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Últimas descobertas sobre a relação entre humanos e animais

Luiza Cervenka de Assis

11/10/2017, 12:02

nejcbole/Creative Commons

Não precisa ter um bichinho em casa para saber sobre os benefícios que eles podem trazer a nós, seres humanos. Se não fosse assim, não haveria terapia assistida por animais em asilos e hospitais e pet day nas empresas. Mas o que mostram as últimas pesquisas sobre a relação entre humanos e animais?

Um dos maiores centros de pesquisa na área do comportamento e nutrição animal, o Instituto de Waltham (Waltham Center for Pet Nutrition), na Inglaterra, destina uma boa porcentagem de seus pesquisadores à antrozoologia, estudo das interações entre nós e os bichos. Não apenas com cães e gatos. Há pesquisas com aves e até peixes.

Foto: Instituto Waltham

A responsável por esta área científica é a Dra Sandra McCune. Em sua recente visita ao Brasil, tive o imenso prazer de ser a única jornalista a gravar uma entrevista com ela, a convite da Mars PetCare. Além do bate papo, também pude assistir a sua palestra sobre as mais recentes descobertas.

Veja a entrevista na íntegra aqui

e aqui

Além de pesquisadora, Dra Sandra conta que também faz parte dos estudos. “Os cães e gatos de Waltham ficam soltos. Nós mesmo podemos sentir a melhora no astral do escritório com a presença dos animais. Se passamos do horário de expediente, eles reclamam, trazendo uma bolinha para brincar ou pedindo carinho. Não há estresse de trabalho” explica.

Nossa relação com os animais, como pessoas que tenham um cão ou gato querido, pode estar entre uma das mais significativas em nossas vidas. Mas por que estamos tão apegados aos nossos animais de estimação? Quais são os efeitos sobre saúde, desenvolvimento e psicologia que os animais têm sobre nós? E quais benefícios práticos – tanto para animais quanto para humanos – podem ser obtidos a partir de uma compreensão mais profunda das interações homem-animal?

Thomas Hawk/Creative Commons

São essas e outras perguntas que os neurocientistas sociais tentam responder, para compreender as relações sociais humanas, o funcionamento e as bases sociais da cognição, e como entender o papel dos animais em nossas vidas. Os pesquisadores analisam sob diversas perspectivas, como evolutivas e de desenvolvimento, além de ponderarem as implicações da pesquisa para o bem-estar dos animais. As aplicações clínicas incluem terapias assistidas por animais para pessoas com deficiência, condições de saúde agudas ou crônicas e dificuldades sociais ou emocionais.

Principais resultados

São diversos resultados, que reforçam o nosso vínculo. Mas muitos, mostram como os animais se tornaram importantes em situações que não imaginávamos.

rohappy – Fotolia / Adobe Stock

Em sala de aula, foram utilizados cães para auxiliarem crianças com dificuldade de aprendizagem e leitura. Com a presença do animal, os alunos ficaram mais relaxados e desinibidos. Assim, o aprendizado ficou mais natural. Em casos mais severos, uma criança por vez, foi colocada em uma sala sozinha com o cão, para ler para ele. Os avanços na fluidez da leitura foram notáveis.

Pioneer Library System/Creative Commons

Por falar em crianças e escola, outro estudo apontou que as faltas escolares, por doença, foram muito menores entre as crianças, cujos lares têm um animal de estimação. Isso porque, a imunidade de bebês e crianças, que convivem com animais em casa, é muito maior. Por ficarem menos doentes, faltam menos à escola.

Pioneer Library System/Creative Commons

Aquele velho mito de que cachorro ou gato podem aumentar a alergia, asma ou bronquite, caiu por terra. É exatamente o contrário. E mais do que isso! A interação de crianças e animais, dentro de casa, estimula o desenvolvimento motor e cognitivo de ambos. Agora quando seu filho pedir um cachorrinho, não tem mais desculpa.

De criança para idoso. As pesquisas com a interação de pessoas da terceira idade e animais também é enorme.

Começando com os cães…

Idosos tutores de cães são mais ativos e desistem menos de fazer exercícios. Enquanto aqueles que não têm um cãozinho, começam a fazer caminhadas, mas logo desanimam e param. Por isso mesmo, idosos com cães fazem mais amizades e ficam menos doentes.

Se o problema é na hora da comida, estudos mostram que colocar um aquário com peixes na sala de jantar auxilia o idoso a comer mais e melhor. “O animal passa tranquilidade. Ao focar no movimento dos peixes, os idosos aceitam melhor o alimento. Essa é uma indicação principalmente para idosos com demência senil” explica Dra Sandra.

PROCristian Bortes www.eyeem.com/bortescristian/Creative Commons

E se você pensa que só crianças e idosos são beneficiados, está errado. Adultos com cães e gatos são mais sociáveis e fazem mais amizades. Mesmo com gatos? Sim, pois há um assunto comum para iniciar uma conversa em qualquer ambiente. Já com os cães, obviamente é mais fácil de criar relações em parques ou praças, durante o passeio.

Perguntei se a solução para o isolamento tecnológico seria a interação com os animais. Dra Sandra respondeu: “Sem dúvidas. Os animais nos obrigam a sair do comodismo e interagir com o mundo real”.

Gareth Williams/Creative Commons

Futuro

Com tantas pesquisas entusiasmantes, o que há mais que podemos descobrir sobre a relação homem-animal?

A caminho ainda é longo! “Os animais conseguem compreender a linguagem humana com muita facilidade. Um cão, por exemplo, pode associar uma palavra, dita por seu tutor, com um comportamento, como comer ou passear. Porém, muitas vezes o tutor não compreende o que o cão quer ‘dizer’” lamenta Dra Sandra.

Apesar de milhares de anos da relação entre humanos e cães, ainda não somos capazes de oferecer a eles uma vida que contemple todas as suas necessidades. Muitas vezes, olhamos para eles como mini humanos peludos. Esquecemos das suas necessidades básicas, como caçar, brincar com outros cães ou mesmo permanecer sozinhos. Queremos que eles se adaptem ao nosso estilo de vida, mas não nos adaptamos aos deles.

Matthew Bellemare/Creative Commons

Quando falamos de gatos, isso é ainda pior. “Eu ou você sabemos que os gatos têm nove posições de orelhas, cada uma quer dizer algo diferente. Porém, a maior parte dos tutores de gatos não conseguem reconhecer o significado de cada movimento corporal do seu animal” aponta Dra McCune.

Para finalizar a entrevista, pergunto a Dra Sandra o que podemos fazer para mudar este quadro. Ela responde “Informação! Nós fazemos a pesquisa e verificamos o que estressa um cão ou como um gato demonstra medo. Mas de nada adianta se os tutores não tiverem acesso a essas informações”.

Por isso, é muito importante que os tutores e informem mais e mais sobre como melhorar a qualidade de vida dos seus pequenos. Além disso, passe essa informação a diante. Compartilhe com seus amigos, parentes, vizinhos. Só assim poderemos garantir o bem-estar de todas as espécies.

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