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– Boa noite, eu sou João Azevedo. Bem-vindos à edição de 12 novembro de 2214 de seu telejornal “Mundo”, hoje totalmente dedicada ao 200º aniversário do pouso da sonda Rosetta na superfície do cometa Churyumov-Gerasimenko.

– Olá, eu sou Vanessa Silva. Nesta edição analisaremos tudo o que aconteceu desde que a sonda, lançada pela Agência Espacial Europeia, saiu daqui, viajou entre as órbitas da Terra e de Júpiter, para fazer um estudo completo da estrela cadente. Qual é o nosso primeiro destaque, Azevedo?

– É este, Vanessa: “Mercado Comum Europeu escolheu Brasil para colonizar cometa Churyumov-Gerasimenko no ano de 2015; veja os impactos disso agora, em 2214, com o repórter de Ciência do telejornal “Mundo”, Luiz Macedo.

– Pois não, Vanessa e Azevedo. Assim como venceu a concorrência para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o Brasil também foi o escolhido para governar e desenvolver o cometa Churyumov-Gerasimenko. Para realizar isso, pelo contrato, teve 200 anos – que se completam ano que vem, em 2215.

– E o quê pode-se destacar no cometa nesse instante, Macedo?

– Bem, ele tem um programa de combate à miséria de extraterrestres dos mais consistentes da galáxia e, ao mesmo tempo, uma das maiores taxas de juros do universo. Físicos e economistas têm se debruçado sobre o paradoxo, mas ainda não conseguiram explicar o fenômeno.

– Ok, Macedo, muito obrigado. Vamos agora com a repórter de Cidades, Vênus Vieira, para saber o que o Brasil construiu por lá. Vênus?

– Essa semana estou de plantão no cometa, Azevedo.

– Sim. Mas seu nome é Vênus, não é?

– Não, é Lua. Lua Vieira.

– Perdão. Então vamos com a repórter Lua Vieira, direto do cometa!

– Ok, Azevedo. Só depois de 100 anos da concessão ao Brasil do corpo celeste é que surgiram umas poucas edificações. Antes disso, o governo optou por construir 17 estádios de futebol, um em cada ponto estratégico daqui. Só depois de conclui-los é que iniciaram-se as obras básicas de Brasília-B, a capital do cometa.

– E sinteticamente o que pode-se ver em Brasília-B?

– Desemprego, assaltos e casas de pagode.

– Tudo isso com essa gravidade tão baixa aí deve ser bem complicado, não?

– De deixar tudo de cabeça pra baixo, Vanessa. Fora as favelas, na cauda do cometa, que eram de preservação ambiental, e foram invadidas pelos alienígenas sem-teto.

– Perfeito, Lua Vieira, gratos. Vamos continuar aqui do estúdio, no Brasil, com o professor de sociologia espacial, Yuji Sato. Professor, o que se pode esperar de Brasília-B nos próximos 200 anos?

– Polarização.

– O senhor poderia explicar melhor aos telespectadores essa polarização?

– Claro, os extraterrestres de direita vão ficar ofendendo os alienígenas de esquerda no Facebook e no Twitter. E vice-versa.

– E o que acontecerá?

– O que vem ocorrendo em Brasília-B desde a sua fundação: absolutamente nada.

– Ok, professor, obrigado pela participação. Vamos encerrando este bloco do “Mundo”, que conta com o patrocínio da caminhonete Chana Cargo Utility, com exclusivo motor de hidrogênio líquido e tração nos quatro módulos de propulsão.

– E não saia daí, hein? No próximo segmento, tudo sobre a CPI dos Precatórios no cometa…