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Março é reconhecido internacionalmente como o mês de cuidado e prevenção das doenças renais em humanos. Os nossos amados bichinhos não poderiam ficar de fora. Por isso, aproveitei a oportunidade para discutir as graves consequências da doença para gatos e cães. Tanto para aqueles de idade mais avançada, quanto os mais jovens, o mais importante é ficar de olho para ter o diagnóstico o quanto antes.

A principal causa de mortes para gatos acima de 5 anos e a 3ª para cães da mesma idade, a Doença Renal Crônica (DRC) é uma alteração degenerativa, progressiva e incurável, que afeta um ou os dois rins do animal. Suas consequências incluem perda de capacidade da concentração urinária, perda excessiva de proteínas pela urina, anemia e desnutrição.

Apesar de incurável, o manejo e nutrição adequados podem prolongar e melhorar a qualidade de vida do paciente. Neste cenário, um dos maiores desafios é realizar o diagnóstico precoce para a instituição do tratamento adequado, já que, tipicamente, os sintomas clínicos da doença só se tornam visíveis quando 75% da função renal já está comprometida.

Diagnóstico precoce

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Pelo fato de a DRC não demonstrar sinais clínicos claros em seu início, o check up precoce é a única forma de diagnosticar a doença e, assim, determinar o tratamento adequado. Além da já conhecida mensuração da creatinina sanguínea, o IRIS (International Renal Interest Society) passou a recomendar testes baseados nos níveis de dimetilarginina simétrica (ou SDMA, sigla em inglês), um biomarcador mais sensível. Ele identifica o comprometimento renal em um estágio precoce, a partir de 25% (versus 75% para a creatinina). A partir do diagnóstico, o manejo nutricional adequado já deve ser instituído, contribuindo para a redução da progressão da doença.

Doença renal na juventude

Foto: @halinamedina

Pandora, uma linda buldogue francesa, estava no auge do seu primeiro ano de vida. Sua tutora, Halina Medina, fundadora do portal Tudo Sobre Cachorros, sempre estava de olho na sua saúde. Um dia, percebeu que sua pequena estava fazendo xixi com frequência, mas em pouco quantidade.

Aguardou até o dia seguinte para levar ao veterinário. Antes de sair, Pandora urinou sangue. Já de emergência, deu entrada na clínica. Após diversos exames (ultrassom, urina e sangue) e muitos dinheiros a menos na conta bancária, Halina recebeu o diagnóstico: pedras (no plural!) na bexiga. O tratamento foi medicação e mudança na alimentação.

Manejo nutricional

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Para o paciente renal crônico, a nutrição se torna a base do manejo terapêutico. Com controle do fósforo e da proteína, e enriquecido com ácidos graxos e antioxidantes, o alimento coadjuvante ao tratamento da DRC irá contribuir para o retardamento da sua evolução, aliviar os sinais clínicos e manter a condição corporal do animal de estimação.

Adicionalmente, as dietas para pacientes com doença renal devem estimular o apetite e a alimentação do animal, já que mais de 20% dos pets acometidos pela doença apresentam redução do apetite ou anorexia, importante causa de piora no quadro clínico.

Segundo estudos científicos, o suporte nutricional adequado pode proporcionar um aumento de sobrevida de 2,4 vezes nos pacientes com DRC, contribuindo também para a melhor qualidade de vida. “Quanto mais cedo a doença renal crônica for diagnosticada, melhor será a contribuição do manejo nutricional para o controle dos sintomas e da progressão da doença.” afirma Luciana Peruca, Coordenadora de Comunicação Científica da Royal Canin.

Pandora tem uma irmã

Foto: @halinamedina

Foi exatamente a observação e o diagnóstico precoce que salvou a Cléo, irmã da Pandora. Dizem quem dois raios não caem no mesmo lugar, mas na casa da Halina, caiu. Duas cadelas, uma buldogue e outra cavalier. As duas compartilham da mesma fragilidade no trato urinário.

Semanas após a publicação do polêmico vídeo contra tapetes higiênicos escuros em seu canal do YouTube, Halina observou três gotas rosas. “Se a Cléo tivesse feito no jornal, grama, quintal ou mesmo no tapete preto, eu não teria visto” conta. Mais uma vez, Halina correu ao consultório veterinário. Fez exames (os mesmos que a Pandora havia feito anos antes) e agora aguarda os resultados.

Por enquanto, sabe-se que Cléo também tem pedras na bexiga. Ainda muito pequenas, há a possibilidade de serem expelidas sozinhas. “O tratamento da Cléo é bem mais tranquilo e menos custoso que o da Pandora. Isso porque eu consegui observar os sinais muito antes” fala Halina.

Em nenhum momento Cléo demonstrou dor ao urinar, parou de se alimentar ou ficou mais apática. A única pista foram as três gotinhas rosas. “Se eu tivesse deixado passar, só saberia quando o caso fosse bem mais grave. Os cães são muito tolerantes a dor. Quando demonstram, já estão em sofrimento” pondera Halina.

Mudanças na casa

Foto: @halinamedina

Além da mudança de alimentação, Halina precisou mudar a rotina e a disposição dos potes de água das cachorrinhas. Antes, só havia um pote na cozinha. Se a Pandora (muito preguiçosa) estivesse no quarto, não iria até a cozinha para se hidratar. O mesmo ocorria com o xixi. Pandora segurava o máximo que podia. Tudo para não perder o confortável colo da tutora.

Além de adicionar potes na sala, quarto e corredor, Halina colocou pedras de gelo, para deixar a água mais fresquinha. “Eu troco a água com bastante frequência. Muitos cachorros não gostam de beber água com baba ou pelos” reflete.

Se entra mais água, agora precisamos nos preocupar com a saída dela. Uma solução com Pandora foi ensiná-la o comando “xixi”. Basta leva-la até o tapetinho e dizer a palavra “xixi”. A buldogue obedece. Assim, a tutora tem a certeza que Pandora não segura mais, como fazia antes.

Mesmo com todas essas melhoras, Pandora faz acompanhamentos veterinários. Além da ração específica, a tutora fica de olho para garantir que qualquer gotinha de xixi com coloração diferente não passará desapercebida.

Ela garante, por experiência própria: “o quanto antes for feito o diagnóstico, mais fácil e rápido será o tratamento e menos dor o cachorro sentirá!”.