Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. É uma oportunidade de falarmos sobre a doença crônica não-transmissível que mais cresce no mundo. É também mais uma chance de lembrarmos que é um mal prevenível e difícil de ser revertido, embora não seja impossível. É hora de prestarmos mais atenção nos nossos hábitos alimentares e, principalmente, nos que estamos transmitindo para os nossos filhos. É mais um momento para ressaltarmos a importância que a nossa alimentação tem na nossa saúde, como uma forma de prevenir doenças ou de causá-las.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, 13 milhões de brasileiros sofrem com a doença atualmente. Nos últimos dez anos esse número cresceu mais de 60% e a previsão é que siga aumentando em ritmo acelerado. Em 2035, o chamado Mal do Século deve atingir 19 milhões de pessoas no nosso País. Nos Estados Unidos, segundo o CCD, Centro de Controle de Doenças, um terço dos habitantes deverá desenvolver a doença até 2050. 90% dos casos são de diabetes tipo 2, relacionado a erros alimentares. Embora este tipo da doença seja mais comum entre adultos, também tem crescido o número de crianças atingidas por ele.

 

Os alertas sobre o crescimento do diabetes e sobre as suas principais causas não são recentes. Há muitos anos já ouvimos falar sobre isso, mas parece que nenhuma atitude é tomada, nem dentro das casas, nem nos espaços públicos como escolas e hospitais, com alterações nas merendas e campanhas de conscientização, nem na elaboração de leis mais rígidas para a indústria de alimentos e para as propagandas de produtos alimentícios. Já existe até um documento para nortear as ações preventivas, o Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em 2014, cuja principal recomendação é: reduza o consumo de produtos alimentícios processados, exclua os ultraprocessados e aumente o contato com os alimentos in natura. O que vemos é justamente o contrário, assim como os norte-americanos, os brasileiros têm aumentado o consumo de ultraprocessados e diminuído o de comida de verdade.

 

Muita gente acredita que a doença é causada principalmente pelo consumo excessivo de açúcar, mas não é verdade, sua principal causa é a resistência à insulina, um processo inflamatório, causado por diversos fatores. O consumo excessivo do glúten, da soja e das proteínas do leite de vaca estão entre eles por conta do seu potencial alergênico e inflamatório, assim como a presença frequente de açúcar, adoçantes artificiais, como aspartame, sacarina sódica, sucralose, xarope de milho e aditivos químicos na alimentação. Todas essas substâncias, que estão presentes nos ultraprocessados, alteram a microbiota intestinal e aumentam a quantidade de endotoxinas, ações que também promovem processos inflamatórios que favorecem a resistência à insulina. Outro fator que colabora com o desenvolvimento do diabetes tipo 2 é o baixo consumo de vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos presentes em frutas, verduras e legumes, que protegeria o nosso organismo contra todos estes efeitos nocivos.

 

Outro engano comum é associar a diabetes com as pessoas que estão acima do peso. Isto é um erro perigoso porque muitas pessoas que não têm tendência a engordar ignoram os riscos de uma rotina alimentar desequilibrada. Para que a diabetes tipo 2 se desenvolva é necessária uma predisposição genética, associada aos erros na alimentação, não é preciso estar acima do peso. Também é uma doença que demora para apresentar sintomas e, por isso, pode ter um diagnóstico tardio, muita gente pode estar com ela hoje e nem saber. Entre aqueles que não estão acima do peso, esse subdiagnóstico é ainda mais frequente, porque eles demoram para procurar ajuda médica e para fazer os exames necessários para descobri-la.

 

Agora uma boa notícia. Se você sofre de diabetes, pode conseguir revertê-la, principalmente se estiver no início, ou ainda conviver com ela diminuindo os remédios e mantendo a qualidade de vida, sem o aparecimento dos seus possíveis desdobramentos, como problemas de visão e de cicatrização. Mas para isso é preciso de ajuda profissional para combater a sua verdadeira causa, a resistência à insulina, e não isoladamente o excesso de açúcar no sangue, que seria o seu sintoma. O combate à resistência à insulina passa por mudanças alimentares permanentes e atividade física regular. Tratar apenas o excesso de açúcar no sangue é como dar antitérmico para alguém que está com uma febre causada por uma bactéria. Se você combater apenas a febre, não acabará com a bactéria que a está causando. Portanto não acredite que o diagnóstico de diabetes irá acabar com a sua qualidade de vida, procure alguém que saiba como reverter as causas da doença e se empenhe em realizar as mudanças necessárias para isso. Se você não tem diabetes, está na hora de repensar os hábitos e talvez até de modificá-los para melhor.