A leishmaniose visceral, conhecida também como calazar, é uma doença grave que, se não for tratada, leva à morte em até 90% dos casos humanos. O mal é considerado um crescente problema de saúde pública no País e as principais vítimas são as crianças e os idosos.

A transmissão não acontece entre pessoas ou animais, mas os cães são considerados os principais reservatórios do problema. Na verdade, a contaminação é causada pela fêmea do inseto Lutzomyia longipalpis, popularmente conhecido como mosquito-palha ou birigui, que se alimenta de sangue. Ela pica o cão infectado e o ser humano, fazendo com que o protozoário entre na corrente sanguínea e migre para os órgãos viscerais, como fígado e baço.

Mosquito-palha. Crédito: Wikimedia Commons

Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que 179 pessoas foram infectadas em 2009 no Estado de São Paulo, com 11 óbitos. Em 2010, 157 tiveram a doença. O número é alto e que coloca em alerta os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) de várias cidades do estado. Isso porque o problema era considerado um mal de áreas rurais, mas agora se alastra para os centros urbanos e especialistas cogitam que há risco de infecções na capital paulista, em razão ao grande número de cães e aos ambientes propícios para o seu desenvolvimento. O mosquito-palha não precisa de água para reprodução, ele prefere ambiente com matéria orgânica em decomposição para se multiplicar.

Crédito: Secretaria de Vigilância em Saúde

Mas é justamente o tratamento de animais com leishmaniose que causa polêmica, já que é proibido no Brasil pela Portaria Interministerial nº 1426/2008. O Ministério da Saúde não autoriza o uso de drogas humanas porque poderia criar resistência aos remédios. Além disso, não há comprovação científica que demonstre a cura total dos bichos. Eles podem até não apresentar os sintomas, mas continuam sendo reservatórios para a transmissão. Por isso, o controle da doença implica no sacrifício dos cães com a leishmania, o que esbarra na resistência dos donos.

Há protetores, inclusive veterinários, que defendem o tratamento. Apresentam dicas na internet, criam vídeos com possíveis resultados e afirmam que é possível manter o animal vivo com segurança. Mas a verdade é que o único método eficaz é prevenir para que o seu pet não seja picado, já que ver seu melhor amigo sendo consumido pela doença não é nada agradável.

Por enquanto, o uso de coleira impregnada com deltametrina a 4% é a forma mais eficiente e recomendada de controle. Trata-se de uma coleira sem cheiro e que não sofre interferência da água – não é necessário retirá-la quando o cão se molha – que libera um princípio ativo que se distribui de forma uniforme pela pele até atingir todo o corpo, protegendo-o por até seis meses. Já existem vacinas contra a leishmaniose visceral canina, mas sua aplicação ainda é recente e está sujeita a restrições, como no caso de cadelas prenhas.

 

SINTOMAS E PREVENÇÃO

 

Anemia, úlceras na pele, com aspecto de sarna, e patas e gânglios inchados são sintomas de que o cão pode estar com leishmaniose visceral, o que deve ser comprovado por meio de um exame de sangue.

Nos humanos, a doença provoca febre, desânimo, perda de peso, palidez, anemia e inchaço do fígado e do baço.

A doença pode matar e quanto mais rápido for iniciado o tratamento maior é a chance de cura.

Para prevenir, os humanos que moram em área de mata devem usar repelentes e roupas de manga comprida – o mesmo vale para quem for fazer trilhas. Já os cães devem usar coleiras com repelente e, se possível, serem vacinados contra o problema.

 

Encontro sobre a Leishmaniose

Hoje, 1º de abril, na Casa de Cultura Carlos e Diva Pinho (Av. Almirante Pereira Guimarães, 314, Pacaembu), será realizado o 1º Encontro da Campanha: “Diga Não à Leishmaniose”.

 O evento tem como objetivo informar e conscientizar sobre os simples cuidados que as pessoas podem ter para combater e prevenir a doença. Também será montado um posto de recolhimento de rações, que será doado às entidades que ajudam animais carentes.

No encontro será permitida a entrada de animais e contará com diversas atrações e palestras de conscientização da Leishmaniose.

 

Serviço:

 1º Encontro da Campanha “Diga Não a Leishmaniose”

Data: 1/4

Horário: das 13h30 às 19h30

Local: Casa da Cultura Carlos e Diva Pinho

End.: Av. Almirante Pereira Guimarães, 314, Pacaembu

Informações: (11) 9703-6791 (11) 3862-1925

Entrada gratuita.

 

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