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Já falei algumas vezes neste blog sobre a influência nociva da cultura alimentar norte americana sobre a nossa. Hoje irei direcionar novamente o meu olhar para os Estados Unidos, mas desta vez para alguns números que apontam uma tendência positiva. A retomada da busca pela comida de verdade, em detrimento do que é oferecido pela indústria e pelas redes de fast food tradicionais. É bom observarmos os hábitos de lá porque, muitas vezes, eles podem vir parar aqui. E nesse caso, espero que venham depressa.

No último post falei sobre os malefícios das dietas e parece que elas estão perdendo a força. De acordo com uma pesquisa divulgada nos Estados Unidos, nos últimos 20 anos, o percentual da população que diz “estar de dieta” caiu de 33 para 19%. Isso não significa que eles não estejam preocupados com o peso ou com a saúde, mas aponta uma mudança de estratégia, que privilegia a reeducação alimentar, pra onde vai minha torcida.

Segundo um estudo recente feito pela NDP Group, uma empresa internacional de análise de mercado, 77% da população americana está procurando alternativas mais saudáveis de alimentação. O consumo de produtos naturais e orgânicos, por exemplo, cresceu em média 30% nos últimos anos, no país. Dados do Departamento de Agricultura (USDA) de lá mostram que hoje há mais de 6 mil mercearias abastecidas pelos pequenos  produtores, os farmers markets, que vendem principalmente frutas, verduras e grãos. De 1995 pra cá, o crescimento destes estabelecimentos foi de 250%. Só de 2009 para 2010, houve um aumento de 19%.

Ao mesmo tempo, multinacionais alimentícias tiveram o seu faturamento com refeições processadas reduzido em 7%. As únicas redes de fast food que têm apresentado crescimento nos últimos anos são as que oferecem refeições mais naturais e “caseiras”, dentro do possível. Alguém vai dizer que o aumento das redes tradicionais é menor porque elas já estão estabelecidas. Sim, é verdade, porém já comemoro o fato destas redes novas estarem crescendo em meio a tanta propaganda e em uma sociedade tão habituada ao excesso de sal, gordura e açúcar.

Por aqui não fiz nenhuma pesquisa, mas a cada dia vejo uma feira livre que passa a oferecer orgânicos, um site novo que entrega estes produtos ou até uma kombi que circula por São Paulo com os alimentos sem agrotóxicos. Em algumas empresas, principalmente com matrizes de fora, a alimentação saudável também já é uma preocupação. Conheço um funcionário do Google que trabalha em São Paulo e acaba de voltar de uma visita ao escritório de São Francisco. Segundo ele, por aqui e por lá há um cuidado com o que é oferecido aos colaboradores. Há uma quantidade e uma variedade muito maior de frutas do que de doces, por exemplo. Lá, as hortaliças são todas orgânicas. E mesmo por aqui, quem quiser pode levar frutas, legumes e verduras para casa toda semana.

Entre os motivos que podem justificar esta tendência positiva está a grande variedade de fontes de informações que temos hoje, graças a internet. Como já citei no post “Boa Notícia…” esta rede mundial tem dado voz à pessoas que não têm ligação com a indústria alimentícia, por exemplo, que é o maior patrocinador das fontes tradicionais de informações. Portanto, esta nova diversidade oferece aos interessados importantes argumentos para uma drástica mudança alimentar, como a relação direta entre o aumento das doenças crônicas não transmissíveis e os hábitos alimentares predominantes na nossa época.

Para finalizar com mais uma boa notícia, uma reportagem feita pelo The New York Times aponta também uma maior preocupação dos pais com a alimentação dos pequenos. No ano passado, foi a pressão popular que conseguiu a aprovação do Child Nutrition Act, uma lei para melhorar a alimentação nas escolas norte-americanas. Programas como o Chefs Move to Schools e o Wellness in the Schools incentivam a melhora da nutrição nas escolas dos país. Esta pra mim é a melhor notícia de todas e a que eu mais gostaria de ver replicada por aqui. Mas a alimentação oferecida pelas escolas às nossas crianças é um tema muito amplo e merece um post próprio.