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Doença do envelhecimento e aumento da expectativa de vida, o câncer vem crescendo em número de casos.

A campanha Novembro Azul alerta sobre os perigos do câncer de próstata nos homens, mas é importante também para a prevenção do problema nos pets. Assim como nos humanos, a idade avançada é o principal fator de risco. “Por isso, as medidas preventivas são fundamentais para os cães e gatos, que envelhecem mais rápido que os homens. A doença costuma aparecer com mais frequência em bichinhos com idade acima de seis anos”, afirma a veterinária Karina Mussolino, gerente do setor de clínicas da Petz.

Apesar das doenças na próstata poderem se manifestar em todos os machos da classe dos mamíferos, dentre os animais de estimação são os cães de pequeno porte os mais atingidos. No entanto, não existem raças mais propensas a desenvolverem esse quadro e o aparecimento do câncer, geralmente, acontece quando os pets estão mais velhos, na faixa etária entre 9 e 10 anos.

A veterinária explica que a castração é o procedimento mais eficiente para evitar o surgimento do câncer em pets e que pode diminuir a incidência do problema em até 90%. “O processo, quando feito nos bichinhos ainda pequenos, impede a produção excessiva de hormônios. Com isso, não ocorre o desenvolvimento do tecido prostático, evitando assim o crescimento da próstata e a formação de tumores (próstata e testículo)”, esclarece.

Todavia, a médica veterinária especializada em oncologia, Daniela Mungioli, explica que o fator genético é muito forte na doença: “Câncer é uma doença de bases genéticas, dessa forma, a gente não consegue evitar a doença. Porém, algumas pesquisas indicam que parte desses tumores seriam evitados através da castração”. Por esta razão, os cães são mais propensos a terem cânceres, quando comparados aos gatos.

Como reconhecer a doença

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Os sintomas que acusam alguma alteração na glândula prostática são bem específicos. Um deles é a dificuldade para defecar e urinar, pois devido à proximidade da próstata ao ânus, seu aumento interfere no canal do reto e dificulta a saída das fezes. Movimentos de locomoção limitados, como subir em móveis ou degraus, também podem indicar uma possível alteração no tecido da próstata. Mas é bom ficar de olho em outros detalhes:

– O aumento da quantidade de vezes que o pet faz xixi, com gotejamento;

– Presença de pus ou sangue na urina;

– Constipação;

– Perda de peso;

– Apatia;

– Inchaço ou aumento da região (entre ânus e testículos).

Diagnóstico

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Segundo Renata Setti, médica veterinária especializada em Oncologia e parceira do COMAC (Comissão de Animais de Companhia), o primeiro passo para um diagnóstico preciso é consultar um médico veterinário para exames de prevenção. A palpação retal é um deles. O exame é indolor e dispensa a necessidade de anestesia permite que o veterinário detecte algum aumento significativo da glândula.

Temido entre os homens, o exame de toque também é feito nos pets. “O toque retal do pet durante o exame físico, geralmente, já é o suficiente para detectar a presença do problema; que é confirmado pela realização de um ultrassom mais específico”, orienta a Dra. Karina.

O ultrassom de abdômen e a radiografia da região lombar (onde está localizado o órgão) podem dar indícios do tamanho da próstata e se está afetando a bexiga ou coluna. Todos esses diagnósticos avaliam a possibilidade de metástases, multiplicação das células cancerígenas que se espalham para outros tecidos do organismo, como o pulmão. Exames mais invasivos como a citologia ou a biópsia da próstata também são aplicados e necessitam de anestesia para serem realizados. “Precisamos ver o tamanho do tumor, através de exames de diagnóstico por imagem (sempre melhor a tomografia) e, se possível, uma citologia para ver qual a malignidade. Então, a partir daí, ver como dá pra ser feita a cirurgia” analisa Dra Daniela.

Tratamento

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A depender do tipo do tumor, a evolução é muito rápida. Por isso a necessidade de um tratamento assim que os primeiros sintomas forem detectados. “O câncer de próstata tem 80% de chance de ter um comportamento ruim, quanto o testicular apenas 10%” explica Dra Daniela.

Assim como em homens, o tratamento é baseado em quimioterapia e cuidados que atenuam as dores e desconfortos. Para isso, o uso de medicação e cuidados com a alimentação é de grande relevância. Devido à dificuldade em defecar, às vezes o uso de laxantes é recomendável. Os efeitos colaterais da quimioterapia não são intensos como nos humanos, os animais tendem a aceitar melhor a mediação. Não é comum suspender um tratamento por efeitos colaterais severos.

Em casos de suspeita de câncer, independentemente de sua origem, não se deve esperar e o veterinário precisa ser acionado rapidamente, pois o tempo e o diagnóstico precoce são essenciais para um tratamento eficiente para garantir boa qualidade de vida aos pets.

Segundo a Dra Daniela, não tratar o câncer pode levar a complicações anatômicas (compressão de uretra e reto, dificultando a capacidade de urinar e defecar) e metástases da doença.

Levar o peludo ao médico veterinário para checkups é ainda mais importante a partir dos oito anos. É nesta época que as células envelhecem o podem aparecer tumores. Quanto mais cedo detectada a doença, mais eficaz será o tratamento e mais rápida a recuperação.