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No início deste ano, o jornal britânico “The Guardian” fez um levantamento a respeito da alimentação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Resultado? Ele se alimenta exclusivamente de produtos ultraprocessados, principalmente da chamada ‘junk food’. A nutricionista Jo Travers, autora do livro “The Low-Fad Diet”, analisou o cardápio a pedido da publicação e concluiu que a dieta pode até interferir na capacidade de tomar decisões. Em resumo, porque o presidente não consome nenhuma fonte de ômega 3, uma gordura boa presente nas oleaginosas, em peixes e em sementes como a linhaça, por exemplo, que é fundamental para o bom funcionamento das células cerebrais, “o corpo dele acaba substituindo isso por outros tipos de gorduras, que são menos fluidas, tornando mais difícil o trabalho dos neurotransmissores. Isso está muito ligado a distúrbios de humor”, explicou Jo Travers. As atitudes de Trump comprovam que ele não está mesmo em plenas condições de tomar decisões.

Como boa parte dos norte-americanos e até dos brasileiros, Trump consome apenas proteínas, gorduras de má qualidade, carboidratos refinados e aditivos químicos e não tem contato nenhum com frutas, verduras e legumes, alimentos que lhe forneceriam fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. Já se sabe que este tipo de rotina alimentar é comprovadamente nociva para o organismo por conta de uma série de efeitos físicos. O que quase nunca se fala é que ela também pode interferir no nosso sistema nervoso central, responsável pelas nossas funções mentais e emocionais. Pra começar, 60% das células que compõem o nosso sistema nervoso central são formadas por gordura, principalmente pelo Ômega 3, que é poliinsaturado permitindo que as membranas das células nervosas fiquem mais maleáveis e se comuniquem melhor entre si e com o meio em que estão, para ‘gerenciar’ as nossas funções cerebrais. Mas quando há um alto consumo de gorduras saturada e trans, presentes nos ‘junk foods’ e nos ultraprocessados, elas ocupam o lugar que seria dos ômegas essenciais. Ambas tornam as nossas células menos maleáveis, dificultando o contato entre elas e, consequentemente, a nossa capacidade de pensar, como resumiu a nutricionista norte-americana, que analisou Trump.

Além dos ômegas, as vitaminas, os minerais e os compostos bioativos também são essenciais para o bom funcionamento do nosso sistema nervoso central e só estão presentes em qualidade e quantidade adequada na comida de verdade. Eles são determinantes para a formação dos neurônios e dos neurotransmissores, responsáveis pelo nosso funcionamento mental e emocional. Os ‘junk foods’ e os ultraprocessados, não têm estas substâncias e são compostos na sua maioria por glúten, soja e leite de vaca, macromoléculas proteicas que, ao serem absorvidas, provocam o aumento de substâncias inflamatórias, que interferem no sistema nervoso central, excitando as células nervosas e diminuindo a nossa capacidade de ‘pensar antes de agir’. Estas substâncias nocivas inibem um neurotransmissor chamado ‘gaba’, responsável por dimensionar os problemas, por nos dar foco e diminuir a nossa agitação mental. Este processo também gera irritabilidade, agressividade e alterações de humor e diminui os níveis de serotonina, derrubando a capacidade de empatia. O açúcar, que está bastante presente neste tipo de cardápio, tem também o seu papel na desregulação das nossas emoções. Ele é conhecido por ‘roubar’ energia do sistema nervoso central, causar hipoglicemia reativa, que diminui a nossa capacidade cerebral e nos causa irritação.

Como se não fosse o bastante, uma dieta baseada nestes alimentos irá prejudicar consideravelmente a nossa microbiota intestinal, que terá prevalência de fungos e más bactérias, produtores de endotoxinas, substâncias que passam diretamente do intestino para o cérebro, alterando as suas funções. Os aditivos químicos tão presentes na alimentação dos seguidores da ‘dieta do Trump’ também prejudicam este órgão tão importante. Os aditivos destroem as células de defesa do intestino, permitindo a entrada das substâncias alergênicas e tóxicas, consumidas junto com eles. A relação entre esses aditivos e os distúrbios comportamentais já foi comprovada por diversos estudos científicos. A baixa ingestão de comida de verdade ainda faz com que o organismo não tenha acesso aos nutrientes que protegeriam a microbiota e reverteriam o quadro. Normalmente, as pessoas que têm o sistema nervoso central prejudicado pela alimentação, ao invés de qualquer outro órgão, são muito inteligentes, mas ficam com a inteligência emocional prejudicada. Em sua maioria costumam ser hiperativos, explosivos, não conseguem escutar os outros, têm a capacidade de construir um império, mas desde que possam dominá-lo, dificilmente serão bons empregados. Características que, não por coincidência, me remetem a personalidade do presidente do nosso vizinho de cima.