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Entenda porque as dietas não funcionam e ainda prejudicam a sua relação com os alimentos.

Dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Eu concordo e acho que, no Brasil, todos têm um pouco de nutricionista também. Faça o teste, entre em uma roda de conversa, real ou virtual, e diga que precisa emagrecer. Com certeza você receberá incontáveis dicas de todos os tipos. Por isso hoje vou falar sobre as dietas.

Pra começar é bom diferenciá-las da reeducação alimentar, que para mim é a melhor opção. Se a primeira costuma restringir o rol dos alimentos que podem ser consumidos, a segunda amplia muito este repertório, amplia tanto quanto for necessário para que o adepto encontre opções que o agradem em todos os grupos alimentares e que, por isso, poderão passar a fazer parte do seu cotidiano. A dieta empobrece o organismo, pois diminui a variedade de nutrientes ofertados. A reeducação o enriquece. Uma tende a ser temporária, a outra, permanente. Uma é solitária, a outra coletiva.   

Eu poderia falar sobre a dieta paleolítica, que parece ser a do momento, a do Dr. Atikns, que elimina os carboidratos do cardápio, ou sobre os adeptos da dupla frango e batata doce. Mas não quero focar em nenhuma delas. A reflexão aqui é conceitual.

Pra começar, a dieta é sempre vista como uma fase de sacrifícios, que acaba sendo passageira, porque afinal ninguém aguenta ficar sofrendo por muito tempo. E aí terminado o transtorno, vem a tão sonhada recompensa: se esbaldar, enfiar o pé na jaca, cair de boca na comida, comer muito de tudo que se abriu mão.

Cria-se assim dois estereótipos: a alimentação saudável, ou considerada saudável, é chata, sem graça e sacrificante. E os alimentos considerados como vilões das dietas, normalmente os doces, a gordura e os carboidratos trazem de volta o conforto e a alegria. Quem já leu os meus outros textos sabe que eu sou do time que associa comida a afeto sim, mas sei por experiência própria que é possível ter uma alimentação equilibrada e cheia de precursores de serotonina. Quando adotamos uma rotina alimentar balanceada e agradável, com pratos saborosos e sem muito radicalismo, ela não terá prazo de validade. É bom lembrar sobre o efeito sanfona ou iô iô de quem começa uma dieta, emagrece e volta a comer como antes.

Me parece que ser radical e cortar totalmente algum grupo alimentar do cardápio, proteínas, carboidratos ou gordura, por exemplo, é mais fácil do que tentar encontrar o equilíbrio. Porém, no post 10 erros comuns de quem quer emagrecer, já mencionei os motivos pelos quais estas dietas restritivas não funcionam.

Outra grande falha conceitual que vejo nas dietas é que elas são feitas, normalmente, com um fim específico: emagrecer, reduzir o colesterol, a pressão, o triglicérides. Quando é assim, apenas o membro da família que tenha o diagnóstico é que se submete a ela. O problema é que os hábitos alimentares são, na maioria dos casos, repetidos por todos as pessoas da família e se estes hábitos causaram o dano que se está tentando reparar em um dos membros, possivelmente, também estão sendo nocivos para os demais, ainda que as consequências não sejam visíveis ou imediatas. Vou dar um exemplo: em um lar com um casal e dois filhos onde se consome muitos produtos ultraprocessados, muita fritura e poucos alimentos naturais, a mulher pode apresentar excesso de peso e os outros três não. Apenas esta mãe irá tentar mudar a forma como se alimenta. Com o tempo, a alimentação equivocada dos demais poderá causar distúrbios de atenção em um dos filhos, cansaço excessivo no marido e crises de enxaqueca no outro filho, por exemplo. Enquanto as dietas focam apenas na redução do peso, a reeducação alimentar pode resolver inúmeros  problemas de saúde que normalmente nem são associados aos alimentos.

Vou completar os meus argumentos em prol do equilíbrio com um raciocínio simples. Nunca se teve tanto acesso à informação quanto hoje. Na internet ou em revistas especializadas o que mais se vê são diferentes opções de dietas, cardápios completos montados para um dia, uma semana, uma mês, receitas fit, dicas, listas e mais listas: 10 alimentos que devem ser eliminados, 10 alimentos que engordam, 10 dietas milagrosas…. Ao mesmo tempo, o percentual de brasileiros que está acima do peso só tem aumentado. Será que se tudo isso funcionasse esse problema já não estaria resolvido?