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Nesta semana acontece o Dia da Revolução da Comida, ou o Food Revolution Day. O evento é promovido pelo chef de cozinha e ativista inglês, Jamie Oliver, que desde 2010 tem uma Fundação voltada para a promoção de hábitos alimentares saudáveis. Tudo que sempre defendo por aqui. Na sexta-feira, dia 20 de maio, onze países – Inglaterra, Austrália, Índia, EUA, Quênia, Canadá, Tanzânia, Alemanha, Holanda, Nigéria e Brasil – estarão unidos em torno da cozinha. A partir das 10h da manhã de Londres a página de Jamie no Facebook, que tem quase 5,5 milhões de seguidores, transmitirá ao vivo uma série de aulas de culinária e debates a respeito da boa alimentação. Além disso, cada um dos países participantes criará seus próprios eventos. Para acompanhar a maratona, basta se inscrever na página do chef na rede social.

Desde 2013 o evento é replicado no Brasil. Neste ano a culinarista Nádia Cozzi será a embaixadora da ação em São Paulo. De acordo com ela, “o Food Revolution é um movimento que busca capacitar e inspirar mundialmente todas as pessoas a selecionarem melhor os seus alimentos e o que estão comendo, redescobrindo o prazer de cozinhar e reconectando pessoas com os alimentos, para que entendam que uma vida mais longa e melhor depende de novos hábitos. As atividades se espalham mundialmente por meio dos Embaixadores do Food Revolution Day e eu vou realizar um jantar com aulas show mostrando aos presentes que cozinhar pode ser divertido”.

O mais interessante é que não precisa ser nada elaborado. Um desafio proposto esta semana pelo evento de Jamie Oliver convida os cozinheiros caseiros de todo o mundo a criarem uma omelete. Segundo ele “esse prato simples pode ser uma refeição completa”. Para participar basta criar uma receita com ingredientes locais e nutritivos que represente o seu país, tirar uma foto e postar em suas redes sociais com a #FoodRevolution. Será escolhido um vencedor global, que receberá um troféu exclusivo e um prêmio em dinheiro e terá sua receita feita e divulgada por Jamie. Eu ainda nem sabia deste desafio, mas na semana passada, por exemplo, fiz uma omelete com inhame e abobrinha ralados, atum e cebola. Vou refazer agora para o evento. Para o meu filho faço sempre com alguma verdura, como espinafre, rúcula ou agrião. Ele come tudo, feliz da vida.

 

A vontade de reaproximar as pessoas da cozinha nasceu de uma preocupação de Jamie com os pequenos. No mundo todo 41 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade está acima do peso, enquanto outro 159 milhões estão subnutridas para crescer. “Eu tenho feito campanha para uma melhor alimentação e nutrição há mais de 15 anos e nunca estive mais preocupado com o estado de saúde das crianças. Mas também estou confiante que podemos reverter esta situação se trabalharmos juntos em prol de uma mudança duradoura na compreensão que nossos filhos têm sobre os alimentos, no consumo destes e no acesso que promovemos a eles. A internet é nossa grande aliada neste processo, pois nunca foi tão fácil divulgar as informações para provocar o debate, pressionar os governos e aproveitar o nosso poder de compra como consumidores de tal forma que as grandes empresas e a indústria tenham que melhorar suas práticas”. O trabalho do ativista já deu resultado. Na Inglaterra, a partir de 2017, o imposto sobre as bebidas serão baseados no seu teor de açúcar. Quanto mais açúcar, maior a taxação. O dinheiro arrecadado, que está estimado em 520 mil libras por ano, irá financiar a promoção de atividades físicas nas escolas primárias. Isto porque uma pesquisa atual mostra que metade dos alunos com sete anos de idade não faz exercício suficiente.

 

Por aqui, foi feita recentemente uma pesquisa para entender o comportamento do brasileiro ao cozinhar em casa. O relatório Mintel de Hábitos Culinários entrevistou 1.500 pessoas nas dez maiores cidades do País. Entre os principais resultados, 92% dos entrevistados disseram que cozinhar em casa é um bom jeito de economizar. 24% deles afirmam que costumam reaproveitar sobras de uma refeição para inventar novos pratos para a próxima. Para mim, há dois pontos positivos: 54% revelaram que o fator mais importante na hora de cozinhar é o prato ser saudável e 73% costumam utilizar somente ingredientes naturais quando cozinham. Porém, para 81% cozinhar é mais divertido quando se está com os amigos ou com a família, 72% preferem cozinhar receitas especiais quando recebem pessoas em casa do que no dia a dia e, para 61%, cozinhar é uma atividade de lazer. Claro, é muito bom saber que para estas pessoas o ato de cozinhar é prazeroso, porém, entendemos também que ele fica mais reservado aos momentos de folga, que normalmente são só os finais de semana, feriados ou datas festivas. O objetivo de Jamie Oliver e o meu também é que se encontre cada vez mais brechas para a cozinha nas rotinas pesadas e corridas. Quem sabe assim essa mesma rotina se torne mais leve e gostosa.