Hollingsworth18/Creative Commons

Muito negligenciado por alguns médicos veterinários, o verme do coração faz cada dia mais vítimas entre a população de cães e gatos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (SBCV) convidou alguns artistas, apaixonados por seus pets, para abraçarem a causa.

Um dos temas mais abordados no verão é a prevenção contra o Aedes aegypti, inseto vetor da zika, dengue e chikungunya. Mas você sabia que mosquitos podem causar doenças graves aos cachorros? Uma delas é a dirofilariose, doença parasitária provocada por vermes que se alojam, principalmente, nas artérias que saem do coração dos cães. Muitas vezes assintomática no início, a enfermidade – também conhecida como “verme do coração” – pode levar o animal à morte.

O verme Dirofilaria immitis, causador da dirofilariose, pertencente à classe dos nematódeos (mesma família das lombrigas), é uma grande ameaça aos cães, gatos e furões, assim como mamíferos selvagens (lobos, raposas, entre outros).

A transmissão da doença se dá por um mosquito que, ao picar um animal já infectado, suga larvas minúsculas (as microfilárias) que vivem na corrente sanguínea dos animais. São mais de 60 espécies diferentes de mosquitos que podem transmitir a doença.

Em um período de duas ou três semanas, o verme cresce e migra para a boca do inseto que, ao picar outro animal, transmite a doença. Em cerca de três meses as larvas terminam a migração até o coração, onde podem atingir o comprimento de até 35 centímetros. O período entre o animal ser picado por um mosquito infectado, até os vermes se tornarem adultos, é de cerca de seis meses em cães e oito meses nos gatos.

“Os animais podem ter centenas de vermes no coração e nos vasos. Os vermes adultos obstruem vasos sanguíneos que ligam o coração aos pulmões, por exemplo. Em casos mais graves, os vermes enchem o ventrículo direito do coração, levando o animal à morte”, completa a Dra. Vanessa Ferraz, proprietária da clínica Strix.

Imagem: Zoetis

Principais Sintomas

Tosse

Cansaço para fazer coisas cotidianas, como passear ou subir escada

Falta de ar

Falta de apetite

Perda de peso

Apatia

Por que a doença está aumentando?

Ben B/Creative Commons

A grande preocupação é pelo aumento expressivo no número de animais diagnosticados com a doença. A explicação está no próprio transmissor.

O mosquito costumava viver em regiões de água salobra e de matas virgens, pouco tocadas pelo homem. O local mais comum, onde é ainda encontrado é do litoral do Rio de Janeiro, até o litoral nordeste e norte brasileiro. No estado de São Paulo, o litoral norte tem mais relatos da doença, quando comparado ao litoral sul paulista.

Há 20 anos atrás, não era comum casos de dengue em cidades distantes do litoral. Isso porque o mosquito transmissor da doença, Aedes aegipty, não se adaptada a regiões mais frias e menos úmidas. Porém, o poder de adaptação deste flebótomo (inseto que que alimenta de sangue) é enorme. Agora, é possível contrair a doença nos grandes centros urbanos, como São Paulo ou Brasília.

O mesmo ocorreu com a dirofilariose. O flebótomo que transmite a larva aos cães e gatos costumava ser encontrado somente em regiões litorâneas. Todavia, ele se adaptou a novas temperaturas e diferentes ambientes e já pode ser encontrado em cidades próximas a diversas metrópoles brasileiras. Mas o maior número de casos, ainda se concentra em regiões litorâneas.

O que dizem os estudos

Hospital Veterinario Taco. Santa Cruz de Tenerife. Islas Canarias./Creative Commons

No último estudo sobre a incidência da doença no país, a frequência média de infecção por Dirofilaria immitis foi de 23,1%; ou seja, quase um entre quatro cães. O estudo anterior, realizado em 2001, havia registrado uma incidência de 2%. Cerca de 1.600 animais de diversas regiões do Brasil foram avaliados nesta pesquisa mais recente, conduzida pela Dra. Norma Labarthe, auxiliada por especialistas de diversas universidades brasileiras, entre elas a Universidade Federal Fluminense e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

O estado fluminense registrou a maior incidência de animais infectados, pois as altas temperaturas combinadas à proximidade do litoral são adequadas para que as fêmeas de algumas espécies dos gêneros Culex, Ochlerotatus e Aedes se reproduzam. Em Armação dos Búzios, 62,2% dos cachorros foram diagnosticados com antígenos de fêmeas adultas de Dirofilaria immitis. Na região oceânica de Niterói, 58,6%, em Cabo Frio, 27,5%, e em Mangaratiba, 16,3%. Em São Paulo, Bertioga registrou frequência média de infecção de 7,6% e Guarujá, 2,8%.

No Nordeste, as maiores incidências estão na Ilha de Itamaracá, 49,5%, e no Recife, 36,7%, em Pernambuco. Na Bahia, Salvador registrou média de 20%, enquanto Lauro de Freitas, de 20,3%.

No Paraná, a cidade de Guaraqueçaba apresentou frequência média de infecção de 31,8%, Pontal do Paraná, 26,3%, e Guaratuba, 24,5%. Em Santa Catarina, Florianópolis registrou 2,1% e Araquari, 7,3%.

Prevenção

Trish/Creative Commons

Antes de pensar em qual produto utilizar, é muito importante fazer o teste para verificar se o animal tem ou não a doença. Os dois principais são através do sangue: sorologia (pesquisa do próprio verme) e o outro é a pesquisa de microfilária. Principalmente se morar em regiões endêmicas, como Rio de Janeiro e cidades do Norte e Nordeste do país.

Com o resultado negativo, deve ser avaliado, junto ao médico veterinário, a melhor estratégia a cada animal. Se tiver mais de 5kg, é possível utilizar um medicamento anual, chamado ProHeart. Não é uma vacina, mas um preventivo de ação lenta. O produto pode ser incorporado ao calendário anual de prevenção de doenças dos cães a partir dos seis meses de idade. “O ProHeart SR-12 contém um sistema inovador de microesferas lipídicas que liberam a moxidectina (endectocida) de forma lenta aos tecidos, permitindo que o animal permaneça protegido contra infecções por um período de 12 meses”, explica a diretora de Animais de Companhia da Zoetis, Simone Leiderman.

Se o seu peludo tiver menos de 5 kg ou não puder tomar o ProHeart, há inúmeras coleiras e pipetas (topspot) com repelentes de mosquitos. A maioria delas repele contra os transmissores da dirofilariose. Veja naquelas letras miúdas, se diz que previne contra a doença, para garantir a saúde do peludo. E não se esqueça de reaplicar o produto, conforme instrução na bula.

A prevenção mais básica de todas é a mesma da dengue: não deixe água parada, tampe as caixas d’água e não acumule lixo no quintal e rua. Se o mosquito não conseguir se reproduzir, não picará nossos amados bichinhos.

A campanha

Celso Zucatelli, Fabíola Reippert, Anderson Bizzocchi (dos Barbixas) e euzinha fomos convidados para participar de um vídeo explicativo sobre a doença. A intenção era conscientizar os tutores sobre a existência da dirofilariose, como é transmitida e como prevenir.

A escolha das pessoas se deu pela exposição na mídia e pelo amor aos seus pequenos. Inclusive, quando feito o convite e explicada a gravidade da doença, todos se preocuparam em fazer os testes nos seus filhotes peludos, para garantir que estavam todos bem.

“Estamos muitos satisfeitos com o resultado da campanha. Acredito que a dirofilariose hoje não é algo mais tão desconhecido do público em geral. Inclusive o nome da doença já é muito mais citado em relação a alguns meses atrás, quando só se falava sobre o verme do coração. Toda essa campanha gerou atenção não só dos tutores, mas dos próprios médicos veterinários, em busca de mais informação” explica a médica veterinária cardiologista, Lílian Petrus, presidente da SBCV.

Se você mora em área endêmica ou tem costume de passear com seu peludo por essas regiões, busque o médico veterinário para fazer o teste. Quanto mais cedo por detectada a doença, mais rápida e maior chance de cura!

Se você for viajar com seu animalzinho neste final de ano, não esqueça de verificar se o destino é área endêmica de dirofilariose e faça logo a prevenção!