Ainda estamos na primavera, mas a proximidade com a estação mais quente do ano já faz pipocar nas redes sociais, nas revistas de saúde e nas conversas pelo País afora fórmulas mágicas para emagrecer, ficar com a barriga negativa ou com a musculatura definida, são os famosos ‘Projeto Verão’. Eu quero me sentir bonita no calor, quando ficamos com o corpo mais exposto, e não condeno ninguém que também o queira. Só me preocupo com as loucuras que as pessoas podem fazer para atingirem seus objetivos. Nos piores casos, pode-se apelar para remédios, laxantes, diuréticos, excesso de exercícios físicos e dietas radicais, com quantidades muito pequenas de alimentos, jejum muito prolongado ou restrição total de algum grupo alimentar, como carboidratos ou gorduras.

 

Os processos de emagrecimento e de fortalecimento muscular precisam de um certo tempo para apresentarem resultados. Quando procura-se alcançá-los a curto prazo, normalmente, são usados métodos errados, como os que eu citei acima. Eles podem até ajudar a reduzir alguns quilos na balança, no caso da perda de peso, mas certamente terão consequências nocivas para o organismo, que variam bastante de uma pessoa para outra. Esses efeitos nocivos podem ir desde enxaquecas, irritabilidade, dificuldade de concentração e de aprendizagem, até fraqueza, tontura, flacidez e queda no sistema imunológico, com gripes frequentes, por exemplo, entre tantos outros. O principal perigo de se começar a usar remédios, diuréticos ou laxantes por conta da pressa é a dificuldade de se livrar deles no futuro, e mesmo quando usados por um curto período de tempo, já podem desregular os hormônios, a microbiota intestinal e até o funcionamento dos rins. O uso frequente dessas substâncias pode caracterizar um distúrbio alimentar, é bom ficar atento. Já os exercícios físicos com cargas ou frequência excessivas pode sobrecarregar as articulações e causar problemas crônicos.

 

Antes de tudo, é importante entender se você está, de fato, acima do peso ou se está tentando se encaixar em um padrão imposto pela sociedade, que pode ser incoerente com o seu tipo físico. A maioria das brasileiras têm uma estrutura corporal bem diferente da que tem sido estampada há décadas na publicidade, nas passarelas, nas revistas de moda e saúde e nas telas da tv e do celular. É bom sempre termos em mente que muitas dessas mulheres gastam muito dinheiro com tratamentos de estética e  com cirurgias para conquistarem suas medidas, além das muitas horas diárias que se dedicam às atividades físicas. Artifícios que também estão distantes da realidade da maioria de nós. E mesmo quando estão no auge de sua beleza ainda têm suas fotos retocadas diversas vezes antes de serem publicadas em qualquer plataforma. A busca por um biotipo que seja diferente da nossa natureza pode causar uma insatisfação constante, que costuma aumentar a ansiedade, abaixar a auto-estima e, nos casos mais agudos, fazer com que se desenvolva um distúrbio alimentar..

 

Aproveitar a energia das estações quentes como uma motivação para cuidar melhor do que se come é uma ótima ideia. Eu sempre tenho mais vontade de comer frutas, legumes e verduras no calor (embora faça isso o ano todo) e sei que isso acontece com muita gente. É uma boa oportunidade para repensar os hábitos alimentares e fazer melhorias permanentes. Mas, para isso, é preciso parar de encarar os alimentos como mocinhos ou vilões do emagrecimento, eles são muito mais do que isso, são a nossa principal matéria-prima. A qualidade desta matéria-prima será determinante para o bom funcionamento de todo o nosso organismo, é ela que irá definir como será a nossa qualidade de vida e que poderá causar ou prevenir a maior parte dos sintomas que nos acometem no dia a dia. Por isso, a construção de um equilíbrio alimentar é uma tarefa que deve percorrer as quatro estações do ano e, se isso acontecer, a chance de se chegar feliz e satisfeito com o próprio corpo no verão, é muito grande.