É certo que a expectativa de vida dos nossos avós é maior do que a das gerações que os antecederam. Além de viverem mais, o ideal é que eles vivam melhor. Hoje em dia vive-se mais, mas, em boa parte dos lares, às custas de muitos remédios, com algumas limitações físicas ou mentais ou tendo que conviver com desconfortos de todos os tipos. Muita gente acredita que as doenças ou os incômodos sentidos na terceira idade dificilmente serão revertidos nesta fase da vida. A boa notícia é que estão enganados.

 

Todos os dias 50 milhões de células se renovam no nosso organismo, o que pode ser uma oportunidade diária de aprimorarmos a nossa matéria-prima para obtermos resultados  diferentes do que vínhamos obtendo. A alimentação, por ser normalmente a principal causa da maioria dos males que sofremos, pode também ser a nossa maior aliada para combatê-los. Nunca é tarde para aprimorar os hábitos alimentares e se beneficiar com os resultados e, diferentemente do que se pensa, mudar alguns deles pode não ser tão difícil, pois os idosos têm a referência dos alimentos que costumavam comer na infância, aqueles que ficam gravados na nossa memória afetiva, quando o predomínio era da boa e velha comida de verdade, pois era só o que existia há mais de seis décadas atrás.   

 

Existem algumas dicas simples que valem para todos nós e, em especial, para aqueles que já viveram bastante.

 

Coma bem, ainda que em pouca quantidade

Normalmente os idosos sentem menos fome e isso é normal. Mas ainda que o volume de comida seja pequeno, ela deve ser de ótima qualidade. É muito importante que se consuma todos os nutrientes necessários para funcionarmos e eles só serão encontrados em uma refeição completa, com representantes de todos os grupos alimentares, cereais e leguminosas (arroz com feijão) carnes, verduras, legumes e frutas.

 

Capriche no jantar

Muitas pessoas que moram sozinhas perdem um pouco o ânimo de cozinhar apenas para si mesmos e substituem as refeições principais por frutas, saladas, sanduíches ou copos de leite com biscoitos. O jantar costuma ser o primeiro a ser abolido, mas por ser a última delas, é a que está mais próxima do sono, uma etapa crucial para a renovação celular. A matéria-prima que damos ao nosso organismo antes de dormir, mais precisamente até umas duas horas antes de pegarmos no sono, irá ajudá-lo ou atrapalhá-lo e com ele, todas as funções que são cumpridas pelo organismo.

 

Não fique mais de três horas sem comer

A falta de apetite pode fazer com que os idosos se esqueçam de comer. Mas depois de três horas de jejum, as chances de se sentirem fracos ou com tontura, aumenta com a idade. Não é preciso fazer grandes refeições, uma fruta nos intervalos já é suficiente para deixar o organismo mais ativo.

 

Tome muita água

É comum que os idosos se esqueçam de tomar água, mas nesta fase da vida uma boa hidratação é fundamental para melhorar a circulação, aumentar a oxigenação cerebral, para hidratar a pele, que costuma ser mais ressecada, evitar cálculos renais e de vesícula, melhor o funcionamento do intestino e do organismo como um todo.

 

Esqueça do leite de vaca

A maioria dos idosos costuma ouvir de seus familiares e até de seus médicos que é muito importante aumentar o consumo do leite de vaca, que seria um grande aliado da saúde óssea. Mas ao contrário do que se pensa, este alimento pode ser responsável por retirá-lo de dentro dos ossos. No início deste blog escrevi um post bem detalhado sobre este assunto: O mito do leite como fonte de cálcio.

 

Cuidado com o açúcar

Na terceira idade, muita gente passa a comer o que tem vontade, sem controlar a frequência ou a quantidade, porque já deixou de se preocupar com a aparência, o que há alguns anos poderia ser um impedimento. E os doces estão entre os alimentos que costumam ser incorporados em suas rotinas com o seguinte pensamento: ‘nessa altura da vida não vou mais passar vontade’. É bom tomar bastante cuidado porque o açúcar atua diretamente no cérebro e o seu excesso pode ser uma das causas dos distúrbios degenerativos, comuns nesta fase da vida, entre aqueles que tenham predisposição genética para desenvolvê-los.

 

A máxima de que ‘nunca é tarde para começar’ nunca esteve tão viva.