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Depois dos anos 1980, quando a moda tinha na opulência de dourados e brocados seu maior refúgio, a clareza das ruas da década seguinte nunca teve mais sucesso do que agora. Be real é o slogan, vivido ad eternum por tudo que leva a tag moda hoje em dia.

Com a febre do street style, a rua tomou contornos nunca antes vistos. Sinônimo de realidade na moda, os looks clicados em inúmeras partes do mundo, de Paris a Seul, de Hong Kong a São Paulo, NY, Milão, Londres se tornaram o must have da estação. Agora ser real ganha novos contornos e vira luxo nas mãos das principais marcas que atuam nesse segmento, influenciando assim, inúmeras outras.

Miuccia Prada, que não é boba nem nada, e sabe que cada vez mais vender experiências surte mais efeito do que vender bolsas de crocodilo, elevou a realidade à enésima potência com a campanha de Inverno 2015 da sua jovem Miu Miu.

Com coleção que pode parecer de gosto duvidoso para muitos, a marca traz as atrizes Stacey Martin, Mia Goth, Hailey Gates e Maddison Brown em situações do cotidiano, como pedindo uma informação a um carro parado, em um ponto de ônibus, sentadas num banco na calçada, atravessando uma rua, beijando um roqueiro, sempre super montadas em casacos de matelassê, óculos imensos, bolsas poderosas, enfim, super glam, tudo clicado por Steven Meisel. Chamada Subjective Reality, a campanha traz a realidade pensada por Miuccia da melhor maneira, feita para ser real, embora completamente cheia de puro luxo.

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A Calvin Klein Jeans vai mais fundo na tal realidade e coloca em suas campanhas a atual mania da geração Millenials, o sexting. Com cliques de Mario Sorrenti, as fotos ganham janelas graficamente colocadas sob as mesmas, onde casais­ modelos de diversas vertentes sexuais trocam supostas mensagens sexuais. Atual sim. Real, talvez.

Outra marca que apostou recentemente em realidade aumentada travestida de cotidiano banal é a Gucci, que clicou uma das mais fabulosas campanhas da estação, nas estações de metrô de NY, só para citar uma das situações. As criações nada reais de Alessandro Michele, novo diretor criativo da marca, foram para a rua, aliás, para debaixo da rua, trazendo mais atitude para as clientes da grife com o seu Pre­Fall.

Segundo dados divulgados pela marca, na realidade, com o perdão do trocadilho, a casa italiana cresceu de acordo com o mercado flutuante de 2015 com a entrada de Michele e sua nova atitude. Embora a mulher Gucci talvez nunca pensou, se quer, passar perto do metrô, agora ela o faz, mesmo usando um exclusivo e maravilhoso casaco de croco. Sinal dos tempos, não é mesmo?

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Fotos: reprodução

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@caropita