No mundo da alimentação também existem modismos. Um dos que está chegando com força e que é muito positivo são as marmitas. O hábito de se levar comida caseira para as refeições feitas fora de casa tem sido uma necessidade de um número cada vez maior de pessoas, que têm se preocupado mais com a saúde e com o que irão comer e têm encontrado poucas opções saudáveis no seu entorno.

 

Há inúmeras vantagens em se preparar a própria comida, começando pelo custo que cai drasticamente. É muito mais barato comprar os ingredientes do que a refeição pronta e, em tempos de crise, a economia de dinheiro pode ser  um aspecto relevante. Mas estou aqui para falar de saúde. Normalmente os pratos feitos em larga escala, como os que são servidos nos restaurantes onde boa parte dos brasileiros fazem as refeições diárias, levam produtos industrializados como caldos de carne, de frango ou de legumes, temperos artificiais e molhos prontos. Estes produtos diminuem o tempo de preparo, são armazenados com mais facilidade, têm mais durabilidade, realçam o sabor do que se está cozinhando e ainda costumam ser mais baratos do que seus substitutos naturais. Por todos esses motivos são grandes aliados das cozinhas industriais, mas certamente são maléficos para o organismo de quem os consome com frequência, têm muito mais sódio do que as versões in natura, têm aditivos químicos indesejáveis, açúcar e gordura.

 

As frituras, que costumam ter um grande espaço nas mesas dos restaurantes por quilo, na maioria dos estabelecimentos são feitas com o óleo de soja, que é bem mais barato que os outros óleos vegetais. Esse tipo de óleo tem um grande potencial inflamatório e certamente deve ser banido da sua rotina alimentar. Mesmo uma simples salada de folhas ou uns legumes grelhados, servidos fora de casa, podem ser prejudiciais. Ainda é muito pequeno o número de estabelecimentos que oferecem vegetais orgânicos, que são muito mais nutritivos e menos agressivos para o nosso organismo do que os convencionais. Se você for fazer suas próprias refeições poderá investir em produtos orgânicos, com muito mais qualidade, e ainda assim estará gastando menos.

 

As marmitas são uma ótima opção para todas as pessoas e, em especial, para aquelas que tenham algum objetivo específico, como perda ou manutenção de peso, controle da pressão arterial, diminuição de taxas como diabetes, triglicérides e colesterol ou prevenção de doenças. Quando você prepara com antecedência o que vai comer, fica mais fácil escolher os melhores alimentos, preparados da forma mais saudável e colocá-los nas quantidades adequadas. Se chegarmos famintos a um restaurante por quilo, por exemplo, é muito fácil cairmos nas tentações das frituras, dos doces ou das massas, ou ainda exagerarmos nas quantidades.  

 

Para os vegetarianos ou veganos a marmita pode ser imprescindível. Nas grandes cidades, as opções de pratos feitos sem proteínas de origem animal têm crescido, mas ainda não é em todos os lugares que este público encontrará o que comer, quando se trata dos veganos, a dificuldade pode ser ainda maior. Os celíacos, alérgicos, intolerantes e simpatizantes, como eu, que deixaram de comer produtos feitos com farinha de trigo ou com leite de vaca, por exemplo, já devem ter levado marmita pelo menos uma vez na vida, mesmo que tenham chamado de outro nome. Há algumas situações em que sabemos que não haverá nenhuma opção de comida que não nos fará passar mal, portanto é inevitável carregarmos as nossas próprias. Não é frescura, é uma questão de saúde.

 

As refeições intermediárias da manhã ou da tarde ganham centenas de possibilidades quando são preparadas em casa.  Algumas empresas de grande porte já entenderam a importância dos colaboradores não passarem muitas horas sem se alimentar, isso reflete entre outras coisas na queda da produtividade, e oferecem opções de alimentos para os intervalos, como frutas, sucos, sanduíches. Mas, a maioria dos brasileiros ainda não têm essa diversidade à disposição e se forem depender das opções tradicionais, encontrarão principalmente frituras, carboidratos simples ou ultraprocessados, como bolachas recheadas, chocolates, biscoitos salgados e salgadinhos – sempre falo neste blog sobre os diversos malefícios destes produtos para a saúde. Já os lanches organizados com antecedência têm um leque muito grande de variações: frutas, frutas secas, oleaginosas, palitinhos de cenoura, ovo cozido, batata doce, mandioquinha ou mandioca cozidas ou assadas, bolos e tortas caseiras, patês feitos com tofu, com grão de bico, com abacate. Só pra começar.  

 

Se você não tem tempo de cozinhar, já há alguns fornecedores de marmita, que têm esta preocupação com a qualidade dos ingredientes e com o modo de preparo. E se você está procurando uma nova fonte de renda, pode considerar este mercado, que parece promissor. Felizmente essa tendência deve vir para ficar e é um ótimo exercício de tolerância. Em tempos de radicalismos, extremismos e dificuldade de aceitar o diferente, é mais uma oportunidade para entendermos que somos todos diferentes e que cada um é livre para fazer as próprias escolhas. Eu fiz a minha, decidi comer só o que me faz bem. Por que precisamos ter os mesmos gostos? Por que precisamos comer as mesmas comidas?