Foto: Divulgação

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Após o escalado da operação “carne fraca”, os tutores começaram a se preocupar com a origem dos insumos de origem animal utilizados na ração dos seus pets. Aqueles que optaram por alimentação natural, se preocupam ainda mais com a origem das carnes e frangos usados.

Já é realidade em muitos países, e agora no Brasil, o consumo de insetos por animais silvestres, de estimação e até humanos. É o que indica a empresa Safari, que comercializa os insetos vivos para consumo.

Apesar de ser mais comum ter cães e gatos como pets, muitas pessoas têm animais silvestres ou exóticos e acabam alimentando-os apenas com ração, por não ter acesso a outros alimentos. A alimentação de pets exóticos com insetos vivos estimula o instinto de caça, é muito nutritiva pois os insetos são ricos em proteínas, minerais e ácidos graxos, e ainda pode se tornar uma diversão para os donos.

Se engana quem pensa que apenas os animais silvestres necessitam ativar o comportamento de caça. Os nosso peludos famosos, cães e gatos, também precisam dar vasão para esse tipo de comportamento. Apesar de não morarem na mata, mas dormirem na nossa cama, alguns comportamentos ancestrais continuam presentes no leque comportamental.

 

Urs Wachter/Creative Commons

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Exatamente por isso que os gatos amam brincar com varinhas, laser e levar “presentinhos” para seus tutores. Também é por isso que os cães gostam de brinquedos em movimento, como bolas, frizbee e correr atrás dos gatos.

wildrosenavhda/Creative Commons

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Eduardo Matos, engenheiro agrícola e sócio proprietário da Safari Alimentação Animal explica que os insetos são geralmente indicados para os animais que já tem o habito de consumir insetos em seu habitat natural. “Para cães e gatos nós indicamos a farinha de insetos que pode ser misturada na ração, devido à quantidade de nutrientes presentes”. Já para o consumo humanos, ainda não há licença para comercializar.

Além dos insetos vivos, a Safari comercializa insetos desidratados inteiros e farinha de insetos para a produção de rações. O “cardápio” oferecido pela Safari é composto por: grilo preto (Gryllus assimillis), tenébrio gigante (Zophobas morio), tenébrio comum (Tenebrio molitor), barata cinérea (Nauphoeta cinérea) e barata blaberus (Blaberus giganteus) somando milhões de insetos. Eduardo afirma que os insetos têm uma criação bem limpa, podendo ser ingerido por humanos. Parece estranho?

Insetos para alimentação Humana

Foto: Instagram

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Não foi o que o repórter da Record, Clébio Cavagnolle achou ao experimentar uma formiga saúva, a convite da embaixada da Dinamarca, em Brasília. “Foi o dia em que contrariei todos os meus sentidos e pior, gostei! Um sabor meio de limão, meio de erva cidreira” publicou Clébio em suas redes sociais.

Segundo o professor de gastronomia do Instituto Federal Catarinense – Camboriú, Rossano Linassi, hoje em dia, até mesmo a FAO-ONU, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, classifica o inseto simplesmente como alimento. “O inseto é mais uma opção alimentar de grande qualidade nutricional que pode ser incorporada facilmente à dieta regular de toda população, em refeições. Acredito que assim como ocorreu com o sushi há cerca de 20 anos, o inseto, com um prazo um pouco maior devido às restrições e barreiras culturais principalmente, possa ser incorporado aos poucos à dieta regular da população, se popularizando e ganhando adeptos à medida que sejam mais conhecidos, divulgados e degustados pelo público em geral”, ressalta.

Hoje temos mais de 1 milhão de espécies de insetos conhecidas, mas apenas 2 mil são catalogadas como alimento. “Os mais utilizados são os que atualmente são as larvas de tenébrio comum e tenébrio gigante, o besouro do tenébrio, larvas de mosca, grilos pretos, barata cinérea, barata de madagascar e eventualmente as formigas tanajura coletadas principalmente no interior dos estados de SP e BA”, complementa.

Voltando aos pets

Ádám Domaföldi/Creative Commons

Ádám Domaföldi/Creative Commons

O uso de insetos em rações representa uma nova fronteira no setor de pet food. A busca cada vez mais frequente se dá pelo sucesso no fornecimento de insetos como alimentação animal. Ricos em vitaminas, e fontes de ácidos graxos e micronutrientes, a concentração proteica dos insetos é superior à concentração de proteínas em vacas, porcos e galinhas, por exemplo.

Não precisa ficar com receio da origem dos insumos. Muitas rações renomadas já utilizam um grande percentual proteico advindo dos insetos.

Oferecer a quantidade correta de proteínas influencia diretamente na saúde dos músculos, na produção de anticorpos e na construção de novos tecidos.  “O rendimento é de 100% do inseto para a produção de ração. A inserção pode ser com insetos inteiros, misturando entre as sementes e frutas secas, ou moído tipo farinha. É um ingrediente de alta digestibilidade”, explica o engenheiro agrônomo.

Sem preconceito! Quem sabe seu gato não prefira caçar um tenébrio no jardim, ao invés de brincar de laser? Ele poderá se alimentar brincando de caça, como seus ancestrais faziam.