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Depois da geração de crianças criadas por babás, chegamos a de cães e gatos cuidados por faxineiras e motoristas. Será que isso faz bem ao cão/gato?

Basta ir em um parquinho, para observar crianças brincando e diversas mulheres de branco em volta. A maioria babás. Uma ou outra mãe interagindo com seu filho. Estamos em uma geração que crianças são criadas pelas babás e pela escola. A responsabilidade da educação e do cuidado está sendo terceirizada.

Isso não acontece apenas com os filhos humanos, mas os peludos também. Muitos cães e gatos são de responsabilidade do funcionário da casa. É ele que alimenta, leva para passear e leva para dar banho. Alguns até levam para a consulta do veterinário.

Com a nossa vida corrida, cada vez passando menos tempo em casa, ter alguém para lhe ajudar pode ser fundamental. A questão não é essa. O grande problema aqui não é ter alguém para ajudar no cuidado da casa ou mesmo dos filhos (humano e peludo), mas delegar este cuidado, isentando o(a) pai/mãe/tutor(a).

A situação que me angustia é observar pessoas desejando apenas a diversão, os momentos de prazer com o cão/gato. Sem perceber suas necessidades, sem olhar de verdade para o que o animal busca ou como ele se sente confortável.

Tristeza aos finais de semana

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Um dia, fui chamada para atender um gato com sérios problemas comportamentais. O distúrbio era tanto, que estava colocando em risco a própria saúde dele. Já havia parado no hospital algumas vezes. Mas algo me chamou atenção. Todas essas vezes, era final de semana ou feriado.

Logo que cheguei na casa, o tutor disse que precisava sair. Mesmo tendo marcado a consulta e eu avisado que todos da casa deveriam estar presentes. Ele disse que elas, as cuidadoras da mãe, saberiam me contar tudinho o que ocorria.

Dito e feito. Elas sabiam absolutamente tudo sobre o gato! Brincadeira favorita, horário de alimentação, frequência de vômitos, horário de sono, vacinação, idas ao veterinário e hospital, etc.

Percebi, ao longo da consulta, que uma delas tinha uma ligação mais forte com o bichano, e vice-versa. Bastava ela chegar em casa, que ele corria para brincar e ficava muito calmo. Aos finais de semana, ela tinha folga. Outra cuidadora chegava. Esta não gostava do gato, mas também não judiava. Apenas ignorava a presença do fofinho.

Você já deve estar pensando o mesmo que eu: para o gato, a tutora dele era a cuidadora. Era ela quem cuidava integralmente dele. Ela que compreendia cada miado. O tutor? Apenas brincava cinco minutos a noite e pronto. Ele delegou todo o cuidado e responsabilidade do gato para a funcionária. E se ela pedisse demissão? O gato ia junto?

Personal Dog

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Você se indignou com este caso? Pode ir mais longe!

Está na moda contratar um único profissional para ser Personal Dog. Ele é totalmente responsável pelo cachorro. Ao invés de ter passeador, adestrador, taxidog, hotel, você contrata apenas um e ele faz tudo por você. Desde limpar xixi e cocô e levar ao banho, até levar seu cão ao veterinário e aplicar todas as medicações necessárias. A única responsabilidade que cabe ao tutor é…. NENHUMA!

A pergunta é: quem contrata esse tipo de profissional?

Muito simples! Aquelas pessoas que querem ter um ursinho de pelúcia para brincar quando, e somente quando, desejarem. Não querem se preocupar com nada. Compram tudo do bom e do melhor (na visão deles), mas não compreendem o que o latido ou o rabo baixo querem dizer.

Criar um cachorro ou um gato é muito mais do que uma companhia ou uma fonte de carinho. É preciso entender todas as necessidades do animal e supri-las. Fazer isso você mesmo, sem delegar esta atividade para ninguém.

Não estou dizendo que você não pode deixar seu cão no hotel, ou contratar uma cat sitter para cuidar do seu gato, enquanto trabalha. Estou falando de delegar a responsabilidade do bem-estar do animal a outra pessoa.

Se o gatinho, do caso relatado, ou o cachorro, cuidado pelo personal dog, tivessem que escolher com quem gostariam de ficar para sempre, quem eles escolheriam? Eles não se importam com a casa de luxo ou com o perfume mais caro. Eles querem amor, atenção e serem compreendidos.

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Os animais não estão aqui para nos servir. Não é pelo fato de uma pessoa amar gatos, que ela deve ter 4 ou 5. Antes, ela deve pensar se ela tem espaço físico (na casa, por exemplo) e de tempo (em sua rotina) para adquirir estes animais. E se está disposta a oferecer todas as necessidades básicas deles.

Não adianta ter 4 gatos em um apartamento pequeno, onde só cabe uma caixa de areia. Mesmo que limpe duas vezes ao dia. Se não há espaço suficiente, não tenha tantos gatos. O mesmo vale para cachorro.

Se você não tem tempo de passear diariamente com o cachorro, talvez você precise rever as suas prioridades e a possibilidade de ter, ou não, um cachorro.

Mas se você está disposto a compreender cada movimento de orelha ou olha do seu peludo e oferecer atividades que aumentem o bem-estar dele: parabéns! Você é um exemplo de tutor! Compartilhe sua experiência! Mostre aos seus amigos e familiares como é bom poder ter um bichinho para amá-lo e cuidar integralmente dele!