natal

É só a primeira luzinha natalina começar a piscar que a minha vontade de cozinhar aumenta. Eu cultivo este hobbie durante todo o ano, menos do que gostaria, por causa da falta de tempo, mas nesta época parece que ele me traz ainda mais prazer. Sou bem tradicional, gosto de montar a árvore, de ver a família reunida em volta mesa. Fico pensando no que vou preparar para a ceia, para o dia de Natal, procuro receitas, faço testes. Às vezes recorro à internet, mas gosto mesmo é dos livros de receita, eles já ficam na minha cozinha, em meio a muitas anotações encontro um pouco de farinha, algumas gotinhas de óleo, que provam que eles são mesmo usados.

 

Esta semana vou encontrar com as minhas primas e vamos manter a tradição da nossa família. O encontro não será em um bar ou em uma lanchonete, será em casa, com bastante afeto e comida caseira, cada uma leva um prato, como sempre acontece em todas as festas. Aprendemos com as nossas avós e com as nossas mães e espero passar para o meu filho. No Natal será assim também. Cada um prepara o que sabe de melhor para demonstrar amor, carinho, amizade, gratidão, tudo por meio da comida. Sei que muitas famílias farão o mesmo, mas sei também que em muitas casas este tipo de encontro só acontece em datas muito especiais.

 

Tenho uma avó de origem libanesa e uma de origem italiana, as duas adoram reunir os filhos, os netos e o bisneto nos domingos para cozinhar para nós. Desde que eu nasci é assim. Almoçamos todos os domingos na casa de uma delas e jantamos na casa da outra. Irmãos, primos, tios, sobrinhos, todo mundo se encontra e coloca o papo em dia. Como foi a semana, problemas ou alegrias no trabalho, planos para o futuro, dicas de filmes, séries, livros, receitas. Uma tradição que já tem mais de trinta anos e ninguém se atreve a mudar.

 

Durante a semana é bem mais difícil fazer as refeições em família, meu filho, por exemplo costuma jantar às seis da tarde, meu marido chega em casa por volta das dez da noite. Eu não tenho fome para acompanhar o primeiro e nem disposição para esperar o segundo. Mas sei da importância de compartilhar estes momentos. A hora da refeição é uma ótima oportunidade para estreitar a comunicação entre as pessoas, por exemplo. Para as crianças, é a melhor maneira de aprender a seguir os hábitos alimentares dos adultos (espero que sejam bons hábitos). Se nesta refeição for servida uma comida caseira, melhor ainda. Em casa, tomamos o café da manhã sempre  juntos e mesmo que eu não vá comer nada, fico na mesa com o meu filho enquanto ele está comendo. Ter mais refeições em família está na minha lista de resoluções para 2017. Ainda não sei como vou fazer, mas vou tentar.

 

Atualmente os brasileiros têm tido cada vez menos tempo, ou interesse, para cozinhar e para compartilhar as refeições. O café da manhã, quando não é ignorado, muitas vezes é tomado no carro, no trabalho ou na padaria. O almoço é feito na rua e o jantar sempre dá lugar a um sanduíche, a uma pizza, a um pacote de bolacha ou até à pipoca de micro-ondas. Eu entendo as dificuldades de colocar mais uma tarefa na rotina atribulada, como cozinhar, por exemplo. Mas noto também que aos finais de semana, nada muda. E quanto mais se deixa de lado o hábito de cozinhar em casa, mais sobem as taxas de obesidade, entre adultos e crianças, os casos de hipertensão, de diabetes, de problemas cardíacos e mesmo sintomas como enxaqueca constante, rinite, sinusite, gastrite, depressão, ansiedade, entre muitos outros sinais de que a sua alimentação pode estar te prejudicando. Que tal então aproveitar o clima natalino e, sempre que possível, levar este espírito para o resto do ano?