judecat (slowly recovering)/Creative Commons

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Cães tremendo, gatos babando e muito pânico ronda a sala de espera do veterinário. Mas como não ter medo de um lugar frio, que cheira forte e que ainda tem uma pessoa que dá injeções?! Apesar do cenário aterrorizante para o animal, é possível minimizar o estresse e até tornar essa visita agradável.

Falar a palavra banho, faz muitos cães e gatos quererem sair correndo ou evitar a entrada naquele recinto de tortura. Alguns cães nem se quer gostam de passar na porta do pet shop, mesmo que não seja dia de banho ou de consulta. Eles travam as patas e puxam a coleira para o lado oposto.

Se seu cão é bonzinho e não faz nada disso, você é um abençoado. Mas isso não quer dizer que ele não fique estressado.

Entre os dias 11 e 13 de novembro, ocorreu o maior Encontro Internacional de Veterinários do Comportamento (Internacional Veterinary Behaviour Meeting) em Curitiba. Vieram ao Brasil, os maiores nomes da área. Sabe aqueles pesquisadores, autores dos maiores e melhores livros de comportamento animal?! Para minha alegria, todos vieram! Babações a parte, as palestras foram magníficas e extremamente esclarecedoras.

Voltando ao medo da consulta veterinária…

As palestras de dois grandes autores, médicos veterinários, especializados em comportamento animal, (Gonçalo Pereira, de Portugal e Gary Landsberg, do Canadá) foram sobre como minimizar o estresse durante as consultas veterinárias. Anotei as dicas deles e vou passar tudinho para você!

Jeffrey Beall/Creative Commons

Jeffrey Beall/Creative Commons

Gary disse que o treinamento deve começar em casa. O animal deve estar acostumado a usar a caixa/bolsa de transporte ou a coleira. “A caixa de transporte não pode aparecer somente nos momentos de ir ao veterinário. Ela deve fazer parte da rotina do animal, como um local seguro” explica Dr Landsberg.

Para acostumar o pet com esse novo elemento, você pode dar a alimentação dentro da caixa/bolsa ou mesmo fazer deste local, a caminha do peludo. Sempre associando a algo positivo.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Outro grande medo de ir ao veterinário é andar de carro. Todos esses passos devem ser treinados em dias que não há banho e nem consulta. Para acostumá-lo no carro, faça brincadeiras com o automóvel parado. Quando ele já estiver tranquilo, dê pequenas voltas. Sempre adicionando brinquedos ou petiscos que ele adora. Aos poucos, aumente o percurso.

Dicas para andar de carro com seu pet

Vá até o veterinário, sem ser dia de banho ou consulta. Antes de entrar no pet shop ou clínica, brinque com o animal e dê petisco que ele goste. Faça o mesmo ao entrar na clínica/pet shop. Espere até que ele se acalme, brinque, dê petisco e vá embora. Esse treino não precisa durar mais de 15 minutos.

Se o pequeno for extremamente estressado ou medroso, vale a pena pedir um calmante leve para o veterinário e ministra-lo antes de sair de casa. “Não podemos ter medo de medicar o animal. Tudo deve ser feito para aumentar o bem estar e diminuir o estresse dele” afirma Dr Landsberg.

Preparação para a consulta

Depois de todo treino, vamos finalmente à consulta com o veterinário.

Deixe o pequeno em jejum. Claro, se a consulta for no final da tarde, alimente-o pela manhã. O ideal é que ele chegue com fome no veterinário para facilitar a aceitação de petisco e alimentação.

Leve os petiscos/comida e brinquedos. Precisamos recompensá-lo com coisas que ele goste muito.

sam.woolfolk/Creative Commons

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Junto com a caixa/bolsa de transporte, leve uma toalha de casa. É importante que ele tenha próximo um cheiro familiar. Esta também poderá ajudar a segurá-lo e acalmá-lo durante a consulta.

Se seu peludo for um gato, dê preferência por caixas de transporte que abram por cima. É muito angustiante para o felino ter que sair da caixa ou ver uma mão entrar pela portinha para retirá-lo.

Sala de espera

Quando chegar ao consultório, ofereça petisco ao animal.

Foto: Luiza Cervenka

Foto: Luiza Cervenka

Se ele estiver dentro da caixa/bolsa de transporte, deixe-o em local elevado. A melhor opção ainda é em cima de cadeira. Evite deixa-lo no chão, pois ele terá menor campo de visão e aumento do estresse.

Use a toalha para cobrir a caixa/bolsa de transporte ou o pet solto. Ter tecido com cheiro familiar irá ajudar a acalmá-lo.

A consulta

Entre no consultório veterinário com o peludo no colo. Feche a porta. Se seu pequeno estiver mais tranquilo, pode soltá-lo para explorar o ambiente. Mas se ainda estiver com medo, deixe-o em um local alto, dentro da caixa/bolsa de transporte, observando a movimentação do veterinário.

Lembre de recompensar cada vez que ele estiver relaxado, seja com uma brincadeira ou mesmo com petisco.

PROEric Johnstone/Creative Commons

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Na hora de examinar, coloque a toalha na mesa, para evitar o contato do animal com a superfície gelada.

Enquanto o veterinário examina, mude o foco do peludo. Converse com ele, mostre a bolinha ou o petisco. Ao prestar atenção em você, ele sentirá menos o incômodo da injeção.

OakleyOriginals/Creative Commons

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No final da consulta, pegue a receita e alimente seu peludo. Faça isso com ele solto, no chão, ou mesmo dentro da caixa/bolsa de transporte. Até que o jejum não foi tão ruim assim, né?!

Veterinário em casa

Uma opção para pets medrosos é perguntar se o veterinário atende a domicilio. Alguns estudos mostram que receber o profissional em casa pode causar ainda mais estresse do que no consultório. Porém, isso depende da quantidade de animais e a forma da chegada.

Visa Kopu/Creative Commons

Visa Kopu/Creative Commons

A grande diferença é que a duração da consulta em casa pode ser bem maior. O veterinário deve chegar a casa e esperar o animal se acostumar aos poucos com ele. A recompensa com brincadeiras e petisco deve ser feita da mesma forma que no consultório.

A focinheira

O Dr Gonçalo Pereira é veemente ao dizer: “A focinheira só é válida quando o animal já tem costume de usá-la em casa. Se usar somente dentro do consultório, irá aumentar o estresse. É uma segurança para o médico veterinário, mas prejudica o bem estar do paciente”.

Sami Köykkä/Creative Commons

Sami Köykkä/Creative Commons

Há diversas técnicas que podem ser utilizadas em animais agressivos, além da focinheira. Infelizmente nem todos os veterinários conhecem. A disciplina de bem estar e comportamento animal não é oferecida em todas as universidades. Inclusive, esse foi um dos temas mais abordados no encontro. Independentemente disso, podemos fazer a nossa parte e melhorar a vida dos nossos peludos queridos.

E nessa sexta-feira, dia da consciência negra (20/11), teremos a Agenda Animal com muitas dicas para o final de semana.