Agosto pode perder o título de mês do cachorro louco. Depois de quase dois anos sem realizar campanhas contra a raiva, por causa das reações e mortes de animais imunizados em 2010, este ano o Ministério da Saúde (MS) forneceu as doses da antirrábica para realizar a vacinação em cães e gatos no Estado de São Paulo. A estimativa é de que, só na capital paulista, 1,2 milhão de animais sejam vacinados já a partir de segunda-feira (21/5).

A imunização é importante porque a raiva não tem cura e não é uma doença erradicada do País. Mesmo os grandes centros urbanos não estão livres do mal. Aliás, o blog Conversa de Bicho divulgou, com exclusividade, que no ano passado, depois de quase 30 anos sem nenhum caso registrado na capital, uma gata morreu em São Paulo vítima da doença após ter sido contaminada por um morcego.

O felino, que tinha aproximadamente 10 anos, pertencia à artesã Izabel Bonifácio da Cruz, de 50, que mora em Moema, zona sul da cidade. O local é considerado de classe média alta e tem um grande número de animais.

Depois de quase 30 anos sem casos de raiva
 em São Paulo, gata morre com a doença.
 A notícia foi divulgada pelo Conversa de Bicho
Crédito: Fábio Brito/AE

O bicho havia morrido em outubro, mas a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) foram comunicadas apenas em dezembro. A demora na notificação teria sido atribuída a uma confusão em diagnosticar a causa da morte do animal – inicialmente se acreditava em envenenamento.

Na época, em entrevista ao blog, Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, afirmou que haveria campanha em 2012 e que a população não precisaria se preocupar com reações da antirrábica, porque o problema fora identificado pelo MS e tomadas as devidas cautelas. “A análise apontou um aumento de concentração de proteína de soro bovino (heterólogo). Para garantir que não aconteçam os eventos adversos observados em caninos e felinos foram feitas várias exigências ao laboratório produtor. Além disso, novos e mais rigorosos testes de qualidade foram introduzidos”, explicou.

A cidade terá 2.064 postos volantes de vacinação, sendo 17 fixos. O serviço é gratuito e o proprietário deve se lembrar de transportar seu animal doméstico de forma adequada. Os cães devem estar de coleira e guia. Os gatos em caixas de transporte apropriadas para evitar fugas e acidentes.

A relação completa dos postos, com local e data da vacinação, pode ser acessada aqui, no site www.prefeitura.sp.gov.br/covisa ou pelo telefone 156. Os postos funcionarão das 9 às 17 horas.

“A adesão da população à campanha é importante para que a doença permaneça sob controle. Todos os cães e gatos com mais de três meses de idade devem receber a vacina”, ressalta a dra. Ana Claudia Furlan Mori, gerente do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (CCZ-SP).

 

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Serviço

Campanha de Vacinação contra a Raiva para Cães e Gatos

Data: de 21 de maio a 3 de junho de 2012

Horário de funcionamento dos postos: das 9 às 17 horas

Mais informações: www.prefeitura.sp.gov.br/covisa ou pelo telefone 156

 

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SOBRE A RAIVA

A raiva é uma doença viral, caracterizada como uma encefalite progressiva aguda e praticamente não tem cura. Depois de apresentar os sintomas evolui rapidamente para a morte. No mundo, apenas três pessoas infectadas sobreviveram ao mal depois de submetidas a tratamentos, mesmo assim ficaram com alguma sequela.

Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus e também podem transmiti-lo. A forma mais comum da contaminação se dá pela penetração do vírus rábico contido na saliva do animal em feridas, principalmente pela mordedura e arranhadura ou pela lambedura de mucosas.  Ao ter contato com o organismo, o vírus se multiplica e atinge o sistema nervoso, alcançando depois outros órgãos e glândulas salivares, onde se replica. Ainda há relatos de transmissão após transplantes e as remotas possibilidades de transmissão sexual, respiratória, digestiva (em animais) e a contaminação da mãe para o filho durante a gestação/parto. O aspecto clínico é bem variado, o que torna difícil o diagnóstico se não houver o histórico de exposição à doença.

Os animais domésticos podem demonstrar alterações sutis de comportamento, anorexia, fotofobia, além de agressividade. O cão pode parecer desatento e, por vezes, nem atender o próprio dono. Também pode haver um ligeiro aumento de temperatura, inquietude, crise convulsiva e paralisia, evoluindo para o coma e a morte.

Já no caso do ser humano, o paciente apresenta mal-estar geral, pequeno aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor de garganta, irritabilidade, inquietude e  sensação de angústia. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões. Os sintomas evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e constipação intestinal.  O infectado se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso. O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é em geral de 5 a 7 dias.

 

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FIQUE ALERTA!

Os animais de estimação devem ser vacinados contra a raiva a partir dos
três meses de idade. O reforço da imunização deve ser feito anualmente, mesmo
em cadelas prenhes, lactantes ou no cio

Não deixe que cães e gatos tenham acesso à rua, telhados ou portões.
Só leve seu melhor amigo para passear utilizando coleira e guia

Não é indicado tocar em nenhum animal desconhecido, principalmente ferido
ou que esteja se alimentando. Não tente controlar bichos que estejam brigando e
não mexa em fêmeas com crias

Caso seja mordido ou arranhando por um animal, procure lavar o ferimento
com água e sabão e vá a um posto de saúde. No entanto, lembre-se de que em
acidentes com bichos é importante identificar qual é o animal e quem é o dono.
Caso não seja encontrado ou se o animal adoecer ou morrer, entre em contato
imediatamente com o Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo
(tel.: 3397.8900/8901)

Nunca se deve tocar em morcegos que eventualmente entrem em casa ou
apareçam caídos no jardim. Se possível, tente imobilizar o animal jogando um
pano ou caixa de papelão emborcada para baixo, de modo a mantê-lo preso.
Em seguida, entre em contato com o Centro de Controle de Zoonoses, que
enviará uma equipe para buscar o animal e encaminhá-lo para exame laboratorial
de raiva e identificação da espécie

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