Aposto que você já ouviu da sua avó a seguinte recomendação: “Coma peixe, faz bem à saúde”. Ela estava certa, dizia isso sem saber o porquê, levada pela sabedoria popular, mas estava falando do Ômega 3, um nutriente fundamental para o funcionamento do nosso organismo, mas que ele não produz, ao qual só temos acesso por meio dos alimentos. Os peixes eram a nossa principal fonte de Ômega 3 no tempo dos nossos avós, mas hoje em dia a grande maioria dos que chegam até às nossas mesas são criados em cativeiro e este método faz com que eles não tenham mais esta propriedade. Por outro lado, hoje temos  alguns alimento como a chia e a linhaça que cumprem bem esse papel de fornecedor e algumas oleaginosas, que têm em menor quantidade. Estes alimentos, porém, são pouco consumidos pelos brasileiros ou o são em quantidades pequenas, por isso podem não suprir a alta demanda do organismo por ele.

 

Este nutriente faz parte de todas as nossas células, possibilita a comunicação entre elas e a comunicação delas com o sangue. Também é ele quem forma os nossos neurônios e a bainha de mielina, responsável pela comunicação neuronal. Nossa principal demanda de Ômega 3 acontece entre o terceiro trimestre da gestação e os primeiros dezoito meses de vida, quando se dá o pico do nosso desenvolvimento cerebral, continuando até o nosso quinto aniversário. Isso acontece porque 60% do nosso cérebro é formado por gordura e a maior parte desta gordura é o Ômega 3. Portanto, neste período, é fundamental que as mulheres consumam fontes naturais de Ômega 3 ou até uma suplementação deste nutriente, orientada por um nutricionista, para fornecê-lo ao bebê por meio da placenta ou da amamentação e quando começar a comer sozinho, o bebê também deve ingerir alimentos que o tenham em sua composição. Ele é necessário até para as mulheres que pretendem engravidar, pois ajuda a regular a insulina, e o seu desequilíbrio pode gerar a resistência à insulina, que é um dos fatores complicadores da fertilidade feminina.

 

Se por um lado a demanda dos pequenos por fontes de Ômega 3 é muita alta, por outro eles comem pequenas quantidades de alimentos por vez e, se consumirem produtos industrializados e ultraprocessados, no lugar da comida de verdade, também estarão ocupando o lugar que deveria ser do Ômega 3. Há inúmeros estudos científicos sobre o papel determinante deste nutriente no desenvolvimento cerebral e do sistema nervoso central e sobre a sua importância na prevenção de doenças comportamentais como o TDAH ou de alterações comportamentais, dislexia, dificuldades de aprendizagem ou agressividade, entre outros.

 

Este super nutriente tem ação anti-inflamatória, antialérgica, ajuda a prevenir casos de alergias inalatórias, de alergias alimentares imediatas e tardias, e ajuda a modular o nosso sistema imunológico, assim como o Ômega 9, presente em alimentos como o abacate, a gema do ovo e o azeite extra virgem, entre outros. Se não bastasse, eles ainda ajudam a proteger o cérebro e o coração. O Ômega 3 tem também uma ação anti-agregação plaquetária, ajuda a regular a coagulação do sangue e pode prevenir casos de trombose ou problemas de circulação, por exemplo. Já a alta quantidade de gordura saturada e de Ômega 6  naturalmente presente nos alimentos de origem animal e também nas gorduras de origem vegetal, como o óleo de milho ou o de girassol, e a gordura trans, em qualquer quantidade, fazem o oposto, têm função pró-agregação plaquetária, em excesso podem causar trombose, são pró-inflamatórios, interferem na função cerebral e atrapalham a comunicação neuronal e entre as células.

 

Especialistas de nutrição afirmam que estamos praticando hábitos alimentares pró-inflamatórios. Isso se deve à proporção errada do consumo de Ômega 3 e de Ômega 6. Antigamente, consumia-se em média 4 porções de Ômega 6 para 1 de Ômega 3, essa era uma proporção aceitável, mas hoje no Brasil, essa relação passou para mais de 20 de ômega 6 para 1 de ômega 3. É bom lembrar que os processos inflamatórios estão na base de quase todas as doenças crônicas não-transmissíveis, que estão aumentando cada vez mais, inclusive entre as crianças. A suplementação deste nutriente pode ser muito útil para crianças com distúrbios de comportamento, gestantes ou mulheres que amamentam, pessoas que querem combater a resistência à insulina ou problema osteoarticulares, porém, deve sempre ser feitas por profissionais de nutrição que irão personalizar as doses e indicar os melhores produtos do mercado.