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O frio chegou e junto com ele as baixas temperaturas que acabam tornando o ambiente propício ao aparecimento de doenças típicas da estação. Segundo a Dra. Carla Janeiro Coiro, “assim como os humanos, os animais de estimação precisam de alguns cuidados especiais nessas épocas do ano, afim de minimizar possíveis quedas de imunidade, que podem ser a porta de entrada para a ocorrência de doenças respiratórias, principalmente aquelas de caráter infeccioso e particulares de cada espécie. ”

Gripe canina

Muito semelhante à gripe humana, a gripe canina (Traqueobronquite infecciosa) é altamente contagiosa e pode ser transmitida por contato direto com cães infectados, secreções respiratórias e por contato com objetos contaminados. “Quando um proprietário tem mais de um cão e um deles contrai a gripe, todos os outros acabam ficando doentes. Portanto, ao notar que um dos animais está doente, deve-se isolá-lo dos outros, não compartilhar brinquedos, vasilhas e nem os alimentos” explica Daniela Baccarin, médica veterinária e gerente de Produtos da MSD Saúde Animal.

Em filhotes e animais mais debilitados, o quadro pode evoluir para uma pneumonia e levar ao óbito. “São poucos os cães que morrem em decorrência da gripe canina. Cerca de 80% deles se recuperam bem. Para isso, é importante que o proprietário leve o pet ao médico veterinário para que o diagnóstico e tratamento sejam feitos corretamente. Além disso, mantê-lo protegido é fundamental”, alerta Daniela.

Foto: Divulgação Esalpet

É uma doença de ocorrência típica nas épocas de frio e em locais com grande aglomeração de animais. Causada por um ou mais agentes, dentre eles dois tipos de vírus e uma bactéria, se alojam nas vias aéreas dos animais. O principal sintoma observado é a tosse seca, podendo ocorrer secreção nasal, febre, falta de apetite. A melhor forma de conferir proteção aos animais é por meio da vacinação específica para a doença.

Cinomose

Uma doença grave durante todo ano. Causada pelo vírus da cinomose canina (VCC), resulta geralmente com quadros de alterações do trato respiratório, podendo evoluir para manifestações gastrointestinais e neurológicas. As baixas temperaturas propiciam a maior sobrevivência e dispersão do vírus no ambiente, por isso é essencial manter a vacinação anual (V8 ou V10) em dia.

Gripe em Gatos

Foto: Divulgação Esalpet

Rinotraqueíte e Calicivirose felina (Complexo Respiratório Felino): fazem parte do chamado Complexo Respiratório Felino e apresentam maior incidência em locais com alta densidade de animais ou nas estações mais frias, pelo contato muito próximo e facilidade de disseminação. Os sintomas observados são: secreção nasal e ocular, febre, espirros, apatia, ceratoconjuntivite (rinotraqueíte), úlceras na mucosa oral (calicivirose). A maneira mais eficaz de proteção se dá vacinação específica para gatos, conhecida como tríplice (V3), quádrupla (V4) ou quíntupla (V5), que além desses agentes englobam outros de importância para a espécie.

Outras enfermidades como a asma e a pneumonia, de ocorrência tanto em animais quanto em humanos, podem aparecer com maior frequência ou severidade do quadro clínico durante o inverno, pela queda brusca da temperatura. “Os quadros de asma são geralmente desencadeados por alérgenos ou fatores irritantes no ambiente como fumaça de cigarro e carro, poeira, pólen, aerossóis de vários tipos (sprays domésticos, perfumes), sendo os gatos ainda mais susceptíveis que os cães. Para os casos de pneumonia, podemos citar as infecções bacterianas, virais, fúngicas, por protozoários ou mesmo decorrentes de outras doenças que levam a queda de imunidade do animal”, completa a Dra. Carla.

Prevenção

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A médica veterinária Caroline Mouco Moretti reforça que as vacinas são importantíssimas para manter o animal saudável durante o ano todo e principalmente contra doenças relacionadas à baixa temperatura como, por exemplo, a gripe canina para os cães e rinotraqueite felina para os gatos, ambas são doenças respiratórias.

As doenças mais comuns nesse período são causadas por vírus e bactérias. Seus sintomas são espirros constantes, secreção no nariz e também nos olhos, apatia e falta de apetite são alguns sintomas de que algo não vai bem. Ao primeiro sinal de que o animal está doente é necessário consultar um veterinário.

Roupinhas

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Para os animais que possuem pelos ralos ou curtos e que estão acostumados com tecidos, a roupinha é uma boa opção para mantê-los aquecidos. “Caso opte por roupas, dê preferência a peças com as quais o seu cão esteja acostumado e se sinta livre para brincar e fazer suas necessidades”, ressalta Caroline.

Já os animais que possuem pelos grandes e longos, segundo a médica veterinária, é preciso que o tutor tome muito cuidado com roupas, já que para esse tipo de pet, o tecido pode atrapalhar ao invés de ajudar. “O animal com pelos longos que utiliza roupa desenvolve nós, que não secam direito no banho, gerando fungos e bactérias, causando inclusive uma dermatite”. Caroline reforça ainda que caso os nós ocorram, o cachorro deverá ser tosado, o que o deixará mais exposto ao frio.

Além disso, os animais idosos são os que mais sofrem com as baixas temperaturas. O porte e a quantidade de gordura corporal também interferem nesse processo. As tosas durante o inverno não são indicadas.

Veja como acostumar seu peludo com as roupinhas

Passeios

Durante os dias gelados, evite passeios nos dias muito frios e banhos muitos frequentes principalmente nos animais mais idosos. O ideal é passear com os cães em horários que estejam mais quentes entre as 11h e às 15h, por exemplo.

Antes de frequentar parques ou locais com aglomeração de cães, vacine seu peludo para não haver risco de haver contaminação.

Apesar de pulgas e carrapatos não gostarem muito de frio, não se esqueça de continuar utilizando os produtos contra esses ectoparasitas.

Hora de dormir

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Na hora de dormir, é importante que o tutor deixe o cantinho do seu animal bem aquecido. “A dica é colocar um cobertor ou colchão para ele dormir, evitando contato direto com o chão”, ensina a especialista. A médica veterinária destaca ainda que com o frio, os pets bebem menos água e correm risco de ficar desidratados, por isso aconselha aos donos que coloquem mais potes de água pela casa, facilitando assim a hidratação deles.

Segundo a veterinária e especialista da Hercosul Alimentos, Dra. Laís Alarça, as patas, narizes e orelhas merecem atenção e não devem estar gelados, pois dizem muito sobre a saúde dos animais. “Os pets que dormem fora de casa também merecem atenção e não basta apenas uma casinha no pátio, é necessário cuidar para que eles tenham cobertores e roupas secas para ajudar a aquecer nos dias mais frios”, disse.

Dra. Laís também alerta para o perigo que os gatos correm no inverno, pois se escondem em qualquer local para procurar abrigo e fugir do frio, inclusive os motores dos carros. “Os acidentes desse tipo são sérios e quase sempre são fatais. É aconselhável sempre dar algumas batidas no capô e laterais do carro para que eles saiam antes da pessoa ligar o automóvel”, aconselha.

Outro cuidado importante é com aquecedores, pois o calor pode levar os animais para perto do aparelho e as queimaduras são constantes. “Evitar colocar esses equipamentos no chão e nunca deixar os pets sozinhos com aquecedores ligados garantem a segurança”, completa.

Cães e gatos sentem mais fome no inverno?

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Embora algumas pessoas incrementem as refeições dos pets, alegando que eles precisam de mais calorias para manter a temperatura corporal, essa conduta está errada. Sem saber, essas pessoas estão contribuindo para um desequilíbrio alimentar, que pode levar a um quadro de sobrepeso e até mesmo à obesidade de seus animais!

Segundo a médica veterinária Keila Regina de Godoy, gerente de capacitação técnico-comercial da PremieR Pet, o inverno brasileiro pode ser considerado ameno e, via de regra, não implica em uma maior necessidade calórica para os pets.

Nos locais de inverno rigoroso, sim, os cães e gatos podem necessitar de um incremento na quantidade de alimentação para compensar as necessidades, principalmente se frequentam áreas externas à residência, mas não é o caso dos nossos peludos brasileiros. Só não contaram isso para os meus gatos, que estão pedindo comida o tempo todo!

Portanto, vale o alerta: em país tropical como o Brasil, o inverno não é desculpa para aumentar a comida do pet! “Exceto se o animal viver ao relento em um local de frio intenso, por exemplo, um cão de pastoreio no Rio Grande do Sul”, exemplifica Keila.

Em caso de dúvidas, sobre alimentação, vacinação ou saúde do seu amigo, busque sempre um médico veterinário.