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Quando eu falo em pratos natalinos, você pensa em quê? Tender? Peru? Chester? Além do panetone, são elas que me veem à cabeça. Fiquei curiosa para conhecer um pouco mais sobre estas carnes que ficam sumidas durante o ano todo e costumam reinar no Natal. A mais estranha para mim era o Chester, então comecei por ela.

 

O Chester não é um corte específico de carne, muito menos um animal, é uma marca registrada, como qualquer outra marca. É um produto que foi feito “em laboratório”. De acordo com a empresa que o criou é um frango fabricado nos EUA em 1979 para ter mais peso e menos gordura e competir com o peru vendido pelo concorrente. Mais de 70% da ave são compostos de peito e coxas, contra 45% em um frango comum. E é alimentado à base de milho e soja, sem qualquer tipo de medicamento, antibiótico ou hormônio anabolizante.

 

Ainda que a empresa esteja sendo totalmente honesta sobre a composição do Chester, ele recebe muitos aditivos químicos na hora que é preparado para a venda, como espessantes, aromatizantes, estabilizantes e conservantes, além do excesso de sal e do açúcar. Se você for seguir a tradição e consumi-lo apenas no Natal, tudo bem. Mas para um consumo frequente, eu preferiria um frango orgânico e com tempero caseiro, mesmo que ele tenha um percentual menor de peito e coxas.

 

As carnes de porco também costumam protagonizar boa parte dos jantares e almoços comemorativos nesta época. Parte dessa tradição vem da superstição de que “não se deve comer animais que ciscam para trás, como o frango, para a vida ir pra frente”. Também acho que é uma boa desculpa para variar o cardápio já que muita gente não tem o hábito de comer a carne de porco porque acredita que ela seja mais ‘pesada’ ou gordurosa do que as demais. O que não é verdade, desde que não seja como torresmo, não é? Muitas vezes o seu teor de gordura é igual ou até menor do que os das demais e ainda contém uma proteína de alta qualidade.

 

Ele costuma aparecer em forma de lombo, pernil ou tender. O lombo, que vem das costas do animal e o pernil, que vem da coxa, podem ser comprados in natura e temperados em casa, que para mim é o ideal. Já o tender é uma carne defumada e processada, mais parecida com um presunto. Não seria recomendado para um consumo frequente, mas também não precisa ser retirado da sua ceia se for consumido apenas nesta época. Muitas vezes as carnes de porco são servidas com frutas, como abacaxi e pêssego. Conheço bastante gente que não gosta de misturar estes sabores, mas para mim, o adocicado das frutas combina muito bem com o porco. No caso do abacaxi ele também tem a função de ajudar na digestão da carne.

 

Algumas pessoas dizem que têm reações adversas quando consomem carne de porco. Isto pode acontecer porque a carne contém histamina, uma substância produzida em maior quantidade durante uma reação alérgica. Isto não significa que as pessoas tenham alergia à carne de porco. Demonstra que os níveis de histamina destas pessoas já estão altos, por outros motivos e o consumo da carne de porco é só a gota d’água que faltava para as reações aparecerem. Este excesso de histamina pode vir do consumo frequente de alimentos com alto potencial alergênico, como: leite de vaca e seus derivados, soja ou glúten, por exemplo.  

 

Diferente do Chester e do Tender, o Peru poderia ser mais consumido durante o ano por aqui. A sua carne tem um teor muito baixo de gordura, a proporção é de um grama de gordura por grama de carne. Ela tem também um alto teor proteico, além de ser fonte de  Niacina e Vitamina B6, substâncias que ajudam na produção de energia, e selênio, que age como anti-oxidante e ajuda a melhorar a imunidade. O peru também contém Potássio, Fósforo, Zinco e Ferro, além de triptofano e serotonina, que ajudam a regular o sistema nervoso central.

 

O costume de comer o peru no Natal foi importado da América do Norte, como tantos outros hábitos alimentares muito mais nocivos. Nos EUA, a carne é consumida desde 1621 no Dia de Ação de Graças, que não é celebrado por aqui, mas que pode ser comparado ao nosso Natal. Na época, a data festejava a boa colheita e a ave era comum na região. Sua grande quantidade de carne, representava fartura. A tradição chegou no Brasil no século 19, trazida por imigrantes de lá. É bom ressaltar que a carne de peru é bem diferente do peito de peru embutido, que é um dos embutidos mais artificiais que existem no mercado, um dos que tem a maior quantidade de aditivos químicos nocivos à nossa saúde.

 

 

Apesar dos apelos cada vez mais constantes feitos nas redes sociais, estas carnes costumam ser servidas com arroz e passas. As frutas secas ou em passas que rondam as nossas ceias natalinas também foram importadas do hemisfério norte. Enquanto aqui estamos em pleno verão, lá é inverno nesta época do ano e há algumas décadas os europeus não tinham acesso às frutas in natura por conta do inverno rigoroso. Criaram então as frutas secas ou em passas para continuar a consumi-las. No Brasil, não temos esta necessidade por conta da nossa enorme variedade de frutas, mas a tradição das passas continua. Pra tristeza de uns e alegria de outros, como eu.