myri_bonnie/Creative Commons

Ter um cachorro bonzinho e educado em casa exige muita dedicação e paciência. Aqueles cães tranquilos, obedientes são o sonho de muitos tutores. Mas qual a melhor forma de ensinar a um cão o que é certo e o que é errado?

Diversas técnicas foram empregadas ao longo dos anos. Assim como a forma de educar as crianças mudou (vide a lei da palmada), os cães e gatos também devem ser ensinados de forma muito diferente de dez ou vinte anos atrás.

Criança que desobedecia, apanhava de cinta. Hoje, já sabemos que isso não resolve e ainda pode causar um grande trauma na criança. Mas acredita que algumas pessoas ainda educam seus animais de estimação com o mesmo pensamento da cinta?

Em pleno século XXI ainda há tutores e adestradores colocando em prática o puxão na guia para parar de puxar no passeio, o spray de água quando late, o esfregar de focinho quando faz xixi no lugar errado ou o dar bronca quando fez algo errado.

Yee Tong Loh/Creative Commons

Diversos estudos científicos demonstram que cães e gatos não compreendem a bronca. “Ah, mas meu cachorro sabe que ele fez algo errado, porque ele vai para a caminha e fica triste” você pode pensar. Esse comportamento não é de culpa, mas de medo. Sim, seu cachorro fica com medo, em pânico, sem saber o que você fará com ele, com uma cara e comportamento tão agressivo.

Não é por isso que ele deixará de fazer o que você considera como errado. Mesmo porque, ele não sabe o que ele fez indevidamente. Por isso, a melhor forma de ensinar um pet sobre o que pode ou não fazer, é recompensando positivamente o acerto.

Seu cachorro fez xixi no lugar certo, faça muita festa, carinho e dê um petisco. Seu gato está arranhando o local correto, faça muito carinho ou brinque com ele do que ele mais gosta. Seu cachorro está deitado calminho no chão, chame-o para brincar ou faça um carinho nele. Quanto mais recompensado ele for por um comportamento, mais frequentemente ele irá repetir.

Peter Guthrie/Creative Commons

Para quem ainda acha tudo isso papo para cão dormir, aqui vai uma historinha:

Um dia fui chamada para atender uma cachorra que latia e avançava em outros cães na rua. Claramente, percebi que a cadelinha morria de medo de tudo, inclusive da coleira, rua, pessoas, etc. Perguntei a tutora o que ela já tinha feito para resolver a situação. Ela me contou que havia contratado uma adestradora, a qual usou uma latinha com pedrinhas dentro para ser chacoalhada cada vez que houvesse um rosnado no passeio.

Perguntei à tutora se após a utilização da técnica da latinha o comportamento na rua piorou. Sem ter se dado conta anteriormente, ela refletiu e chegou a conclusão que sim. Antes a cachorra não avançava em pessoas, apenas em cães. Agora, ela avança até em quem está passeando com ela.

Agora imagine você, morrendo de medo de passar por uma situação e vem um cidadão fazendo um barulho insuportável na sua orelha, sem que você possa reagir a isso ou se desvencilhar dali. A utilização da latinha (punição) causou um trauma ainda maior naquele ser indefeso e amedrontado.

Beverly & Pack/Creative Commons

Ainda está em dúvida sobre a punição? Vamos a mais um exemplo:

Fui gravar uma entrevista com uma cachorra e seu tutor. Percebi que a pequena usava uma coleira diferente. Perguntei ao tutor, que logo me respondeu: “é uma coleira anti-latido. Cada vez que ela late, dá um leve choquinho para ela parar de latir”. Continuei a perguntar: “E funcionou?”. Ele, com cara desapontada respondeu: “Nada, ela é tão agitada, que pode latir o quanto for, que o choque nem faz mais efeito”. O indicado pelo adestrador era aumentar a potência do choque para que voltasse a fazer efeito. Mas (ainda bem) o tutor não quis.

Austin Kirk/Creative Commons

Só mais um caso, para você não ficar com a pulga atrás da orelha:

Um tutor me procurou para que sua cadelinha aprendesse a fazer xixi dentro de casa. Ela só fazia na rua e isso estava causando uma certa dor de cabeça. Ao questionar sobre como ela começou a fazer suas necessidades apenas na rua, o tutor contou que, quando ela era filhote, ao fazer xixi dentro de casa, ele gritava e batia o jornal no chão. A intensão era que ela aprendesse a fazer xixi somente no jornal, mas não funcionou.

Hoje, a cachorra prende 12 horas se preciso for. Mas o xixi e o cocô, somente na rua, onde tem a garantia que não vai levar grito e nem susto de jornal. Ela associou que fazer xixi e cocô é errado. Para resolver essa história, muita, muita, muita terapia e recompensa positiva toda vez que ela faz xixi.

Para facilitar o entendimento deste tema, ainda tão controverso entre alguns profissionais, aqui estão três vídeos. Neles explico o que é punição positiva e negativa, quais os tipos de punição mais usados, seus efeitos e como resolver os problemas de comportamento do seu peludo.