Até pouco tempo atrás, o consumo do amendoim entre os brasileiros se resumia à sua forma torrada, como aperitivo, ou aos doces feitos com ele, como o pé de moleque e a paçoca, que costumam reinar nas festas juninas. Em estados do Nordeste, também é utilizado em pratos salgados. Entre os industrializados, serve de recheio para alguns famosos bombons de chocolate. Mesmo assim, sua presença nas listas de compras e nas casas do País, costumava ser esporádica, se restringia às festas, encontros com amigos ou jantares ocasionais. Mas isso tem mudado, sobretudo entre grupos como os veganos, pessoas que não consomem nada de origem animal, e entre os praticantes de atividade física.

 

A pasta de amendoim é um dos produtos mais comprados pelos norte-americanos, ela está em boa parte dos pães consumidos no café da manhã e nos intervalos das refeições e também aparece em muitos dos doces feitos por lá. Aos poucos esse hábito tem chegado por aqui, as pastas nacionais, inspiradas em suas vizinhas de cima, têm sido utilizadas diariamente como pré ou pós treino por atletas que buscam alimentos com uma gordura boa, ou seja com alto potencial energético e também com um alto índice proteico, que também é o seu caso. Em uma porção de 100gr de amendoim há 49gr de gordura e 26gr de proteína. Muitos produtos voltados para este público têm sido lançados aqui e fora do País utilizando-o em barras proteicas e em suplementos alimentares. Entre os veganos, a pasta tem sido utilizada no café da manhã como uma opção para comer com pães, para quem não quer utilizar os produtos feitos com leite de vaca, ou mesmo para comer com frutas, por aqueles que desejam diminuir os carboidratos. Mas, é importante que estes consumidores fiquem atentos: a presença diária desta leguminosa na nossa rotina alimentar pode nos trazer mais danos do que benefícios.

 

Pra começar, o amendoim costuma ‘abrigar’ uma micotoxina chamada ‘aflatoxina’, substância tóxica e cancerígena produzida por alguns tipos de fungos. Além disso, tem um alto potencial alergênico e, em alguns casos, pode provocar reações imediatas como urticárias ou diarreia. Mas, na grande maioria das vezes, os efeitos dessa alergia não são imediatos, portanto dificilmente são relacionados à sua causa. O mais comum é que, depois de um período de consumo frequente, o organismo fique mais inflamado como um todo, causando diversas reações, que variam de acordo com a nossa predisposição genética, e podem ir desde sintomas respiratórios, como rinite, sinusite, asma; enxaqueca; resistência à insulina, com ganho de peso até dermatite, entre tantos outros. Por ser um alimento oleoso, o seu consumo excessivo também pode provocar acnes ou oleosidade nos cabelos.  

 

Sua presença constante nas casas norte-americanas faz com que as reações ao amendoim também fiquem exacerbadas, lá é comum até que a venda de produtos que contenham este ingrediente seja proibida no entorno de algumas escolas para evitar que causem reações adversas às crianças. Este mesmo potencial alergênico é que motiva o alerta presente nos rótulos de muitos alimentos industrializados: ’alérgicos: contém amendoim’. Vale lembrar que você pode ser um desses alérgicos e não saber. Por tudo isso, espero que o amendoim volte a ficar restrito aos doces e aos aperitivos, em poucas ocasiões.  

 

Depois da publicação deste post, fui procurada pela Abicab, Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e derivados, para me informar sobre o selo “Qualidade Certificada Pró-Amendoim-ABICAB”, que atesta que os produtos ofertados pela indústria estão livres de Aflatoxina – substância tóxica e cancerígena produzida por alguns tipos de fungos. Como eu não tinha conhecimento deste selo, achei importante dividir estas informações com você.

 

O 16º relatório do programa, referente ao ano de 2016, concluiu que todas as empresas auditadas estão em conformidade com a legislação nacional. “Processos em conformidade garantem às empresas o selo Pró-amendoim”, afirma Ubiracy Fonseca, Presidente da Abicab. Atualmente, a entidade engloba a cadeia produtiva brasileira, representando 92% do mercado de chocolates, 93% do mercado de balas e confeitos e 62% do mercado de amendoim. Para garantir o selo, as empresas passam por uma rigorosa auditoria periódica de Boas Práticas de Fabricação e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, realizada pela DNV-GL Business Assurance Avaliações e Certificações. Além disso, trimestralmente são coletadas amostras aleatórias de seus produtos diretamente dos pontos de venda, analisadas pelo Laboratório de Micotoxinas (LAMIC) da Universidade Federal de Santa Maria – RS, credenciado pelo Ministério da Agricultura, acreditado pelo INMETRO e pela ANVISA.

 

O estudo revela que, durante o ano de 2016, todas empresas que foram submetidas aos testes de produtos e que abriram as portas de suas fábricas para auditoria estão dentro dos padrões exigidos pela legislação brasileira. A realidade, no entanto, não é a mesma para companhias que não aderem ao processo de avaliação periódica mas que, mesmo assim, têm seus produtos analisados por meio de amostras também obtidas no varejo: 5,3% das marcas avaliadas apresentaram não-conformidades. “A Abicab não tem o poder de retirar produtos irregulares do mercado, mas tem realizado um forte trabalho junto aos órgãos competentes para reportar as inconformidades”, completa o executivo.

 

Por isso, na hora de comprar algum produto feito com amendoim, procure o selo Pró-amendoim. Ele irá garantir a ausência da toxina com potencial cancerígeno.

Atualizado dia 04 de outubro de 2017, às 10:23h