City Paws/Creative Commons

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Um dos termos mais conhecidos na atualidade é o bullying; palavra de origem inglesa, sem tradução para o português. Só podemos dizer que está ocorrendo bullying quando há atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente, cometidas por uma ou mais pessoas contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, como explica Cleo Fante, antropóloga especialista no assunto.

Apesar de ser muito comum o uso do termo, a maioria das situações não podem ser caracterizadas como tal.

Entre os animais existe bullying?

jenny downing/Creative Commons

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Bullying é usado somente para humanos, normalmente estudantes. Para os animais, usa-se o termo mobbing. No fundo, é a mesma coisa, porém com finalidades diferentes. Observado principal em aves, o mobbing é comumente visto quando um grupo de pássaros quer afugentar um predador, normalmente maior que eles. Unidos, os animais bicam e voam ferozmente em direção ao rival. Fazem isso até conseguir mandar o invasor embora.

LASZLO ILYES/Creative Commons

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Você pode pensar que é uma estratégia de sobrevivência ou defesa. No caso dos pássaros sim. Porém, o mobbing também pode ser observado em grupos de saguis (Callithrix jacchus), aquele macaquinho com tufo de pelo na orelha, sabe? Nesta espécie, esse comportamento pode ocorrer entre fêmeas.

Os saguis vivem em grupo com hierarquia rígida. Normalmente há mais de uma fêmea por grupo, porém, muitas vezes, só a alfa ovula e pode ter filhotes. Se, por ventura, a fêmea beta, abaixo hierarquicamente da alfa, ovular, ela não pode ter acesso ao macho alfa.

Assim como entre os humanos, nos saguis há a famosa escapadinha. O macho alfa quer pegar geral. Para ele, ao cruzar com mais fêmeas, há mais chances de ter filhotes e perpetuar a espécie. Claro que isso não é consciente, mas instintivo. Por isso, basta a fêmea alfa dar uma piscadinha, que o macho alfa corre para copular com a fêmea beta. Se ela estiver fértil, há grandes chances de ficar prenha. E é nessa hora que sua vida se torna um inferno.

Giorgio Quattrone/Creative Commons

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A fêmea alfa não é boba e percebe que algo rolou durante a sua ausência. Com a mudança hormonal, também alteram os ferormônios (cheiros exalados) e logo a fêmea beta “mostra” que está grávida. A alfa não pode deixar que ela tenha um filhote para competir com o dela. Então, começam as agressões. Para todo lugar que a beta for, a alfa estará atrás descendo muitas bofetadas. A “intensão” da alfa é que haja um aborto. Caso isso não ocorra e o filhote da beta nasça, este corre grande risco de vida. A alfa tentará a todo custo acabar com a vida do bebê sagui. A mãe precisa ser muito cuidadosa e rápida para não permitir que isso aconteça.

Cenas dramáticas, não?! Essa é a vida de muitos animais que vivem em sociedades baseadas em hierarquia. O mobbing sempre poderá ser explicado cientificamente, dentro do ponto de vista da evolução e perpetuação dos genes.

Mas e o meu cachorro, ele sofre bullying?

phphoto2010/Creative Commons

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No caso de animais domésticos, como cães e gatos (mais ou menos domésticos), é raro, mas pode haver mobbing. Você conseguirá observar este comportamento, quando chegar um novo membro a um grupo já estabelecido. Algumas vezes, este grupo pode impedi-lo de ter acesso à alimentação ou ao próprio dono, através de pequenos ataques ou encurralando o novo membro.

Veja as dicas para evitar o mobbing

joysaphine/Creative Commons

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– Antes de introduzir um novo animal, verifique como o grupo se comporta na presença de outros animais. Nem sempre é indicado aumentar o número de peludos em um grupo.

– Faça a introdução do novo animal em território neutro (parque, rua, praça, hotel, canil, etc), sem ser a sua casa.

– O novo integrante deve ser apresentado em um momento de lazer e descontração, como uma brincadeira ou passeio.

– A comida, água e local de fazer as necessidades devem ser diferentes dos já usados pelo grupo.

– Sempre que o pequeno estiver próximo ao grupo, promova situações de alegria e conforto a todos.

– Quando for dar um agrado ou petisco ao grupo, tenha certeza que o pequeno está próximo. Assim, ele será associado, pelo grupo, a situações agradáveis.

– Converse com o veterinário sobre a possibilidade de usar ferormônios no ambiente para ajudar na interação e relaxamento de todos.

– Caso alguém inicie algum comportamento agressivo, mude o foco da atenção dele.

– Recompense todas as intenções de aproximação pacífica entre os membros.

– Não coloque nenhuma vida em risco. Consulte um profissional de comportamento animal para lhe ajudar nesse momento tenso.

Hoje o tema não foi nada light, não é?! Mas lhe ajudaremos a relaxar ao lado do seu melhor amigo. Confira nossa Agenda Animal na próxima sexta-feira, dia 28/08.