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O que os animais gostariam de nos ensinar?

Luiza Cervenka de Assis

04/10/2017, 12:32

Thomas Hawk/Creative Commons

Dia 04 de outubro é comemorado o dia mundial dos animais. Aproveitando esta celebração, sugiro fazermos uma reflexão sobre como está nossa atitude com esses serzinhos. Se eles pudessem enviar uma mensagem, qual seria?

Pare por um instante, olhe a sua volta. Quais animais você encontrou ou encontrará em seu caminho. Mesmo que você more em uma cidade grande, urbanizada, como São Paulo. Se focar seu olhar, poderá observar pássaros, formigas e até borboletas. Você já percebeu como eles estão cada vez mais próximos ao ser humano?

Repare na rolinha, ao atravessar a rua. Ao invés de voar para desviar do carro, ela caminha rapidamente. As abelhas adentram casas não apenas para buscar doces. Joaninhas e outros insetos pousam no nosso braço ou até na mesa onde almoçamos.

Os animais nunca estiveram tão próximos, interagindo com os humanos. Será que eles perderam o medo? Ou será que eles estão loucamente tentando passar mensagens e nós, ignorando?

Na correria da nossa rotina, temos tempo, no máximo, para olhar o nosso cãozinho ou gatinho. Damos comida, carinho e até passeamos. Mas será que realmente olhamos para ele com a intenção de entende-lo?

Hoje, acordei com uma ligação. Do outro lado da linha, uma voz chorosa, perguntando se eu poderia ficar com o cachorrinho idoso dela. Em um momento de desespero, sem tempo e condições emocionais para lidar com as diversas doenças do seu amigo peludo, a pessoa pensou que ele estaria mais bem assistido ao meu lado.

O primeiro impulso é julgar a pessoa e se irritar por tamanha atitude relapsa de não se responsabilizar pelo animal adquirido há dez anos. Mas pensando com calma, será que essa pessoa tomou essa decisão pensando nela ou no animal? Será que eu uma casa, com todo cuidado necessário, ele não viva por mais tempo e com mais qualidade?

Você se preocupa pelo mau hálito do seu cachorro, devido ao cheiro ruim, ou pela doença séria que ele possa ter na boca? Será que não estamos olhando para os animais de uma forma ainda antropocêntrica?

Não precisamos chegar ao extremo e catequizar as pessoas para serem veganas, mas pequenas mudanças de olhar, podem mudar a vida dos grandes, pequenos e nanicos animais.

Ty Lettau/Creative Commons

Vamos a uma historinha:

Há muitos e muitos anos atrás, na Itália vivia um nobre rapaz chamado Francisco. Por ser de uma família muito abastada, Francisco foi convidado a integrar o exército e lutar por suas terras. Sem pestanejar, o jovem moço pegou em armas para defender o que era seu de direito.

Foi na trincheira, que Francisco percebeu que lutava contra seus semelhantes. Aqueles corpos, estendidos no chão, já sem vida, podiam ser seus primos, vizinhos, filho do amigo ou um desconhecido irmão. Aflito, Francisco deixou para trás toda sua fortuna e foi ajudar os mais necessitados.

Em suas meditações diárias, percebeu que não apenas os seres humanos eram seus irmãos, mas também os animais, plantas, estrelas e astros. Um pássaro precisa tanto da água, quanto o ser humano, para sobreviver. O que então diferencia estes seres?

Um grande amigo de Francisco resolveu seguir seus passos. Largou tudo e foi cuidar dos pobres. Passado um tempo, Francisco viu o amigo triste. Com muita sabedoria, Francisco instruiu seu fraterno amigo a seguir o caminho que o deixava mais feliz. Não é pelo falo de algo fazer bem a Francisco, que fará a seu querido amigo. Porém, Francisco alertou: “Não se esqueça que somos todos irmão. Eu, você, o sol, a lua, as árvores e os animais. Todos merecem o mesmo respeito”.

Para os católicos, Francisco de tornou um santo e, hoje, é comemorado seu dia. Para os ateus, agnósticos ou os que seguem outras religiões, não importa se Francisco virou São ou não. Aquele homem não se importava com título. Ele apenas quis deixar uma mensagem de respeito a todos os seres viventes.

Nicole Corpuz/Creative Commons

Homem superior

Seria, então, o homem superior? “Claro!”, alguns diriam, “somos a única espécie racional”. Na verdade não. Diversos primatas apresentam raciocínio lógico. Para alguns, é possível, inclusive, ensinar como utilizar dinheiro. “Mas nosso cérebro é mais desenvolvido!”, podem pensar. Mais uma vez é um engano. O que mostra o quão desenvolvido é o cérebro é o número de cíngulos ou reentrâncias existentes. Se olharmos o cérebro da baleia ou do golfinho, perdemos de longe. “Mas só o ser humano é capaz de falar”. Papagaios, araras e outros psitacídeos são capazes de falar e criar palavras, para se comunicarem entre eles e entre outras espécies.

Então, o que nos faz humanos?

O que nos diferencia de outras espécies é o tamanho do lobo frontal do nosso cérebro. Este, é responsável pela consciência, pela reflexão de nossas palavras, atitudes e pensamentos.

Por isso, te pergunto: qual sua atitude perante os animais? Você se preocupa com a procedência da carne que come? Quantos kilos de plástico são descartados diariamente na sua casa? Será que seu cãozinho é feliz? Seu gatinho tem todas suas necessidades atendidas? Você se sente mais feliz por comer uma lagosta, um ouriço do mar ou mesmo ovas de peixe que nem teve a oportunidade de nascer? Já parou para refletir sobre as pequenas atitudes tomadas no seu dia-a-dia?

pengrin™/Creative Commons

Os animais já habitavam este planeta muito antes de ocorrer hominídeos por aqui. Em uma empresa, o mais sábio tem cargo mais elevado, para poder liderar a equipe e ensinar o caminho mais correto a seguir. E perante o nosso planeta, quem deveria ser o chefe?

Comece pelo mais simples: dê a melhor vida possível aos animais ao seu redor. Melhor na visão deles, não na nossa.

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