Elas ajudam a compor a cultura de um país ou de uma região. Se eu quero fazer uma comida indiana, certamente vou pensar no curry, se a ideia é um prato mexicano, vou comprar cominho. Também fazem parte de combinações perfeitas. Quem não gosta de banana com canela? E o que dizer da erva doce, que não pode faltar no bolo de milho?

 

A utilização de especiarias na culinária é milenar e esses pozinhos coloridos que mais parecem mágicos podem agregar aos pratos mais do que cor, aroma e sabor, também podem deixá-los mais saudáveis. Na cozinha, elas podem assumir o lugar dos temperos prontos, molhos de salada, cubinhos de caldos de carne, frango, peixe, legumes… todos estes produtos artificiais devem ser cortados de vez da sua lista de compra, pois são feitos a base de sódio e aditivos químicos nocivos ao nosso organismo.

 

Já escrevi aqui um post sobre algumas das ervas aromáticas naturais mais utilizadas por nós brasileiros e suas propriedades nutricionais. Hoje o foco são as especiarias e como elas podem colaborar com a nossa saúde. Para montar este pequeno guia, conversei com a nutricionista funcional, Luana Vasconcelos. Vou começar com a cúrcuma, ou açafrão da terra, que está em alta na ciência, nos restaurantes e na internet.

 

Cúrcuma ou Açafrão-da-terra

É rica em manganês, ferro, potássio, vitamina C e magnésio. Tem propriedades antiinflamatórias e antioxidantes, pode ajudar a reduzir o mau colesterol, a proteger o coração e o estômago, auxiliar a digestão e a função do fígado. Funciona como bactericida e como germicida e também pode colaborar com o tratamento de hepatite, artrite, acne, dermatites, queimaduras, tosses, resfriados e doenças de pele.

A cúrcuma é bem versátil, vai bem como tempero de carnes, legumes e até do arroz nosso de cada dia. Ainda pode colorir e enriquecer as massas caseiras, como pães e tortas.

 

Canela

É vendida em pó ou como pau, para ser ralado em casa.

Tem poderes antiinflamatórios e antioxidantes. Ajuda a proteger o fígado e o estômago, a reduzir o mau colesterol e ajuda a combater bactérias e parasitas e melhora a utilização do açúcar pelo nosso corpo.

Ela pode ser usada em doces, principalmente nos que levam frutas como banana, maçã e abacaxi e também em pratos salgados como tempero de carnes, por exemplo. Minha família tem origem libanesa e estou acostumada a vê-la em sopas como canja de galinha e em pratos salgados, como um bem tradicional, que leva arroz, grão de bico e músculo de boi. Eu gosto de colocar até no café. Também costuma fazer parte das masalas, misturas de especiarias utilizadas na culinária indiana, que já chegaram por aqui, encontramos algumas prontas para usar ou podemos fazê-las em casa, com as nossas especiarias preferidas.

 

Cominho

Tem propriedades que ajudam a combater bactérias que não são bem vindas.

Só de ouvir o seu nome já fico com vontade de preparar um chilli, prato mexicano feito com feijão vermelho, carne moída e molho de tomate, sem cominho ele não tem a menor graça, mas com ele, fica incrível. Ele também pode ser usado para temperar outros cozidos de carne ou de legumes. Mas o seu gosto é bem forte e o ideal é colocar aos pouquinhos e experimentar, para não passar do ponto.

 

Erva-doce

Possui ações antioxidante e antifúngica. Pode auxiliar nos tratamentos contra úlcera, prisão de ventre, tosse e dores em geral e ajuda a combater a formação de gases.

Pode servir de base para um chá bem aconchegante e lá em casa, o bolo de milho não tem graça nenhuma sem seus grãos, que também entram no tempero da caponata de berinjela, por exemplo. Ela pode ser usada em biscoitos, bolos em geral ou até em pratos salgados como sopas, molho de tomate, legumes refogados ou peixe.  

 

Páprica

É retirada do pimentão vermelho moído e é vendida nas versões doce e picante. Contém betacaroteno e vitamina A, que colaboram com a saúde da nossa pele. Possui propriedades antiinflamatórias e pode auxiliar no tratamento de reumatismo, varizes e inchaços. Ainda ajuda a reduzir a pressão arterial e a proteger a nossa visão e o nosso coração.

Pode entrar nas massas caseiras como pães e tortas e também pode ajudar a temperar batatas, legumes, frango e peixe.

 

Pimenta do reino

Contém ferro, potássio, cálcio, magnésio, manganês, zinco, cromo e vitaminas A e C. Pode ajudar o nosso sistema digestivo, tem ação antibacteriana, pode ajudar no tratamento de asma, tosse, artrite e problemas de circulação. Mas em grandes quantidades pode ser prejudicial ao estômago, para quem já tem sensibilidade neste órgão.

Temos muitos tipos de pimenta por aqui, escolhi esta que talvez seja um das mais usadas. Complementa bem quase todos os pratos salgados, porque não muda muito o seu sabor original, mas é bom tomar cuidado com a quantidade para que não fique muito picante.  

 

Curry

É uma mistura de 8 especiarias: açafrão-da-terra, cardamomo, pimenta-do-reino, pimenta-da-jamaica, canela, gengibre, cominho e mostarda. Dependendo das quantidades destes ingredientes pode ficar mais ou menos picante.

Seus benefícios são bem parecidos com os da cúrcuma, que é o seu principal ingrediente. Também pode colaborar com a digestão, com o fortalecimento do sistema imunológico e com diminuição de inchaços.

Eu adoro misturá-lo ao leite de coco, principalmente para acompanhar pratos com frango ou peixe. Também costumo colocá-lo no purê de mandioquinha e nas batatas que ganham um toque novo e surpreendente.

 

É bom lembrar que em pequenas quantidades e isoladamente, nenhum ingrediente irá promover uma mudança tão significativa na nossa saúde. No caso das especiarias, o ideal é consumi-las com frequência, sempre dentro de uma rotina alimentar equilibrada e como substitutas de ultraprocessados ou do excesso de sal. E no caso de doenças crônicas, o ideal é sempre procurar um especialista.