Divulgação Luigi Bertoli

Diz o ditado, que os filhos de minha filha, meus netos são, mas os filhos de meu filho, uma dúvida são. Assim, diversas crianças ainda são registradas sem um pai. Com o aumento dos divórcios, muitos são os pedidos de guarda compartilhada entre mães e pais. Mas e no caso de cães e gatos, como isso acontece?

A melhor data para o comércio, em números de venda e valor médio gasto em presentes, é o dia das mães. Porém, muitas marcas estão investindo em propagandas a fim de aquecer as vendas do dia dos pais. A intenção é valorizar a relação entre pais e filhos. Uma loja de roupas, aproveitou este mote e acrescentou os filhos peludos, de quatro patas. Será que os pais de cães e gatos tem o que comemorar neste dia dos pais?

A administradora Fernanda Seabra é veemente em afirmar que sim. Separada há dois anos, divide a guarda do seu cão Bud, com seu ex-marido Carlos. Após 10 anos de casamento, sempre acompanhado pelo cãozinho, Fernanda tinha a certeza que deveria ser a tutora do peludo. “Como fui eu que resgatei, desejei e cuidei do Bud, achava que tinha o direito de ficar com o ele. Carlos disse que deixava o apartamento o para mim, mas que do Bud ele não abria mão” relembra Fernanda.

Foto: Fernanda Seabra

Assim, como em tantos finais de relacionamento, Fernanda e Carlos descobriram a possibilidade da guarda compartilhada, na qual mãe e pai dividem cuidados, carinhos e despesas do animal.

Fernanda conta que seu maior medo era a possibilidade de uma nova pessoa na vida do Carlos: “Como será que ela iria tratar meu cachorro? Será que ele iria esquecer do Bud?”. Todos seus receios sumiram quando a administradora percebeu que a namorada de Carlos também ama Bud e ajuda no cuidado do filho canino. “A relação é de muita confiança e cumplicidade. Todos os finais de semana o Bud vai para a casa do Carlos. Se preciso viajar a trabalho, não me preocupo, porque sei que meu pequeno estará em boas mãos” afirma aliviada.

Foto: Fernanda Seabra

Hoje Bud tem 14 anos e precisa de cuidados intensos. Assim como no caso humano, Fernanda acaba arcando com a maior responsabilidade de levar ao médico, fazer checkups, tratamento de acupuntura. Mas ela explica que foi uma decisão dela. Mesmo assim, os custos são todos divididos com o ex. “Não posso impedir a relação entre eles. Bud fica muitíssimo feliz quando vê o pai” finaliza.

O que a justiça prevê?

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Em casos de separação, havendo um filho menor de idade, a justiça prevê direitos à criança. Para garantir que sejam cumpridos, há o conselho tutelar e a promotoria. São estipuladas regras de convivência e guarda do menor, entre mãe e pai.

No caso de animais, não há nada disso. Cães e gatos são considerados objetos. Por isso, são divididos como um apartamento, por exemplo. “O grande problema é que não há um embasamento jurídico. O que há é uma analogia” explica o advogado Paulo Bernardo Filho, do escritório Gracia, Bernardo e Filho Advogados.

Apesar de especialista em direito criminal e empresarial, Paulo já atuou em diversos casos envolvendo animais, com ONGs e crimes contra honra nas redes sociais, crimes virtuais. Em decorrência, é consultado quando há um divórcio litigioso, com briga pela guarda do animal. “Quando chegam até o escritório, é porque já foi feito um boletim de ocorrência. O litígio está muito mais sério, como se um estivesse roubando o filho do outro” afirma o advogado.

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Para não precisar chegar a esse patamar, o advogado aconselha que tente resolver de forma extrajudicial, de comum acordo. Até ter o primeiro despacho, é um período muito longo. Há a possibilidade de fazer um contrato entre as partes, com um acordo de como será a guarda, responsabilidades e divisão de custos com o animal. “Este tipo de ação aumentou muito nos últimos cinco anos. Normalmente a mulher se sente no direito de ficar com o animal. Assim, os homens têm buscado, com maior frequência, uma forma de conseguir o direito da guarda” expõe Paulo.

No caso de precisar da intervenção judicial, os juízes estão utilizando o instituto da guarda compartilhada, como uma analogia com a guarda de crianças, devido ao vínculo afetivo. O animal não tem direitos, ele tem proteção, como conta o advogado: “Ainda é algo embrionário na jurisprudência. Tem julgados para os dois lados. Tem juízes mais antigos que não entendem o vínculo afetivo e colocam uma das partes como responsável do bem. Porém, há outros que compreendem que os casais estão deixando de ter filhos, para ter cães”.

Costumeiramente, o juiz nomeia um tutor provisório do animal, a pessoa com maior cuidado, a qual fica na residência que o animal já está acostumado.

Caso dos buldogues

Foto: Erick Barros

Foi exatamente assim no caso da auxiliar administrativo Lígia Rosa. Após cinco anos de casamento, ela e Erick resolveram pegar Rot, um buldogue inglês. Quando Rot estava com 11 meses, Lígia recebeu a foto de Gorda, uma buldoguinha para adoção. Em comum acordo, resolveram dar para Rot uma companheira.

Era um amor sem tamanho. Eles deixavam de viajar para cuidar dos peludos ou apenas frequentavam locais que aceitassem os peludos. “Todos os dias dos pais, eu fazia uma montagem de fotos do Erick com os cães, como uma forma de agradecimento por todo o cuidado” lembra Lígia.

Foto: Ligia Rosa

Porém, ano passado, Lígia decidiu sair de casa. Certa de que levaria os cães, Erick se opôs e pediu para ficar com os cães. Como foi morar com a avó, em um apartamento, Lígia cedeu a guarda para o ex, com aperto no coração. Mesmo assim, visita os cães com frequência, leva para passear, cuida das dobrinhas e leva ao veterinário quando precisam.

Agora, a situação mudou de figura. Erick está em um novo relacionamento. O amor pelos cães continua enorme, porém, viagens a lazer são frequentes, sem os peludos. Lígia aproveita para ficar com eles nessas ocasiões. Mas percebendo a mudança, já cogita em se mudar para uma casa e pedir a guarda dos filhos de quatro patas. “Não sei se ele vai aceitar. Sei que vai ser uma conversa difícil. Rot e Gorda sempre foram muito companheiros do Erick, principalmente na época que saí de casa” reflete Lígia.

Hoje, Erick arca com a maior parte das despesas dos cães. Mas isso Lígia também quer mudar. “Quando o Erick quiser, poderá ir visita-los” afirma.

Foto: Ligia Rosa

A realidade pode mudar e os relacionamentos terem fim, porém o nosso amor pelos nossos amigos peludos perdura. Leve sempre em consideração o bem-estar do animal, como ele se sente melhor. Nem todos os peludos se adaptam a mudanças de casa e de rotina. Tudo isto deve ser avaliado na hora de decidir de quem deve ser a guarda.

Ação dia dos pais

A Luigi Bertolli lançou sua campanha para o Dia dos Pais 2017, inspirada nos diferentes tipos de pais e filhos e no amor incondicional que os une.

A assinatura da marca, “Seja Mais”, é o fio condutor da campanha, composta por filmes que exploram universos distintos. As mensagens foram criadas para mostrar que não há limites nessa relação – “Você pode ser pai do seu filho, do seu enteado, do seu neto, do seu sobrinho, dos seus irmãos mais novos, do seu afilhado. Pai adotivo e até pai do seu animal de estimação. Por que não?”

E foi com essa inspiração que a marca escolheu protagonistas muito especiais para um dos filmes desta campanha: três dos 70 cachorros recentemente resgatados na Cracolândia (SP), pelo Instituto Luisa Mell. A marca, além de incentivar a adoção em suas redes sociais, vai doar parte de suas vendas de Dia dos Pais para o Instituto. Porque a Luigi Bertolli acredita que ser pai, é ser responsável por outra vida, é dar amor, é estar presente.

Neste Dia dos Pais, seja mais pai, seja mais presente.