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Coleira enforcadora é método de adestramento ultrapassado

Luiza Cervenka de Assis

22/11/2017, 2:13

Molly & Stitch/Creative Commons

Tecido, metal, corda, guia unificada, grampo e fita são alguns dos materiais comuns de encontrar uma coleira tipo enforcador. Método de controle de cães, utilizado por adestradores e treinadores, é considerado o mais atrasado e danoso, tanto para partes físicas, quanto emocionais dos animais.

Esta semana fui a um evento pet em Natal. Lá, vi uma situação que há muito tempo não me deparava: diversos cães utilizando coleiras enforcadoras. Essas são aquelas que, ao puxar, a corda ou metal ajustam ao pescoço, enforcando levemente (ou não) o cão. O objetivo, desenvolvido há muitos anos no treinamento de cães de polícia, era conter o animal. Caso ele quisesse andar a frente do seu condutor, uma força apertava seu pescoço, fazendo com que ele voltasse ao lado do humano.

Molly & Stitch/Creative Commons

Anos se passaram e diversos estudos foram feitos. A grande maioria aponta os malefícios deste tipo de equipamento. Lesões cervicais, lesões de traqueia, aumento da pressão intraocular e problemas de tireoide são algumas das consequências do uso deste equipamento.

O grande problema é que muitos profissionais ainda usam ou indicam este tipo de coleira. Seja por falta de informação ou por costume, muitos cães ainda sofrem com o excesso de puxões e trancos no pescoço.

“Mas eu sei usar enforcador!”, “Esta é a única coleira que corrige o cão”, “Meu cachorro tem pescoço grosso, não machuca”, “Ele só parou de puxar quando usou o enforcador” e “Tenho um pitbull. Ele é muito forte. Só consigo controla-lo puxando a coleira” foram as frases ouvidas por mim, ao questionar tutores e profissionais, presentes no evento, sobre o motivo de utilizar este elemento de tortura com o cão.

Raquel Caballero/Creative Commons

Em uma cidade quente como Natal, onde há diversos cães braquicefálicos (de focinho curto), como pugs, bulgogues franceses, ingleses e shitzus, é possível haver acidentes. Estes animais são muito sensíveis ao calor e por isso podem chegar a perder a consciência por aquecimento do corpo (hipertermia) e baixa oxigenação do sangue. Agora imagine este animal, sob estas condições, com uma corda no pescoço. Cada vez que ele tenta se aproximar de um cachorro para interagir, seu tutor segura e ele recebe um puxão bem na traqueia. Aquela dificuldade para respirar pode ficar ainda pior.

Mesmo que seja um profissional da área do comportamento, é quase impossível prever se a quantidade de força imposta pelo humano ou gerada pelo cão é a adequada. Ainda é mais difícil saber se é feita sem causar nenhum tipo de dano, físico ou emocional.

Isso aconteceu com a Pérola, uma vira-latinha que atendi. No auge dos seus 20 kg, após ser resgatada, a cachorra não permitia que ninguém entrasse na sua casa. Quanto mais a tutora tentava prendê-la, segurando com um enforcador, mais ela queria avançar. Ao trocar este por uma coleira peitoral de treinamento e ensinar o senta, Pérola ficou muito mais tranquila.

Wendy/Creative Commons

Além de não corrigir em nada o comportamento no animal, esta coleira enforcadora pode piorar mais a situação. Principalmente no caso de cães fortes, como pitbulls e rottweilers. Estas raças tendem a atacar mais, quando sentem dor.

Se você acha que é exagero meu, veja o posicionamento da veterinária comportamentalista Joice Peruzzi da Pet Estar em sua rede social:

“Já é cientificamente comprovado que enforcadores podem causar ou agravar problemas de comportamento a longo prazo nos cães. O pescoço é uma região extremamente sensível, delicada, por onde passam muitas estruturas importantes. Foi publicado um estudo, onde comprovou-se que o uso de qualquer tipo de coleira de pescoço aumenta a pressão intraocular dos cães, o que pode levar a problemas oftálmicos no futuro.

Hoje em dia contamos com diversos tipos de peitorais, adequadas para diferentes tipos de cães: para os que puxam, a que prende a guia no peito, para os mais tranquilos, etc. Não há porque não usá-las!”.

swong95765/Creative Commons

Nenhuma coleira irá corrigir o comportamento inadequado do animal. Esse papel é do ser humano, não de um equipamento. Se você utiliza enforcador de qualquer tipo com seu animal, procure o médico veterinário ou terapeuta comportamental para indicar a coleira mais correta para o perfil do seu peludo. Ele pode não chorar, demonstrar dor ou desconforto ao utilizar o enforcador, mas isso não quer dizer que ele se sente bem com os puxões.

O que mais buscamos é a felicidade e bem estar dos nossos pequenos. Não é mesmo?!

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