Alimentação Infantil

Não desista de fazer o seu filho comer

Por Juliana Carreiro

28/11/2016, 19h43

   

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Li recentemente alguns artigos de pediatras pedindo aos pais que não obriguem seus filhos a comer. Concordo plenamente que o momento das refeições não pode ser associado a choro, gritos, brigas e negociações, se isso acontecer a criança certamente criará uma relação ruim com a comida. Mas acho que também não podemos ir para o outro extremo e deixar que eles comam sempre o que preferirem, dificilmente serão os melhores alimentos para eles. Nesta etapa da vida estão em pleno desenvolvimento e isto faz com que o organismo tenha muitas necessidades nutricionais, ele precisa de refeições completas e muito ricas em nutrientes para se desenvolver. Se tiverem uma boa alimentação durante a infância estarão fortalecendo o sistema imunológico e prevenindo doenças para o resto da vida. Por isso é tão importante nos esforçarmos para criar hábitos saudáveis desde cedo, e é muito mais fácil do que tentar corrigi-los mais tarde. 

Estudos publicados pela revista científica Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria, comprovaram que as preferências alimentares definidas nos dois primeiros anos de vida, costumam acompanhar as crianças por muitos anos. E o contrário também acontece, ainda segundo estes estudos, as crianças que consumiam poucas frutas e legumes quando bebês permaneceram com o mau hábito até os 6 anos. Por isso o ideal é que tenhamos bastante paciência, persistência e criatividade.

Tenho um filho de 3 anos e converso muito com as minhas amigas que são mães, sei que os pequenos reagem de maneiras diferentes diante da comida e mesmo na minha casa há dias em que o meu filho está mais ou menos disposto a comer frutas, verduras e legumes, por exemplo. Já pode ter acontecido com você ou com algum conhecido, os bebês que comiam de tudo, se tornam crianças seletivas. Isto é chato, mas é normal. Vou compartilhar aqui algumas táticas que uso em casa e sei que funcionam, pelo menos por lá. Não é manual porque as crianças são muito diferentes, mas não custa tentar não é?

-Deixe o pequeno sem comer por cerca de 2 horas e meia antes do almoço e do jantar para que ele sinta fome na hora da refeição;

-Crianças que consomem leite de vaca, açúcar e sal em excesso (presentes em ultraprocessados como bolachas, salgadinhos e sucos de caixinha) ficam com o paladar pouco sensível a sabores sutis como os de frutas, verduras e legumes e tendem a rejeitá-los;

-Não dê líquido com as refeições. Eles farão com que os pequenos fiquem satisfeitos muito rapidamente e ocuparão o espaço dos alimentos. Além disso, é um bom momento para criar neles este hábito saudável. Para evitar que eles fiquem com sede, deixe a comida úmida, com mais caldinho de feijão, por exemplo;

-Não se conforme se ele disser que não gosta de um alimento. Meu filho acha bonito dizer que não gosta de espinafre, mas adora. Sempre que eu refogo com ovo ou carne moída ou coloco na omelete, ele come tudo. Isto não é obrigá-lo a comer;

-Mesmo que ele experimente algo e não goste, tente novamente dali a alguns meses. Quando o meu filho era muito pequeno não gostava de uva, ficava aflito com a textura. Hoje é uma de suas frutas preferidas. Eu só sei disso porque não parei de oferecer. Que também é bem diferente de obrigá-lo a comer;

-Ofereça o mesmo alimento de formas diferentes. Quando eu dei quiabo ou berinjela refogados isoladamente ele não gostou. Mas gosta de torta de berinjela ou do quiabo cozido junto com arroz integral e lentilha por exemplo;

-Se apesar de tudo isso ele se recusar a comer comida, não ofereça algo que ele gosta no lugar, como leite ou um biscoito doce por exemplo, que será de fácil aceitação. Eu entendo que é angustiante pensar que o filho vai ficar sem comer, meu marido diz até que eu sou neurótica com isso. Mas se ele perceber que ao se recusar a comer comida vai ganhar um biscoito, fará disso um hábito. O que você pode fazer é oferecer outro tipo de comida salgada no lugar, algo típico de um almoço ou jantar, como um ovo cozido, se ele gostar ou cenoura em palitinhos, por exemplo. Por aqui funciona.

-Ofereça também aqueles alimentos que você não gosta. Já vi muitas mães orgulhosas porque seus filhos não gostam dos mesmos alimentos que elas. Eu fico orgulhosa se as opções dele forem mais variadas do que as minhas. É um sinal de que ele irá se alimentar melhor;

-Respeite a quantidade de comida que ele quer comer. Não o faça comer mais do que o necessário. Ele saberá quando está satisfeito e esta quantidade será a ideal. É mais importante a variedade e a qualidade dos alimentos, do que a quantidade que será ingerida;

-Respeite também os gostos pessoais. Ninguém é obrigado a gostar de tudo. O problema é quando não se gosta de nada ou não querem sequer experimentar;

-Ofereça sempre uma fruta após a refeição. Ajuda a matar a sede, complementa a oferta de fibras e vitaminas e ajuda na digestão e na saciedade. Meu filho acaba de comer e fala: agora a frutinha.

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