzinando palavras-de-ordem em nossos tímpanos enquanto mandamos uma filé bombom mal-passado.

Pena que o destempero não pare por causa deste protesto isolado. Os verdes continuarão com sua presença maçica em colunas de revistas femininas, programas de tevê vespertinos e sites de auto-ajuda.

E os açougueiros que fiquem espertos. Correm o sério risco de ir para campos de concentração.

Imaginem só ver tais cidadãos, pagadores de impostos, andando de jalecos pintados com bifes riscados por um enorme“xis” vermelho.

Além do mais, o preço da chã-de-dentro ficaria pela hora da morte no mercado negro.

Vade retro, vegetarianismo xiita!