Karl Grawe/Creative Commons

Com as chuvas, aumenta o risco de uma doença que sempre preocupa nesta época do ano, a leptospirose, zoonose que pode passar dos bichinhos de estimação ao homem. Além da vacina, é necessário ter atenção nos passeios, manter limpa e manter o local onde os pets costumam ficar higienizado. Cuidados na hora do passeio também são indicados, para evitar que os pets brinquem em água parada, locais de enchente ou tenham contato, principalmente, com lixo e material trazidos de transbordo de bueiros.

A Leptospirose é uma doença bacteriana, causada por uma bactéria chamada Leptospira, que pode acometer cães, seres humanos, animais silvestres, roedores, animais de produção como bovinos, cavalos, ovelhas, cabras, porcos, entre outros. Segundo a médica veterinária da clínica Callvet, Cristiane Astrini, gatos também podem ser atingidos, mas a contaminação dos felinos com a doença é muito pouco frequente. “Acredita-se que eles sejam menos susceptíveis” pontua.

Sintomas

Os principais sintomas observados são febre, vômitos e diarreia (com sangue ou não), urina escurecida, tremores musculares, coloração amarelada na pele (icterícia), lesões oculares e fortes dores de cabeça.

Como contrai

Jan Truter/Creative Commons

Essa é a parte mais assustadora!

A principal forma de contágio é através do contato direto com a urina de animais contaminados. O principal transmissor é o rato. No entanto, outros indivíduos contaminados, como cães por exemplo, podem transmitir a doença da mesma forma.

Cães infectados, mas que ainda não estejam apresentando os sintomas, por estarem no período de incubação, podem eliminar a bactéria na urina da mesma forma. “Isso significa que, caso um cão tenha sido contaminado, mas ainda não apresente os sintomas, poderá transmitir a doença aos seus tutores, caso eles limpem sua urina sem usar luvas” alarma a veterinária. Essas bactérias podem ficar viáveis por longos períodos em solo úmido.

Dra Cristiane vivenciou esta situação em consultório. Uma tutora levou sua cadelinha para uma consulta de rotina. A veterinária contatou que a estava tudo bem, aparentemente com a paciente canina, mas já sua tutora…. estava amarelada. Foi então, que a veterinária solicitou o exame de sangue da cachorra e pediu para que a tutora fosse a um infectologista. Na mosca! Ambas estavam com leptospirose.

Sergey Yeliseev/Creative Commons

O contágio se dá pela penetração da bactéria através da pele e mucosas dos indivíduos (cães e seres humanos). Por isso que há uma maior possibilidade de contaminação onde ocorrem alagamentos. “A água contaminada por urina de roedores parada em bueiros, com a enchente, transborda e animais e pessoas se molham com essa água contaminada. As bactérias penetram pela pele e contaminam novas vítimas” diz Dra Cristiane.

A contaminação ocorre quando o pet tem contato com a urina do rato que fica parada em poças d’água, além de esgotos, bueiros e lama. Mas os cães também podem ser infectados pela urina ou sangue de outros animais que estejam contaminados.

Diagnóstico e Tratamento

Rob Bixby/Creative Commons

O diagnóstico é feito por meio de exames de urina e de sangue, para constatar a presença da bactéria causadora do mal. Se a doença for confirmada, o pet deverá ser isolado para o tratamento.

Sempre feito por médicos veterinários capacitados, o tratamento inicia-se com antibioticoterapia apropriada, soro para hidratação, terapia de suporte para os órgãos mais acometidos como rins e fígado, anti eméticos e protetores gástricos, entre outros.

Caso um tratamento apropriado não seja instituído, o paciente poderá vir a óbito por falência renal e hepática, além de choque séptico.

Prevenção e Vacinação

Wojtek Ogrodowczyk/Creative Commons

Segundo a médica a veterinária Karina Mussolino, gerente de clínicas da Petz para prevenir, é importante manter a carteira de vacinação dos pets em dia. “A imunização é uma forma de proteger também a saúde de todos que convivem com os pets dentro de casa”, alerta.

Mas a Dra Cristiane explica que há diversos tipos de leptospiroses, chamados de sorovares. “ As vacinas existentes previnem a contaminação contra quatro sorovares, mas há muitos outros que podem causar doença” aponta.

E continua: “quando o animal toma a vacina polivalente anual, v8 ou v10, geralmente estão contidos nela 2 ou 4 sorovares de leptospiras. No entanto, a imunização garantida pela vacinação contra leptospirose tem validade por 6 meses”. Assim, é necessário fazer um reforço vacinal a cada 6 meses somente de leptospirose.

Mas não pense que isso garante muita coisa. Mesmo vacinado, o cachorro pode contrair leptospirose. Por isso, é muito importante que pessoas e animais não tenham contato com água contaminada ou solo úmido, principalmente após longos períodos de chuva e de alagamentos. També, é bom evitar deixar o cachorro ter contato com aquelas poças ou xixis no meio da calçada. Vai que um primo do Mickey passou ali e deixou sua contribuição de urina….

yves Tennevin/Creative Commons

Alguns veterinários apontam que há grupos de risco, como aqueles cães que moram próximos a regiões de alagamento ou locais com muitos ratos. Porém, se você mora em São Paulo ou Nova York, com certeza há um ratinho morando no bueiro mais próximo a você. Assim sendo, a Dra Cristiane sugere que todos os cães, que passeiam nas ruas e podem correr o risco de pisar em água contaminada, devem ser imunizados semestralmente.

Assim como para dengue, zika, leishmaniose, dirofilariose e febre amarela, o controle do vetor deve é primordial para a prevenção. Os três principais fatores que propiciam a proliferação dos ratos urbanos são: água, abrigo e alimento. Locais com grande quantidade de alimento nos lixos são mais propícios à proliferação de roedores. Áreas com acúmulo de objetos parados tornam-se moradias. Ou seja, o que vale para mosquito, também vale para rato. Não deixe acumular água, lixo e matéria orgânica.