Ana Luiza Verzola/Creative Commons

A foto divulgada pelo Jornal da Tarde, em 1968, mostra a ação da carrocinha no estado de São Paulo. Mas esta não é mais a realidade. Neste mês, o fim da carrocinha completa DEZ anos. Além disso, abril é também considerado o mês de Prevenção de Crueldade contra Animais. Mas ainda hoje, muita gente ainda não sabe que é proibido matar animais em situação de rua em todo o Estado. SP serviu de inspiração para que outros estados também proibissem a matança de animais.

Acervo JT

Muitas redes sociais de protetores já mostram um laço laranja. Esta cor foi escolhida pela Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade Contra Animais (ASPCA), para representar o mês da Prevenção da Crueldade Contra Animais em todo o mundo. Um momento para as pessoas refletirem sobre a situação degradante em que muitos animais são submetidos, muitas vezes, por toda a vida, sofrendo tortura, abuso e exploração.

Coincidentemente, é neste mesmo mês que a lei contra a matança indiscriminada de animais em situação de rua em todo o estado de SP (nº 12.916) completa dez anos de existência. Antes desta lei, os animais capturados pela prefeitura eram mortos câmara de gás e de descompressão, com choque. Após muita luta dos funcionários do CCZ-SP (Centro de Controle de Zoonoses) e de políticos, esta tortura teve fim.

“Antes da lei, os animais eram mortos em três dias. Só o CCZ de São Paulo matava, em média, de 80 a 90 cães e gatos por dia – não há estatísticas para outras cidades do interior, mas milhares de animais eram mortos todos os anos. Não existe nada no mundo que recompense mais do que ver que esses animais, ao invés de sacrificados, hoje estão vivos e em busca de um novo lar“, comenta o deputado Feliciano Filho.

Jose Soares Silva Junior/Creative Commons

De 1973 a 2008 crianças, cães e gatos tinham medo da Carrocinha (duvido que seu/sua pai/mãe nunca falou que ia te mandar pra carrocinha, se você não se comportasse!). Era um veículo, do tipo utilitário, com uma caçamba adaptada para receber os animais capturados por agentes da prefeitura.

Em desespero, latindo e chorando, os cães e gatos seguiam até o CCZ, para eutanásia. Só escapavam da morte os animais que fossem resgatados pelos donos no prazo de curtos três dias, pagando uma multa. Esta era a forma como a prefeitura de SP prevenia a raiva e mantinha o controle populacional.

“A lei propiciou uma mudança de paradigma, por isso já está sendo implantada na maior parte dos estados brasileiros. O controle populacional de cães e gatos sem matança e por meio da castração é, aliás, a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde”, comenta o deputado.

Lembranças da carrocinha

Giovanna/Creative Commons

“Às vezes, na saída da escola, presenciava a Carrocinha pegando os cachorros. O cara tirava o cambão e arremessava o bichinho. Meu pai falava que eles faziam sabão deles” – Luciana Lanzillo

“Tinha um vira-lata chamado Duque na rua que foi levado pela Carrocinha umas três vezes. Eu e meu pai íamos buscá-lo. Depois ele ficou tão esperto que quando a Carrocinha passava ele corria com a cabeça baixa para o laço não entrar nele e vinha se esconder em casa” – Fátima Antunes

“Quando a Carrocinha apontava na rua todos nós começávamos a colocar os cachorros pra dentro. Certa vez laçaram o Neguinho, cachorro de casa. Entramos em pânico e a vizinhança em peso foi ajudar! Por fim, o rapaz soltou o cachorro que acabou morrendo de velhice” – Miriam Almeida

“Eu era criança ainda quando um dia vi a carrocinha passando em frente de casa. Tomei coragem e pulei na porta sem que os homens vissem, pois, estavam tentando pegar um cachorro enorme. Tive a chance de soltar todos os cachorros. Minha mãe foi chamada na prefeitura pra pagar uma multa e fiquei de castigo um bom tempo. Mas nunca me arrependi!” – Jucimara Morais

Solução atual

Hoje, o CCZ faz o controle populacional através das campanhas de castração gratuitas. Já o controle de raiva é feito através da campanha de vacinação também gratuita. Caso alguém necessite, basta entrar em contato com o órgão da sua cidade e levar a documentação exigida.

Ainda há diversos animais aguardando por adoção. A eutanásia é feita somente com autorização do médico veterinário e de forma ética, indicada pelo CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária). Por isso, se você quer ter um cãozinho ou um gatinho, procure o CCZ da sua cidade. Com certeza você encontrará vários olhares doces a espera de um lar.