Foto: Luiza Cervenka

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Quem tem pet sabe o quão estressante pode ser a hora de dar remédio. Alguns são tranquilos e aceitam facilmente, mas outros são difíceis e encontram comprimidos escondidos até no meio da salsicha.

Cada proprietário tem uma dica diferente para diminuir o estresse desse momento. Mas o que realmente pode e o que não pode para tentar fazer os peludos engolirem a medicação?

Tudo depende do que o seu pet gosta e qual o medicamento que ele deve tomar. “Alguns antibióticos não devem ser administrados junto a alimentos gordurosos. Nesses casos, devemos fugir do requeijão, iogurte e queijo. Mas caso contrário eu não acho de todo o ruim, exceto que precisamos tomar mais cuidado com pacientes em dieta, gordinhos ou diabéticos. Toda e qualquer mudança de hábito alimentar pode modificar as outras doenças ou rendimentos” alerta a médica veterinária Daniela Mungiole.

É importante certificar com o médico veterinário se o medicamento pode ser cortado ou administrado juntamente com alimentos. Algumas medicações têm especificidades e perdem o efeito se partidos ou se a capsula for aberta. Outro possível impedimento é que algumas medicações devem ser administradas em jejum.

Então onde devo esconder o medicamento? “Depende”,  responde Dra Daniela, “se for um quimioterápico, para o tratamento de um câncer por exemplo, não pode ter a cápsula aberta, nem ser mastigada e o conteúdo não pode cair no chão. Neste caso, salsicha e pão podem ser ótimos artifícios”.

Por que remédio é tão ruim?

Foto: Luiza Cervenka

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Um dos motivos que fazem os animais odiarem as medicações é o gosto. Alguns animais, principalmente gatos, costumam salivar, ter náuseas e até vomitar após a ingestão da medicação. Se você perceber que esse é o caso do seu peludo, faça como o Ralph. “Tenho um paciente gato, o Ralph, que prefere que abram a boca dele e joguem o comprimido além da língua, assim ele não sente o gosto e não tem náuseas” comenta Dra Daniela.

Para conseguir fazer com que eles gostem do remédio, vale de tudo! “Para o Udi (cachorro), tem que diluir o medicamento em água, dar uns três bifinhos antes e mais três depois. Mesmo assim, tem que tomar cuidado pra não ter a seringa destruída e nem seu dedo mordido” confessa Dra Daniela.

Cada animal deve ser analisado junto à pessoa que vai administrar o medicamento. Também nessas horas, o médico veterinário é um aliado. Ele pode ensinar técnicas para facilitar que o cão engula rapidamente. Se o proprietário ou o animal não se adaptarem ao método, cabe buscar um plano B, C, D…

Dicas de gateira para gateiros

play4smee/Creative Commons

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A médica veterinária Vanessa Zimbres é especializada em felinos e gateira de carteirinha. Pode ter certeza que ela já tentou de tudo para fazer seus pacientes aceitarem a medicação. Aqui vão algumas dicas.

– Remédios em comprimidos são mais fáceis de administrar! Evite colocar o remédio em contato com a língua do animal.

– Formulação líquida, mesmo que em pequena quantidade, pode fazer com que o gato sinta o sabor amargo e salive bastante. Isso também pode acontecer com comprimidos.

– Enrole o gato em uma toalha de modo a fazer um “charutinho”, só com a cabeça pra fora. Isso nos protege de levar unhadas! Com uma mão, segure a cabeça do gato. Com a outra, abra a boca e coloque o comprimido o mais profundo que puder.

– Não é recomendado colocar o comprimido e fechar a boca do animal. Além de fazê-lo salivar bastante, vai fazer com que ele se apavore para respirar e ainda possa aspirar a medicação.

– Os gatos inspecionam e farejam o alimento antes de ingeri-lo. Portanto, misturar a medicação em um bolinho de carne dificilmente vai enganar o felino.

– Para minimizar o sabor da medicação e enganar o gato, esfarele o remédio em um pouquinho de margarina até fazer uma bolinha. Coloque no congelador para ficar um pouco mais firme e jogue direto na boca do animal, próximo a garganta. Misturar a medicação em requeijão gelado também pode disfarçar o gosto.

Foto: Tânia Regina

Foto: Tânia Regina

– Se você tem dificuldade de colocar o comprimido no fundo da boca, experimente aplicadores de comprimidos com a ponta de silicone. São feitos especialmente para que você não precise arriscar o dedo dentro da boca do gato. Não use pinças ou algo rígido, pode trazer danos ao animal.

Exemplos de sucesso

PROjomme/Creative Commons

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A Dra Daniela conta que tem diversos pacientes que não se incomodam com a temida hora do remédio: “Tenho um paciente coelho, a Lunna, que senta e engole uma cápsula sem dar trabalho algum. Outro, o Mike, vai até a porta da gaiola e espera o remédio manipulado especificamente para ele, com sabor de cenoura. Tenho um paciente cão, o Frederico, que pede o remédio na hora marcada. Ele bate na gaveta onde o medicamento é guardado. Quando o remédio acaba, e o novo ainda não chegou, na hora exata da medicação, ele late agitado”.

Pode parecer um sonho impossível de alcançar, mas associar o momento da medicação, com bifinhos ou brincadeiras preferidas, costuma dar bons resultados. Condicione seu cão a passear apenas quando aceitar a medicação. Ou dê o petisco preferido do gato após a manipulação bem sucedida. Se rolar algum arranhão, suspenda a recompensa.

O caso Leopoldo, o gato

Foto: Tânia Regina

Foto: Tânia Regina

Para entender as agruras que os proprietários passam, conversei com a advogada Tânia Regina Trombini Faga. Ela tem quatro gatos persas. Um deles, o Leopoldo, tem alguns probleminhas de saúde, incluindo hipertensão. Por isso, tem que tomar remédio diariamente.

No começo, Tânia colocava o comprimido direto dentro da boca do Leopoldo. Depois de um tempo, ele aprendeu a guardar o comprimido na bochecha, esperar a Tânia sair e então cuspir o medicamento. Tânia começou a encontrar comprimidos embaixo da cadeira ou jogados pela casa e descobriu as artimanhas do gato. O segundo passo foi colocar dentro da carne. Funcionou por alguns dias, mas depois Leopoldo encontrava o remédio e cuspia.

Tânia tentou o aplicador de comprimidos. Levava meia hora para conseguir pegar o gato e acertar a garganta. Leopoldo não gostou.

Foto: Tânia Regina

Foto: Tânia Regina

Hoje, o procedimento é extremamente simples, Tânia retira a película do comprimido embaixo da água, amassa tudo, coloca duas gotas de azeite até formar uma bolinha e coloca dentro da carne. Por enquanto, Leopoldo aceita assim. Mas ninguém garante que dará certo para sempre. Donos de gatos precisam ser muito criativos!

Se você pensa que Leopoldo se estressa com tudo isso, está muito enganado. Basta Tânia pegar a caixinha do remédio, que ele vem correndo para ganhar sua carninha. “O ideal seria que todos os remédios fossem palatáveis, mas quase não existem remédios assim” lamenta Tânia.

Remédios manipulados

Foto: Luiza Cervenka

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Para tentar facilitar a vida da Tânia e de todos que tem pets difíceis, algumas farmácias veterinárias de manipulação desenvolveram outras formas de apresentação. Além do comprimido e capsula, há possibilidades de manipular a medicação dentro de um petisco com o sabor que o pequeno mais gostar. Se for uma medicação que não pode ser manipulada em petisco, há a possibilidade do pill pocket, que é uma capinha para colocar a cápsula dentro.

Foto: Divulgação

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Algumas formulações são palatáveis ou podem ser manipuladas especialmente para gatos. Uma delas é em pasta, que pode ser passada nas patas ou os bigodes do animal. Devido às características de higiene dessa espécie, fará com que ele ingira o medicamento com o intuito de se limpar.

Depois de tantas opções, qual eu devo escolher?

memily/Creative Commons

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Para sanar essa dúvida, procurei a farmacêutica Kalima Trento da Drogavet. Ela contou que a melhor forma de escolher a forma farmacêutica, assim como o flavorizante, para cada pet é tentar se aproximar ao máximo da alimentação e costumes usuais de cada animalzinho. Assim a experiência de administrar o medicamento não se torna traumática e consequentemente temos sucesso no tratamento.

Ao ser questionada sobre os benefícios desse tipo de apresentação, Kalima responde: “As diferentes formas farmacêuticas, associadas às várias opções de flavorizantes, facilitam a administração das medicações, pois os animais aceitam como se fossem petiscos. Além de serem gostosos, se parecem com o que eles estão acostumados a comer. Portanto, o processo não é traumático a ninguém”.

O mais importante para esse tema é saber observar nossos bichinhos e nos observar. O melhor método, com maior eficiência, é aquele que não deixa traumas e nem machucados (principalmente nos humanos). Afinal, remédio é algo que se toma inúmeras vezes ao longo da vida.

Para relaxar, teremos a Agenda Animal na próxima sexta-feira, dia 13/11. Até lá!